Gestor mantém previsão de reabertura do Morenão para 2027

Sem partidas desde tempos da pandemia, Morenão hoje é ‘mato’ - Foto: Nilson Figueiredo
Sem partidas desde tempos da pandemia, Morenão hoje é ‘mato’ - Foto: Nilson Figueiredo

Um mês após cessão, gestão trabalha para manter previsão de reabertura gradual

Nesta sexta-feira (1), se completa exatamente um mês da assinatura do termo de cessão do Estádio Pedro Pedrossian, o Morenão, ao governo estadual. E o balanço da nova gestão aponta para um período com foco na preparação das obras e na reorganização estrutural do espaço. Embora ainda sem intervenções de grande impacto visível, o estádio já passa por movimentações consideradas essenciais para viabilizar a reforma estimada em R$ 16,7 milhões e a futura reabertura.

Estádio já recebe ações para receber grande reforma – Foto Nilson Figueiredo

Fechado desde 2022 e sem receber jogos oficiais há quase quatro anos, o Morenão entrou oficialmente na gestão estadual dia 1º de abril, em cerimônia na Governadoria. Desde então, segundo o gestor geral do estádio, André Luiz Chita, o trabalho se concentrou na parte técnica e administrativa, etapa considerada fundamental para destravar o cronograma.

“Com a assinatura do termo de cessão, recebemos oficialmente a unidade e iniciamos as tratativas legais para as licitações das empreiteiras que vão executar as reformas. Nesses 30 dias, já nos movimentamos para que, o quanto antes, possamos ter as empresas contempladas e iniciar as obras”, afirmou em entrevista ao O Estado, quarta-feira (29).

Mesmo em fase inicial — definida pelo próprio gestor como “estágio zero” —, o projeto carrega a expectativa de um impacto que vai além do esporte. A reativação do Morenão é vista como vetor de desenvolvimento econômico, envolvendo setores como comércio, turismo e serviços.

“É um compromisso firmado pelo Governo do Estado. Assinamos um documento e vamos cumprir. Tenho certeza de que em janeiro teremos o estádio apto para eventos esportivos e culturais, dentro das devidas proporções”, garantiu Chita.

Ao completar seu primeiro mês sob nova gestão, o Morenão ainda não apresenta mudanças visíveis ao público. Mas já avança nos bastidores para sair do abandono e retomar, gradualmente, seu papel como principal palco esportivo de Mato Grosso do Sul.

 

Diagnóstico e primeiros passos

Nesse primeiro mês, o diagnóstico da estrutura confirmou o cenário de deterioração já esperado após anos de inatividade. Áreas comprometidas, mato alto no gramado e espaços internos sem condições de uso fazem parte do panorama encontrado pela equipe técnica.

Gestor do estádio, André Chita, em entrevista a O Estado – Foto: Nilson Figueiredo

“Como o estádio estava em desuso, é natural encontrar muitas situações deterioradas, até impraticáveis para circulação”, explicou Chita.

Apesar disso, ações já começaram a ser executadas, ainda que de forma pontual. Entre elas, estão o controle do mato no campo, pequenas intervenções em salas administrativas e o início da preparação de espaços para receber departamentos da Fundesporte (Fundação Estadual de Desporto e Lazer). A ideia é dar vida ao estádio mesmo antes da liberação total.

Outro avanço foi o lançamento das licitações para obras nas áreas elétrica, hidráulica, estrutural e de segurança — consideradas prioritárias para garantir condições mínimas de funcionamento. A expectativa é que as empresas responsáveis sejam definidas nos próximos meses.

 

Cronograma e expectativa de reabertura

Embora haja pressão por uma reabertura rápida, a gestão adota cautela em relação aos prazos. “Não quero criar falsa expectativa de que em 90 dias ou até o fim do ano estará apto para eventos. É muito difícil”, ponderou Chita. “A projeção é entregar em janeiro de 2027. Se tudo evoluir bem, talvez em outubro possamos ter alguma sinalização de uso”, acrescenta.

O cronograma prevê que obras emergenciais sejam executadas ao longo de 2026, etapa considerada indispensável para obtenção dos laudos técnicos que autorizam a realização de eventos. Paralelamente, será elaborado o estudo de viabilidade para uma futura concessão à iniciativa privada, modelo que deve garantir a modernização completa do complexo.

 

Investimento e parcerias

O investimento inicial de R$ 16,7 milhões foi definido com base em estudos técnicos multidisciplinares e, segundo a gestão, deve ser suficiente para a primeira fase de recuperação do estádio.

“A princípio, é um recurso suficiente para dar um início, melhorar a aparência e permitir receber alguns eventos nesse retorno inicial”, explicou Chita.

Um dos pontos estratégicos do projeto é o gramado, que contará com apoio da FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) e da CBF (Confederação Brasileira de Futebol). A parceria prevê melhorias estruturais, incluindo sistema de irrigação e adequações no entorno do campo.

A UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), antiga responsável pelo estádio, segue atuando de forma colaborativa no processo de transição. A instituição ainda realiza a retirada de materiais das áreas internas — pelo menos 30 caminhões já foram mobilizados — e mantém apoio temporário em serviços de segurança e limpeza.

 

Novo modelo e visão de futuro

Além da recuperação estrutural, o projeto do Morenão mira um reposicionamento do estádio como arena multiuso, capaz de receber não apenas partidas de futebol, mas também eventos culturais e shows.

“O modelo segue o que já acontece no Brasil e no exterior. A ideia é uma arena multiuso, não apenas futebol. Inclusive, costumo dizer que arena multiuso ‘tem até futebol’”, afirmou o gestor.

A proposta está alinhada à estratégia do governo, que vê no Morenão uma peça-chave para a retomada do esporte e o fortalecimento da economia local. A expectativa é que, além de atender clubes da capital e do interior, o estádio volte a receber eventos de maior porte e até equipes de fora do Estado.

Inicialmente, a capacidade de público deve ser reduzida, com estimativa em torno de 12 mil pessoas, até que novas etapas de modernização sejam implementadas.

Por Ricardo Prado

 

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