Boom gastronômico: faturamento de restaurantes em Campo Grande pode superar 2025 em até 30% no Dia das Mães

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

E o uso de medicamentos para emagrecer tem efeito nesta data? Donos de estabelecimentos avaliam o cenário

O movimento esperado para o Dia das Mães, neste domingo (10), não deixa espaço para dúvida entre empresários de restaurantes em Campo Grande. A projeção é de casa cheia no almoço, com giro de mesas e aumento de faturamento em relação ao ano passado.

Na Churrascaria Capital, a operação será sem reservas. A casa abre às 10h30 e trabalha com capacidade para 160 pessoas por vez. A estimativa do proprietário, Silvio Rodrigues, é repetir a ocupação ao longo do serviço. Ele não identifica queda no fluxo. O que mudou, segundo ele, é a forma de consumir.

“Alguns comem menos, escolhem carne mais magra, colocam mais salada. Mas continuam vindo”, afirma. O ajuste aparece no pedido, não na decisão de sair de casa, segundo o proprietário.

No Nativas Grill, o planejamento também considera lotação ao longo do almoço. A casa projeta atender cerca de 350 clientes e estima crescimento de 20% no faturamento frente a 2025. O gerente Walderedo Alves afirma que a mudança no padrão de consumo já é observada fora das datas comemorativas e se mantém neste período.

Ele cita queda no consumo de frituras e bebidas alcoólicas, além de maior procura por saladas e opções mais leves. A resposta do restaurante foi adaptar o cardápio e a comunicação com o cliente. Ainda assim, a data sustenta o desempenho. “O movimento se mantém”, diz.

Em outro perfil de operação, o Augusto’s Restaurante não identifica impacto direto desse comportamento no fluxo. Para o proprietário, o fator central segue sendo a renda. “O que pesa é o poder de compra”, afirma.

O restaurante trabalha com cerca de 150 lugares e deve operar com giro de mesas ao longo de todo o domingo. A expectativa é de crescimento de aproximadamente 30% no faturamento, com base em divulgação e em uma clientela que retorna em datas específicas. Segundo ele, o movimento acompanha o calendário de pagamento das famílias, com maior intensidade no início do mês.

A discussão sobre mudança no consumo ganhou força com a difusão de medicamentos voltados à perda de peso. Pesquisa da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Campo Grande aponta que 32% dos entrevistados relatam que mães estão em tratamento de saúde ou obesidade, sendo 24% com uso de medicação. O levantamento sugere que esse cenário pode reduzir o consumo em bares e restaurantes.

A leitura do setor não confirma esse efeito na principal data do calendário. A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) em Mato Grosso do Sul afirma que o uso desses medicamentos já aparece como fator de mudança no consumo, identificado por 61% dos estabelecimentos.

Ainda assim, a entidade não projeta impacto no movimento do Dia das Mães. “As famílias mantêm o hábito de sair para almoçar fora. É uma forma de comemoração”, afirma o presidente da Abrasel no Estado, João Francisco Denardi.

Fora dos restaurantes, os dados indicam um consumidor mais contido. Levantamento do Procon Municipal com 446 pessoas mostra que 92% perceberam aumento nos preços dos presentes neste ano. Ainda assim, 68,8% pretendem comprar, em geral dentro de faixas mais baixas de gasto. Metade planeja desembolsar entre R$ 100 e R$ 200.

A estratégia tem sido ajustar a compra. Dois terços afirmam que irão pesquisar preços antes de decidir, mantendo a qualidade como principal critério, citada por 27,4%, à frente do preço.

Por Djeneffer Cordoba

 

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