Tragédia com menino de 5 anos acende alerta sobre circulação de veículos pesados e riscos para crianças nas ruas

Foto: Roberta Martins
Foto: Roberta Martins

Agetran reforça responsabilidades de motoristas e responsáveis na prevenção de acidentes

A morte do pequeno Riquelme Asaphe Gonçalves do Nascimento, de 5 anos, atropelado por uma carreta enquanto brincava com outras crianças na rua, no Jardim Centro-Oeste, em Campo Grande, reacendeu o alerta sobre os riscos envolvendo veículos pesados em áreas urbanas e os acidentes de trânsito envolvendo crianças. O caso ocorreu na tarde desta terça-feira (12) e, segundo testemunhas, o menino tentou “pegar rabeira” no caminhão antes de cair e ser atingido pelo veículo.

Ao jornal O Estado, o diretor-presidente da Agetran (Agência Municipal de Transporte e Trânsito), Ciro Vieira comentou sobre os riscos envolvendo a circulação de veículos pesados em regiões residenciais e destacou a necessidade de atenção redobrada de motoristas, pedestres e responsáveis por crianças.

Segundo Vieira, carretas possuem mobilidade reduzida no perímetro urbano, ocupam grande espaço nas vias e apresentam maior dificuldade de frenagem em situações de emergência. “Esse tipo de veículo é pesado, ocupa muito espaço e às vezes tem dificuldade para parar em alguma emergência. É um cuidado a mais que todos têm que ter”.

“Nós temos fiscalizado, existe tramitação, uma atualização da regulamentação sobre esse tipo de transporte dentro da cidade, dentro dos limites. É um cuidado a mais que todos têm que ter. Os carreteiros, no trânsito o maior é responsável pelo menor, têm que ter cuidado com as outras pessoas envolvidas no trânsito, dos veículos, das motos e principalmente dos pedestres”, afirmou.

Pontos cegos aumentam riscos

O diretor-presidente também alertou para os chamados “pontos cegos”, áreas de difícil visualização para o motorista, o que aumenta o risco de acidentes envolvendo pedestres, especialmente crianças.

“A visibilidade desse tipo de veículo é mais difícil. Existem pontos cegos e as pessoas precisam ter consciência disso”, explicou.

De acordo com Ciro Vieira Ferreira, os órgãos que integram o GGIT (Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito), entre eles a Agetran, realizam ações educativas em escolas e palestras voltadas tanto para condutores quanto para pedestres, com foco na prevenção de acidentes.

Ele destacou ainda que, embora acidentes desse tipo envolvendo crianças não representem grande volume nas estatísticas, todos os casos graves são analisados individualmente pelo grupo técnico do GGIT para identificar falhas, comportamentos de risco e possíveis melhorias na fiscalização e na engenharia de tráfego.

“Analisamos caso a caso, principalmente os acidentes com mortes ou lesões graves, para direcionar ações de fiscalização, engenharia e educação para o trânsito”.

Orientação é que crianças estejam acompanhadas

A Agetran também reforçou a orientação para que crianças estejam sempre acompanhadas de adultos quando estiverem próximas às vias. “Toda criança, ao se aproximar do trânsito, deve estar acompanhada por um adulto, seja para atravessar a rua ou durante brincadeiras. Os responsáveis precisam estar atentos”.

Segundo o diretor-presidente, motoristas também devem reduzir a velocidade ou até parar ao perceber crianças próximas às ruas para evitar acidentes graves como o registrado nesta semana em Campo Grande.

A orientação é que crianças não utilizem vias públicas como espaço de brincadeiras, principalmente em locais com circulação de caminhões e veículos de grande porte, devido ao risco de sinistros graves. Além disso, a Agência reforçou que a prática conhecida como “pegar rabeira” também representa grave risco e pode causar acidentes fatais. A orientação é que crianças e adolescentes sejam conscientizados sobre os perigos dessa conduta.

Sobre o caso

Segundo o boletim de ocorrência registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol, várias crianças correram em direção à carreta para tentar se segurar no veículo, prática considerada comum na região. Riquelme teria tentado se agarrar ao caminhão no momento em que o motorista fazia a conversão da Rua Jacuaruna para a Rua Castorina Rodrigues da Luz.

Uma vizinha, de 58 anos, relatou à polícia ter visto a criança correndo em direção à carreta antes da queda. Outro menino, de 8 anos, que brincava no local, também confirmou que a vítima tentou “pegar rabeira”. Conforme o registro policial, a criança perdeu o equilíbrio, caiu e acabou atingida pela roda traseira direita do veículo.

O motorista contou que seguia em baixa velocidade e não percebeu a aproximação das crianças porque elas estavam escondidas próximo ao mato na esquina. Ele afirmou ainda que mora na região há mais de 30 anos e que as crianças costumam correr atrás da carreta sempre que ele chega em casa. Segundo o relato, os responsáveis já haviam sido alertados sobre os riscos da brincadeira.

Equipes da URSA (Unidade de Resgate e Serviço Avançado) foram acionadas, mas o médico constatou a morte da criança ainda no local.

O pai do menino, de 32 anos, relatou à polícia que havia deixado o filho brincando em frente de casa junto com outras crianças enquanto tomava banho. Pouco depois, outro filho, de quatro anos, entrou na residência avisando sobre o atropelamento.

O motorista realizou teste do bafômetro, que apontou resultado negativo para consumo de álcool. Ele foi encaminhado à delegacia para prestar esclarecimentos e liberado em seguida.

O caso foi registrado como abandono de incapaz com resultado morte, sinistro de trânsito com vítima fatal provocado pela própria vítima e homicídio culposo na direção de veículo automotor. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do acidente.

Outro caso envolvendo criança

Também nesta terça-feira (12), uma menina de 11 anos ficou gravemente ferida após acidente entre uma motocicleta e um carro no Bairro Nova Campo Grande.

A criança estava na garupa de uma Yamaha Fazer conduzida por um rapaz sem habilitação. Conforme informações apuradas no local, a motocicleta bateu na traseira de um Chevrolet Classic enquanto ambos seguiam no mesmo sentido da Avenida Dois.

Segundo a polícia, o motorista do carro apresentava sinais de embriaguez. O teste do bafômetro apontou 1,32 miligrama de álcool por litro de ar expelido, índice muito acima do permitido pela legislação. Ele foi preso e encaminhado à delegacia.

A menina sofreu traumatismo craniano grave e foi socorrida pela URSA até a Santa Casa. O motociclista também ficou ferido. Os dois veículos foram recolhidos ao pátio por estarem com o licenciamento atrasado.

Por Geane Beserra

 

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