Conselho de Farmácia orienta sobre segurança durante os procedimentos estéticos após fiscalização em clínica famosa

Ação encontrou mais
de 1 mil medicamentos
vencidos, além de
protocolos irregulares  / Fotos: Maria Clara Sousa e Procon-MS
Ação encontrou mais de 1 mil medicamentos vencidos, além de protocolos irregulares / Fotos: Maria Clara Sousa e Procon-MS

 

Diante do cenário visto na Clínica Canela durante fiscalização realizada na quinta-feira (15), onde foram apreendidos mais de mil frascos de medicamentos vencidos, e o aumento de busca por procedimentos estéticos, o CRF-MS (Conselho Regional de Farmácia de Mato Grosso do Sul) alerta para a necessidade de cirurgias e intervenções serem realizadas de forma adequada com as práticas estabelecidas por órgãos de controle, preservando a segurança e saúde dos pacientes.

Ao jornal O Estado, a presidente do CRF-MS, Daniely Proença, afirmou que essa é uma preocupação do órgão, especialmente sobre a responsabilidade técnica dos farmacêuticos que trabalham em estabelecimentos que oferecem esses procedimentos.

“Nós temos observado um aumento muito grande na procura de tratamentos relacionados ao emagrecimento e estética, junto com esse crescimento aumenta também a necessidade de reforçar a segurança do paciente e a responsabilidade técnica sobre o uso desses medicamentos”, disse.

A farmacêutica ainda destacou a necessidade do uso de medicamentos ser feita com acompanhamento adequado e com a recomendação de profissionais habilitados, uma vez que é necessário estabelecer um controle para o uso dos fármacos.

“O Conselho acompanha com atenção algumas situações e, independente de casos específicos, este cenário serve para reforçar um alerta muito importante: o uso de medicamentos sem orientação, a automedicação, indicações feitas por pessoas sem habilitação e o uso de produtos sem controle adequado podem trazer consequências graves”, afirmou.

Durante a fiscalização de quinta-feira, foram encontrados remédios armazenados de maneira incorreta, com fármacos vencidos misturados com o que ainda estavam dentro da validade, o que é uma prática irregular. Daniely reforçou a necessidade de protocolos bem estabelecidos tanto para a armazenagem quanto para a administração de medicamentos.

“Medicamento é algo que exige controle, responsabilidade, armazenamento adequado, acompanhamento técnico e, principalmente, uso seguro. Qualquer falha nesse processo pode representar riscos importantes à saúde da população e ao usuário do medicamento”, pontuou.

Farmacêutica de clínica foi liberada

Presa em flagrante e conduzida para a Decom (Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra as Relações de Consumo), na tarde de quinta, para prestar esclarecimentos, a enfermeira responsável da Clínica Canela disse que ficou “perdida” durante a ação policial. Ela foi liberada após audiência de custódia e está em liberdade provisória.

Foto: Procon-MS

No dia operação, ela teria tentado impedir a entrada das autoridades presentes na sala em que estavam armazenados os mais de 1 mil medicamentos vencidos. No momento, ela teria alegado que os pertences pessoais do médico Jonathas Canela, dono da clínica, estavam no local e apenas ele teria a chave da porta.

Já na delegacia, a profissional confessou que sabia da existência das medicações vencidas, mas que apenas o farmacêutico e o gerente do estabelecimento possuíam a chave. Ela ainda acrescentou que este é seu primeiro emprego como enfermeira e ficou nervosa durante a fiscalização.

A ação foi motivada por uma denúncia da empresa Eli Lilly, que detém a marca comercial de canetas emagrecedoras Mounjaro, uma vez que a clínica fiscalizada usa a tirzepatida em seus tratamentos, embora este seja um princípio ativo patenteado pelo laboratório.

Em relação à esta acusação, a enfermeira disse que o estabelecimento usa doses de tirzepatida manipuladas em um laboratório que não pertence ao Mounjaro, mas não soube informar onde fica o local.

Por outro lado, em nota, a clínica alega que “não fabrica, não manipula, não rotula e não comercializa medicamentos de forma irregular”.

A Polícia Civil afirmou que um inquérito será aberto para investigar a situação. Ainda serão ouvidos sócios, médicos, enfermeiros e outros profissionais que trabalham no local serão ouvidos no decorrer da apuração.

O espaço não foi lacrado, segue aberto e em funcionamento.

 

Por Ana Clara Julião

 

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