Em meio ao avanço da chikungunya em Mato Grosso do Sul, o secretário estadual de Saúde, Maurício Simões, afirmou nesta segunda-feira (27) que o Estado aguarda o envio de novas doses de vacina por parte do Ministério da Saúde. Atualmente, a imunização já foi iniciada nos municípios de Itaporã e Dourados.
A declaração foi dada durante evento em Campo Grande. Segundo o secretário, a ampliação da vacinação depende do repasse federal. “As vacinas estão sendo fornecidas pelo Ministério da Saúde, então dependemos dessa oferta e também da adesão do público”, afirmou.
Apesar do cenário de alta nos casos, Simões demonstrou cautela ao avaliar o momento da epidemia. Segundo ele, há indícios de que o crescimento acelerado possa estar se estabilizando, embora o Estado ainda enfrente o pico da doença. “Acho que o pior da curva crescente já passou, mas os cuidados precisam continuar”, disse.
Casos disparam em 2026
Dados recentes apontam que Mato Grosso do Sul já registra cerca de 7,5 mil casos de chikungunya em 2026, entre confirmados e suspeitos. O número representa mais da metade (54,3%) de todos os registros feitos ao longo de 2025, evidenciando a rápida disseminação da doença em menos de quatro meses.
O cenário atual supera, inclusive, o histórico da última década. Entre 2015 e 2024, o Estado contabilizou pouco mais de 7,1 mil casos, número inferior ao registrado apenas neste início de ano. A epidemia já atinge 18 municípios.
As mortes também preocupam. Até abril, 13 óbitos foram confirmados, o equivalente a 70,6% de todas as mortes registradas em 2025. As vítimas estão concentradas principalmente em Dourados, além de casos em Jardim, Bonito e Fátima do Sul.
Estado lidera incidência no país
Mato Grosso do Sul aparece como o estado com maior incidência de chikungunya no Brasil em 2026. São 259,4 casos por 100 mil habitantes, índice mais de 17 vezes superior à média nacional.
Além disso, o Estado concentra 63% das mortes registradas no país neste ano, reforçando a gravidade do cenário epidemiológico.
A chikungunya é uma arbovirose transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue e do zika vírus. A doença provoca febre alta e dores intensas nas articulações, que podem persistir por semanas ou até se tornar crônicas.
Em casos mais graves, há risco de complicações neurológicas, cardiovasculares e até morte, especialmente em idosos, bebês e pessoas com comorbidades.
Diante de sintomas, a orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico. O diagnóstico e tratamento estão disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Enquanto isso, o Estado segue em alerta, aguardando novas remessas de vacinas para ampliar a proteção da população.
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram
Leia mais
Dourados inicia vacinação contra chikungunya em meio a cenário crítico da doença