Quem for visitar o Bioparque Pantanal nos próximos dias deve prestar atenção especial ao teto da área dos tanques de peixes. No local, uma instalação artística feita com materiais reaproveitados, como papelão e cartões descartados, ganhou destaque ao reproduzir uma píton de 23 metros inspirada na “Capitu”, que já faz parte do acervo do complexo.
A obra integra o espaço expositivo do maior complexo de água doce do mundo e se tornou um dos pontos mais comentados pelos visitantes por unir arte, sustentabilidade e educação ambiental. A proposta é proporcionar uma experiência visual diferenciada, aproximando o público da fauna e reforçando mensagens de preservação ambiental por meio da criatividade.
A iniciativa surgiu a partir de pesquisas e referências encontradas na internet. Durante o processo de criação, a equipe buscou inspirações em outros trabalhos artísticos semelhantes, como uma cobra produzida na Casa da Serpente, em São Paulo, o que ajudou a orientar o desenvolvimento da peça instalada no Bioparque.
O resultado final combina escala, impacto visual e reaproveitamento de materiais, transformando resíduos em uma representação artística de grande porte. A proposta reforça o uso da arte como ferramenta de conscientização ambiental e amplia a experiência dos visitantes dentro do espaço expositivo.
Processo criativo
A bióloga Marli Pucheta, do Núcleo de Educação Ambiental do Bioparque Pantanal, atua há cerca de um ano na instituição desenvolvendo atividades voltadas à educação ambiental. Com formação em Biologia, ela relata que encontrou no Bioparque um espaço para unir conhecimento técnico e habilidades artísticas, algo que já fazia parte de sua trajetória pessoal.
A proposta da instalação da píton “Capitu”, com 23 metros de comprimento, surgiu a partir de pesquisas realizadas pela equipe do Núcleo de Educação Ambiental do Bioparque Pantanal. A ideia começou a ganhar forma quando referências de outros trabalhos artísticos semelhantes foram encontradas na internet, incluindo uma escultura de serpente produzida na Casa da Serpente, em São Paulo.
A partir dessas inspirações, o projeto foi apresentado à direção e recebeu apoio para ser desenvolvido em grande escala dentro do complexo.
“E deu certo. Eu comecei pesquisando algumas referências. Encontrei um trabalho com cobra que tinha sido feito em São Paulo e levei a ideia para a diretora Maria Fernanda, que gostou bastante. Mostrei a proposta da píton albina que já existe aqui no Bioparque e ela disse que poderia ser do tamanho que eu quisesse. Eu falei que esse tamanho ficaria muito bonito no espaço, e ela aprovou. Eu disse que conseguia fazer, e fui colocando em prática”, diz.
O processo de criação da escultura, envolveu cerca de 40 dias de trabalho intenso e mobilização coletiva. A produção contou com a participação de diferentes setores da instituição, que colaboraram na arrecadação de materiais reaproveitados, como papelão, além do apoio na montagem das estruturas e no recorte das peças.
“Então, a gente precisou da ajuda de todo mundo. Começamos a arrecadar materiais e foram uns 40 dias de trabalho. Teve muita colaboração dos colegas, ajudando a cortar tudo, porque a cobra era feita escama por escama. No final, foram mais de 6 mil escamas, a gente até perdeu a conta. Era tudo colado à mão, uma por uma. Foi um trabalho bem grande, mas valeu a pena”, conta Marli.
Capitu albina
Logo ao lado da escultura, é possível observar a referência direta que inspirou a criação da obra: um ambiente totalmente estruturado e adaptado para a “Capitu”. Para o médico-veterinário responsável técnico do Bioparque Pantanal, Edson Pontes, a instalação artística da píton “Capitu” também ajuda a chamar atenção para a importância da espécie real mantida no complexo.
A serpente, da espécie Python bivittatus, mede cerca de 3,20 metros e pesa aproximadamente 16,2 quilos, sendo acompanhada de perto pela equipe técnica. No mesmo espaço, outras serpentes como a jiboia Boa constrictor constrictor e a sucuri “Gaby” também fazem parte do acervo, todas monitoradas com protocolos de saúde e bem-estar.
O recinto da Capitu foi projetado especialmente para atender às necessidades da espécie, reproduzindo condições próximas ao ambiente natural. Por ser uma serpente de origem asiática, o espaço foi adaptado para simular características de seu habitat, respeitando normas de manejo e dimensões adequadas ao seu porte, já que indivíduos da espécie podem ultrapassar cinco metros de comprimento.
“O acompanhamento clínico do animal é feito de forma periódica, com avaliações preventivas realizadas em média a cada quatro meses. Os procedimentos priorizam métodos menos invasivos, como ultrassonografias, que permitem analisar o estado fisiológico e imunológico da serpente sem causar estresse excessivo. E fazemos exame de sangue a cada seis meses”, afirma Edson.
“Capitu” ainda está em fase juvenil e segue em pleno desenvolvimento. Por não ser um animal adulto, ela ainda possui grande potencial de crescimento, característica comum da espécie Python bivittatus, que pode atingir dimensões bem maiores ao longo dos anos. O acompanhamento diário busca justamente garantir condições ideais para essa evolução, respeitando seu estágio biológico.
“Ela ainda é uma serpente jovem, não atingiu a fase adulta nem a maturidade sexual, então ainda tem muito para crescer. No geral, as serpentes passam boa parte do tempo mais paradas, com baixo gasto de energia. Aqui elas ficam em ambiente climatizado, com temperatura controlada, porque são animais ectotérmicos, ou seja, dependem do ambiente para regular o próprio calor e manter o bem-estar”, destaca.
A equipe técnica do Bioparque Pantanal afirma que “Capitu”, já integra um conjunto de estudos científicos desenvolvidos em parceria com uma universidade federal. Os exames realizados periodicamente no animal são registrados e publicados, com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre a espécie e seus impactos ambientais em diferentes contextos.
Segundo os pesquisadores, a espécie é bastante comum como animal de estimação em outros países, o que pode gerar riscos ambientais quando ocorre a soltura inadequada na natureza. Em locais como os Estados Unidos, por exemplo, a introdução desses animais fora de seu habitat natural já provocou desequilíbrios ecológicos devido à reprodução acelerada e à dificuldade de controle populacional.
“Sim, nós temos uma parceria com a Universidade Federal. Todos os exames que realizamos periodicamente nela são documentados e publicados. Isso ajuda a gerar conhecimento, porque a píton é um animal muito comum como pet no mundo, embora no Brasil isso seja mais restrito. Aqui nós utilizamos esses estudos justamente para gerar informação científica e contribuir para o conhecimento no Brasil”, finaliza Edson.
Como visitar o Bioparque
A visita ao Bioparque Pantanal é gratuita e pode ser realizada de terça-feira a sábado, das 8h30 às 12h e das 13h30 às 17h30. Nos feriados, a visitação ocorre das 8h30 às 14h30. O agendamento deve ser feito exclusivamente pelo site bioparquepantanal.ms.gov.br.
Amanda Ferreira
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