Trabalhador na Capital teve que trabalhar 2,75% a mais em abril, no comparativo a março
Comprar a cesta básica em Campo Grande já compromete 55,15% do salário mínimo líquido. Dados divulgados nesta terça-feira (12), pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), mostram que a Capital tem o quinto maior custo do país entre as 27 capitais pesquisadas.
Em abril, o conjunto de alimentos básicos passou a custar R$ 826,89, alta de 2,60% em relação a março. Campo Grande ficou atrás somente de São Paulo, Cuiabá, Rio de Janeiro e Florianópolis.
A pressão ficou concentrada em produtos do dia a dia. A batata teve a maior alta do mês na Capital. O preço subiu 19,57% entre março e abril. O tomate aumentou 11,89% e o leite integral, 8,78%.
O feijão carioca avançou 3,14% no mês, mas o peso maior aparece no acumulado de um ano: 34,50% de aumento. É uma das maiores altas do país para o produto.
Outros itens também ficaram mais caros em abril, como óleo de soja (3,64%), arroz (3,02%), manteiga (1,98%), carne bovina (1,32%), café em pó (0,80%) e pão francês (0,50%). Parte da cesta teve queda. O açúcar cristal recuou 3,88%, a banana caiu 3,07% e a farinha de trigo, 0,90%.
Um trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar 112 horas e 13 minutos para comprar a cesta básica em Campo Grande. Em março, eram 109 horas e 23 minutos. Na prática, isso significa que 55,15% do salário mínimo líquido ficou comprometido apenas com alimentação básica.
No acumulado de 2026, a cesta já subiu 6,57% na Capital. O tomate lidera as altas no ano, com avanço de 58,72%. Em seguida aparecem feijão carioca (35,69%) e batata (22,79%).
Apesar das altas recentes, alguns produtos acumulam queda em 12 meses. O arroz ficou 27,69% mais barato, o açúcar caiu 22,03% e o tomate recuou 14,86% no período.
Justificativa do aumento no prato
Segundo o Dieese, a alta da batata está ligada ao fim da safra, que reduziu a oferta do produto. O leite foi pressionado pela entressafra no campo. Já o feijão teve preços sustentados pela demanda.
No país, a cesta mais cara foi registrada em São Paulo, onde o custo chegou a R$ 906,14. Com base nesse valor, o Dieese estima que o salário mínimo necessário para sustentar uma família de quatro pessoas deveria ser de R$ 7.612,49.

Abril: inflação na Capital
O índice que mede os preços ao consumidor amplo, também divulgado ontem (12) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), confirmou um cenário que o campo-grandense já vem sentindo no bolso há um tempo:alta dos combustíveis, alimentos e remédios.
O IPCA de Campo Grande foi de 1,02% em abril, 0,09 ponto percentual (p.p.) acima do registrado em março (0,93%). O acumulado do ano é de 2,63% e, nos últimos doze meses, o índice ficou em 3,08%.
Em Campo Grande, dos nove grupos pesquisados, oito apresentaram alta em abril. A maior variação e impacto foram registrados no grupo Alimentação e bebidas (1,86%), seguido por Saúde e cuidados pessoais (1,08%). O grupo Transportes também teve destaque, com variação de 1,04% e impacto de 0,23 p.p. Os demais grupos apresentaram variações abaixo de 1,00%.
Com influência direta dos combustíveis, o grupo Transportes tem aumento de 1,04% e segundo maior impacto do mês. O grupo Transportes registrou aumento (1,04%). O maior aumento foi do ônibus intermunicipal (7,27%), seguido do óleo diesel (3,42%) e da gasolina (3,09%). Já o maior impacto positivo veio da gasolina (0,24 p.p.). Entre as quedas, ganham destaque passagem aérea (-14,73%) e automóvel usado (-1,28%).
“Alguns alimentos, de forma geral, apresentam uma restrição de oferta, o que provoca um aumento no nível de preços. No caso do leite, com a chegada do clima mais seco, sazonal no período, há redução de pasto, necessitando da inclusão de ração para os animais, o que eleva os custos. Não podemos deixar de mencionar a elevação no preço dos combustíveis, que afeta o preço final dos alimentos por conta do custo do frete”, explicou o gerente do IPCA, José Fernando Gonçalves.
Por Djeneffer Cordoba
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