Mato Grosso do Sul reduziu em 85,9% os focos de calor e em 89,3% a área queimada em 2025
O monitoramento em tempo real passou a ser a principal estratégia de prevenção aos incêndios florestais em Mato Grosso do Sul. Um modelo de “big brother” das florestas, com cerca de 200 torres de vigilância, câmeras e sistemas com inteligência artificial, reforça a estrutura montada pelo setor florestal para evitar novos incêndios de grandes proporções.
As medidas foram apresentadas nesta terça-feira (12), durante o lançamento da 14ª Campanha de Prevenção e Combate a Incêndios Florestais, em Campo Grande. Com o tema “Fogo Zero. Futuro Verde!”, a iniciativa reúne Sistema Famasul, Reflore/MS, Governo do Estado, Corpo de Bombeiros Militar e Ibama/MS.
Segundo dados do Boletim de Monitoramento dos Incêndios Florestais, do Cemtec/Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Mato Grosso do Sul registrou queda de 85,9% nos focos de calor em 2025, na comparação com 2024. Já a área atingida pelo fogo caiu 89,3%, passando de mais de dois milhões para 213 mil hectares.
Segundo o presidente da Reflore/MS, Junior Ramires, o monitoramento por imagens se tornou a principal ferramenta no combate preventivo ao fogo. “Hoje nós temos um ‘big brother’ das florestas. A principal ferramenta em que o setor investe são as imagens e as torres de vigilância”, afirmou.
De acordo com o presidente, o avanço das áreas de florestas plantadas aumentou a necessidade de investimento em tecnologia e vigilância permanente. “As novidades que a gente traz é que nós temos uma área maior. Então nós temos mais para cuidar e mais preocupações a serem trazidas para a gente. No ponto de vista da tecnologia a gente sempre vem investindo, todo setor investe muito”.
Atualmente, o setor utiliza cerca de 200 câmeras instaladas em áreas estratégicas da região leste do Estado, com sistemas capazes de identificar automaticamente fumaça e focos de incêndio por meio de inteligência artificial.
“As tecnologias de imagem e as IAs têm sido aplicadas para a detecção automática dos incêndios, para saber o que é fumaça, poeira ou nuvem”, explicou.
Segundo Ramires, os sistemas aceleram a identificação de ocorrências e o acionamento das equipes de combate. Cada equipamento de monitoramento custa, em média, R$250 mil.
O presidente da Reflore/MS destacou ainda que o setor mantém aeronaves compartilhadas para apoio durante o período crítico da estiagem e que cerca de 90% dos incêndios combatidos pelas empresas começam fora das áreas florestais. “Os incêndios acontecem em áreas rurais, municípios, beiras de estrada e linhas de transmissão. A gente combate para que esse fogo não chegue às florestas”.
Segundo ele, o trabalho entre empresas ocorre de forma integrada, com compartilhamento de informações e tecnologias. “O fogo não respeita fronteira ou cerca”, ressaltou.
A campanha também prevê ações de conscientização em municípios e escolas da região. Segundo Ramires, a proposta é ampliar o debate sobre prevenção e levar informações para crianças e comunidades próximas das áreas florestais por meio do mascote “Reflorito”.
O diretor-tesoureiro da Famasul, Frederico Stella, destacou que o trabalho preventivo envolve capacitação de produtores rurais e brigadistas em diferentes regiões do Estado. Segundo ele, mais de 350 cursos de manejo, prevenção e combate a incêndios florestais já foram realizados pelo Senar/MS, alcançando quase 4 mil pessoas. “Quase 4 mil pessoas receberam algum tipo de conhecimento e treinamento sobre como se comportar nesses momentos”, afirmou.
Stella também destacou ações do PSA Pantanal voltadas à criação de brigadas florestais em propriedades rurais do bioma pantaneiro e anunciou a implantação de um centro de capacitação em Corumbá para cursos ligados à prevenção e combate ao fogo. “Vamos construir um centro com escola para levar cursos de prevenção e combate aos incêndios florestais”.
O tenente-coronel do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul, Leonardo Congro, afirmou que as equipes já atuam em ações preventivas em diferentes regiões do Estado, incluindo Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica. Segundo ele, o trabalho envolve formação de brigadistas, deslocamento de militares e preparação de estruturas para resposta rápida aos incêndios florestais.
“Já formamos cerca de 120 brigadistas para uma primeira resposta, mas ainda nós já temos os aviões de Air Tractor que estão a postos, são dois que manutenidos em condições, não foram utilizados ainda, mas se precisar serão. Nós temos também a possibilidade de montar bases, porque hoje a maioria do incêndio florestal no Estado de Mato Grosso do Sul é na região pantaneira”.
Congro destacou ainda que o Corpo de Bombeiros realiza ações de manejo integrado do fogo no Pantanal, incluindo queimadas prescritas em áreas estratégicas para reduzir biomassa e evitar incêndios de grandes proporções durante o período de seca. “Já realizamos queimas em cerca de 800 hectares para evitar que, na seca, isso se transforme em um grande incêndio florestal”.
Segundo ele, o Estado também prepara a instalação de 11 bases avançadas no Pantanal, além de 15 equipes regionais de combate a incêndios florestais distribuídas em diferentes regiões de Mato Grosso do Sul.
O secretário-executivo de Desenvolvimento Econômico Sustentável da Semadesc, Rogério Thomitão Beretta, destacou que o combate aos incêndios florestais avançou nos últimos anos com investimentos em tecnologia, equipamentos e integração entre órgãos públicos, produtores rurais e empresas do setor florestal.
O Estado também ampliou a estrutura de apoio ao Corpo de Bombeiros, com aquisição de aeronaves e implantação de novos centros operacionais. “Teve uma evolução muito grande nessa questão de combate a incêndio, principalmente com tecnologia. Vamos montar um centro de combate a incêndio no aeroporto ali próximo de água clara”.
Por Geane Beserra