Gravações de “Lídia” começam em Campo Grande com participação de Ney Matogrosso

Foto: Elis Regina Nogueira/Divulgação
Foto: Elis Regina Nogueira/Divulgação

Filmagem na Morada dos Baís transforma memória e trajetória da artista em cinebiografia que destaca sua importância para a cultura sul-mato-grossense

As gravações do filme “Lydia”, que retrata a trajetória da artista sul-mato-grossense Lídia Baís, começaram nesta quarta-feira, 13 de maio, em Campo Grande. A produção será realizada na Morada dos Baís, casarão histórico onde a artista viveu parte da infância e que servirá como principal cenário da obra dirigida por Ricardo Câmara. O longa pretende revisitar a vida, a memória e o legado cultural de uma das figuras mais importantes da arte em Mato Grosso do Sul.

Segundo a produção, um dos principais desafios do projeto foi transformar em narrativa cinematográfica a trajetória extensa e multifacetada de Lídia Baís. Conhecida pela atuação nas artes plásticas, música, literatura e pelo envolvimento com o modernismo brasileiro.

Aa artista teve uma vida marcada por intensidade criativa e episódios que atravessam diferentes períodos históricos. A proposta do filme é reunir esses elementos em uma obra centrada na memória afetiva da artista e na relação dela com a própria casa.

Embora o enredo traga referências a cidades como Paris e Rio de Janeiro, toda a construção simbólica do filme acontece dentro da Morada dos Baís. O imóvel funciona como fio condutor da narrativa, conectando lembranças, experiências e passagens importantes da vida da artista. A escolha do espaço busca reforçar o caráter intimista da produção e aproximar o público da dimensão pessoal e artística de Lídia Baís.

A cinebiografia também aborda os desafios enfrentados pela artista em uma época marcada por forte conservadorismo social. Ao longo da vida, Lídia Baís enfrentou preconceitos e dificuldades para ter sua obra reconhecida, mas deixou um importante acervo cultural, com pinturas, composições musicais e escritos autobiográficos. A expectativa da produção é ampliar o reconhecimento nacional sobre a relevância histórica e artística da sul-mato-grossense.

Produção

As gravações do filme “Lídia” tiveram início na Morada dos Baís, em Campo Grande, local que também serve como principal cenário da produção.

A cinebiografia retrata a trajetória da artista Lídia Baís e aposta na própria casa onde ela viveu parte da infância como eixo central da narrativa, explorando memórias, vivências e referências simbólicas que marcaram sua história.

“O processo de produção está começando agora com as gravações, e um dos maiores desafios foi condensar a vida de uma mulher tão ampla e multifacetada. A Lídia foi pintora, compositora, pensadora, filantropa e uma figura importante do modernismo, além de ter convivido com nomes marcantes dessa geração e vivido em Paris. Outro ponto essencial foi construir toda essa narrativa a partir da casa dela, que funciona como um espaço de memória, onde tudo acontece e se conecta”, afirma Ricardo.

Ney Matogrosso

A participação de Ney Matogrosso no filme “Lydia” chamou atenção ainda na fase de pré-produção, quando o projeto começou a reunir seu elenco principal. O convite surgiu durante conversas com o artista, nas quais a equipe apresentou a história de Lídia Baís e o perfil transgressor da artista.

“Quando começamos a desenvolver o roteiro, já tínhamos definido as atrizes para cada fase da Lídia e, ao apresentar a história ao Ney, ele se interessou de imediato pelo caráter da personagem e pela força da trajetória dela”, destaca.

Além de Ney, Ana Brun e Ambrósio Vilhalva estarão no elenco do filme.A proposta de interpretar o Padre Patanê, figura espiritual ligada à protagonista, foi construída ao longo desse diálogo, ganhando força com o interesse do cantor pelo projeto.

“O Padre Patanê é um conselheiro espiritual que traz uma visão mais moderna dentro da narrativa, e a entrada dele no elenco aconteceu de forma muito natural, porque ele entendeu a profundidade do projeto e a importância dessa história para a nossa cultura”, complementa o diretor.

Homenagem a memória

A construção do filme “Lídia” vem sendo desenvolvida a partir de um processo de pesquisa e imersão iniciado ainda durante a pandemia, quando a equipe começou a estruturar o roteiro com base em referências bibliográficas e estudos sobre a vida da artista Lídia Baís.

“Desde o início, a equipe convive com a história da Lídia, e esse trabalho começou a partir de pesquisas e leituras fundamentais para o roteiro. Mas mais do que uma homenagem, o filme nasce da urgência de contar histórias que fazem parte da nossa identidade, assim como a da Lídia e de outras figuras importantes do Estado”.

A produção também dialoga com obras acadêmicas e registros históricos que ajudam a compor a dimensão cultural da protagonista, valorizando sua presença no modernismo e sua importância para a formação artística de Mato Grosso do Sul.

“É uma forma de registrar memórias que muitas vezes ficam esquecidas, mas que ajudam a entender quem somos enquanto sociedade e território cultural”, afirmou o diretor Ricardo Câmara”, diz.

Construção

A construção do filme “Lídia” também reflete, segundo o diretor, um percurso pessoal e coletivo ligado à arte e às memórias culturais de Mato Grosso do Sul. Ele destaca que a obra nasce de um conjunto de experiências acumuladas ao longo da vida e do contato com diferentes expressões artísticas do Estado, que ajudam a compor uma rede de referências fundamentais para a identidade regional.

“A vida é um processo de acúmulo de vivências, e a arte sempre foi um eixo central da minha trajetória. Isso define o que é ser sul-mato-grossense. Tenho muita alegria em contar essas histórias, junto de uma equipe muito talentosa, como o produtor Joel Pizzini, referência estética do filme, a produtora executiva Juliana Domingos e a co-diretora Mariana Villas-Boas, entre tantos outros profissionais que tornam essa obra possível”, finaliza o diretor.

Por Amanda Ferreira

 

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *