O deputado é pré-candidato do PT ao Senado e foi um dos principais responsáveis por investimento bilionário firmado com o governo estadual e o Banco Internacional
Vander Loubet (PT) é deputado federal neste ano irá concorrer a um cargo no Senado por Mato Grosso do Sul. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado, o pré-candidato comenta sobre pretensões políticas e como planeja fortalecer o governo do presidente Lula (PT) na Câmara Alta e promete levar e defender os interesses do sul-mato-grossense.
Com mais de 20 anos de vida política e somando seis mandatos como deputado federal pelo Estado, é a aposta do PT para garantir uma cadeira no Senado, além de ser um pivô nas negociações estaduais com o Governo Federal.
Sendo um dos nomes mais importantes na negociação que garantiu mais de R$ 1 bilhão para Mato Grosso do Sul, com o aval federal, Vander destaca a visão estadista de Lula “de não deixar a disputa eleitoral interferir, sem cobrar apoio partidário”, conta em entrevista.
Oriundo dos movimentos sociais, Vander é um forte defensor da causa trabalhista e do diálogo entre diversos setores sociais, garantindo o desenvolvimento econômico, social e sustentável do Estado. Acredita que o seu trabalho em movimentos sociais foi responsável por entender a importância do diálogo e da negociação para a asseguração de direitos. “Eu sou um deputado muito aberto ao diálogo, mas nunca votei em nada que tirasse direitos ou que interferisse na vida daqueles que mais precisam ser protegidos”. Confira a entrevista completa:
O Estado – Caso seja eleito, qual será a sua posição em pautas sensíveis como o marco temporal e flexibilização de licenciamentos ambientais que impactam diretamente o setor produtivo do Estado?
Vander – Essas pautas devem ser debatidas e vai ser muito oportuno como senador, até por ser um deputado do Centro-Oeste, onde este tema está muito emergente. Em nossa posição, acredito que devemos mediar um entendimento que priorize a sustentabilidade e que ouçamos todos os setores, como nós fizemos com a lei ambiental aqui do Estado. Por isso a importância dessa experiência que eu tenho, de 24 anos de mandato, o compromisso que as pessoas sabem que eu tenho com o desenvolvimento econômico, mas de maneira sustentável e preservando o meio ambiente. Nós vamos encontrar uma saída, não tenho dúvida, numa posição que garanta a sustentabilidade, a preservação ambiental, mas que também garanta a produção dos nossos produtos e da questão d’água.
O Estado – Então você acha que essa articulação entre diversos setores vai garantir o desenvolvimento?
Vander – O entendimento é a saída. Acho que tem que ter um equilíbrio, e isso é a sustentabilidade. Tenho falado muito, dialogado, debatido, conversado muito com setores produtivos. Hoje o mundo todo está de olho na questão ambiental, na sustentabilidade; o mundo todo está de olho nas questões dessa pauta indigenista, e esse setor tem que ser inserido no debate, e o Legislativo é o espaço que permite isso. Trazer as posições para o debate e depois acordar dentro da média daquilo que é possível fazer. E claro, todos sabem das minhas posições políticas, mas que eu sou uma pessoa do diálogo e que sempre busco consenso.
O Estado – O Senado agora tem papel estratégico na Federação, inclusive na distribuição de recursos e articulação do Governo Federal com o Estado. Como o senhor pretende garantir que o Mato Grosso do Sul não seja prejudicado por alinhamentos políticos e considerando eventuais divergências entre o Estado e o Planalto?
Vander – O maior exemplo foi a assinatura do empréstimo de R$ 1,2 bilhão do Governo do Estado com o Banco Mundial, no modelo Crema de recuperação e manutenção das rodovias por 10 anos, beneficiando 20 municípios do Vale do Ivinhema. Intermediamos isso com o presidente Lula, que deu o aval do Governo Federal e já foi votado no Senado. Isso mostra a visão de estadista de Lula de não deixar a disputa eleitoral interferir, sem cobrar apoio partidário. Ele respeita o pacto federativo e sabe que governador, prefeito e presidente representam seu povo. Como senador, terei a experiência e autoridade para separar política de investimentos, garantindo que as comunidades não sejam prejudicadas.
O Estado – O senhor articulou junto ao governo federal esse empréstimo de R$ 1 bilhão; qual foi o principal argumento para garantir o aval e quais contrapartidas o Estado precisou apresentar?
Vander – Eu atuei direto nessa articulação em Brasília para que esse processo ganhasse velocidade e fosse tratado como prioridade nos ministérios. O meu argumento principal foi técnico: mostrei que investir nas nossas rodovias melhora a vida de quem produz e de quem viaja, baixando o custo das coisas e gerando emprego. Para o Governo Federal dar o aval, o Estado teve que cumprir as exigências da lei, apresentando um projeto com viabilidade técnica e provando que as contas públicas suportariam o pagamento. Foi uma articulação nossa para garantir que esse recurso não ficasse travado na burocracia e chegasse para melhorar as nossas estradas, aproveitando esse momento em que Brasília está de portas abertas para o Mato Grosso do Sul.
Agora, a partir da licitação, a empresa ou consórcio que ganhar fará o plano de aplicação desses investimentos e aí esse recurso vai sendo liberado na medida em que a obra vai sendo executada. A empresa recebe a verba à medida que for executando a obra, inclusive nos 10 anos de manutenção desse contrato.
Acredito que o inteligente é a manutenção, porque nós vamos ficar 10 anos e o contrato exige que, se ocorrer problema nesses 10 anos, é obrigada a fazer a manutenção e é custo dela, por isso ela tem que fazer um bom serviço. É um modelo ainda novo que o Banco Mundial faz em vários países e já temos uma experiência extremamente positiva a nível nacional.
O Estado – Sobre a volta do PT ao governo federal em 2023, o governo teve uma retomada de investimentos públicos. No Mato Grosso do Sul, qual o efeito concreto disso na vida dos municípios e da população?
Vander – Primeiro, em todas as áreas tem grandes investimentos. O presidente Lula retomou o PAC, que é o Programa de Aceleração do Crescimento. Hoje um dos grandes investimentos aqui é a retomada do Minha Casa Minha Vida. O programa foi paralisado depois do governo Dilma por um bom período. Nos dois anos do Temer e nos quatro do Bolsonaro, foram feitas 300 casas aqui no Estado, mas agora estamos com mais de 10 mil habitações executadas. É um grande programa que gera emprego e proporciona às pessoas um dos seus maiores sonhos, garante a cidadania. O programa tem utilizado muito a parceria com os governos do Estado e com as prefeituras, em que a prefeitura entra com o terreno, o Estado às vezes entra com um bônus, e a Caixa Econômica entra com os recursos.
Na saúde, há investimentos em hospitais, unidades básicas e redução de filas para exames e cirurgias. Na educação, ampliação de escolas pelo FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação), dois novos institutos federais e retomada dos recursos para universidades.
Na infraestrutura, o governo Lula delegou ao Estado a concessão das BR-262, que vai de Três Lagoas a Campo Grande, e BR-267, entre Bataguassu e Nova Alvorada, somadas à BR-040, num investimento de R$ 12 bilhões. O presidente também autorizou a recuperação da rodovia de Porto Murtinho a Alto Caracol e o acesso à ponte de Itaipu com R$ 500 milhões para o corredor bioceânico, sonho de 30 anos. Outra rodovia estratégica ligará Anastácio a Rio Verde, com entrega prevista para o ano que vem.
O PAC também destinou mais de R$ 200 milhões à agricultura familiar no Estado, incluindo assistência técnica e agroindústrias. O diferencial é a visão republicana de Lula; mesmo em cenário de polarização, ele não condiciona investimentos a alinhamento político. Os recursos chegam para saúde, educação, infraestrutura e cultura.
O Estado – A sua trajetória passa muito pelos movimentos sociais e pela sua realidade. Como você acha que isso influencia na sua visão sobre o papel do Estado e a atuação do Congresso?
Vander – Comecei a minha militância no Movimento Estudantil, depois fui no Movimento Sindical. Essa luta sindical nos dá muita capacidade de negociação e isso contribuiu muito com a minha formação e me ajudou a intermediar conflitos, a ter posição política em cima daquelas pautas na defesa dos trabalhadores. Eu sou um deputado muito aberto ao diálogo, mas nunca votei em nada que tirasse direitos ou que interferisse na vida daqueles que mais precisam ser protegidos.
Sempre busquei intermediar conflitos. Por exemplo, há mais de 28 anos, na fazenda de Antônio João (onde mataram Marçal de Souza), havia um conflito com mais de 6 mil indígenas e uma família de boa-fé com escritura. Numa viagem, falei ao presidente Lula sobre o caso. Ele propôs a compra da fazenda em parceria com o Estado e entregou às famílias, resolvendo a demanda de três gerações. Acredito que meu perfil, como o de Lula, tem essa sensibilidade para intermediar conflitos.
O Estado – A Câmara dilui a atuação entre muitos deputados, enquanto o Senado concentra mais poder. O que muda, na prática, para Mato Grosso do Sul nessa dinâmica?
Vander – Uma coisa é você ser um no meio de 513 deputados e outra coisa é um entre 81 senadores. E essa experiência como deputado vai contribuir muito. E claro, isso também vai permitir poder debater grandes temas e grandes projetos, estruturas importantes que passam pelo Senado. Isso vai facilitar a desefa dos interesses de Mato Grosso do Sul e ainda ajudar o presidente Lula na Casa.
O Senado, como casa revisora, é responsável por pautas importantes como a regulamentação das agências reguladoras, a indicação e a escolha de ministros do Supremo. Minha experiência como deputado federal, ao longo de seis mandatos, me ajudará a reduzir os conflitos e a polarização nessas discussões. Como senador, poderei dar mais tranquilidade ao presidente Lula, ajudando a construir uma base sólida para o governo no Senado, casa onde hoje ele encontra mais dificuldades do que na Câmara. Estou maduro para cumprir esse papel e tenho certeza de que defenderei bem os interesses do nosso Estado nos temas mais polêmicos, administrando os conflitos com maturidade e experiência.
O Estado – Muitas vezes as obras chegam, mas a população não sabe a origem dos recursos. O que já dá para apontar como resultado concreto da presença do governo federal no estado?
Vander – É verdade, às vezes a obra aparece, mas ninguém avisa que o recurso veio lá do governo federal. Mas, quando a gente olha os números, fica provado que o Governo Federal nunca investiu tanto em MS como agora. Além das 10 mil casas que eu citei, tem muito investimento do novo PAC em infraestrutura urbana e postos de saúde. Grande parte do que está sendo feito nos municípios hoje vem de repasses federais e das emendas que a gente articula em Brasília. Por isso, eu faço questão de dar transparência: é o dinheiro federal que está garantindo que a política pública funcione e chegue na ponta para quem mais precisa, com um volume de recursos que supera qualquer outro período da nossa história. Isso tem um lado bom, porque democratiza e é uma forma de os parlamentares que representam o povo levarem esses recursos para projetos importantes que às vezes o governo não chega até lá.
O Estado – Muitos parlamentares anunciam recursos, mas nem sempre acompanham. Qual a diferença, na prática, entre anunciar investimento e garantir política pública? Como o senhor faz isso?
Vander – Tem uma diferença enorme entre prometer e entregar o serviço pronto. Ao longo dos meus seis mandatos, eu ajudei a trazer mais de R$ 5 bilhões em investimentos para o Mato Grosso do Sul. E tenho orgulho de dizer que todos os 79 municípios receberam recursos do meu mandato. Mas o meu diferencial é que eu não só anuncio; eu acompanho. Tenho uma equipe técnica que fiscaliza cada projeto, acompanha a obra e cobra resultado. Como o Governo Federal está investindo como nunca no nosso estado, o trabalho de fiscalização e acompanhamento tem que ser ainda mais rigoroso para garantir que cada centavo desse volume histórico de recursos seja bem aplicado em benefício do povo. Com muito orgulho, sou um dos deputados que mais investimentos consegue entregar no resultado final, que é na entrega. E isso é uma prioridade pela qual trabalho muito.
O Estado – Em um cenário de polarização política, qual é o seu compromisso com a entrega dos resultados ao eleitor?
Vander – O Brasil está polarizado e dividido. Quero cumprir o papel de buscar o equilíbrio. Sei que não é fácil, mas acredito que é possível. Hoje, 90% do eleitorado já está decidido de um lado ou de outro, e os 10% restantes estarão em disputa. Teremos que ter capacidade de conquistar esses eleitores. O presidente Lula e o nosso governo têm buscado isso. Gestos republicanos, como vimos na questão do empréstimo, ajudam a quebrar a polarização. Uma pessoa pode dizer que não gosta do presidente Lula, da política dele e do que ele defende. Ela tem todo o direito de fazer oposição. Mas isso não pode servir para fomentar o ódio, nem para deixar de respeitar ou reconhecer o que está sendo feito. A democracia é isso. Temos que aprender cada vez mais com ela; não há outro modelo. Ainda estamos muito polarizados, mas bem menos do que estávamos há quatro anos.
O Estado – Como o senhor vê a importância da coerência política em sua trajetória e no atendimento das demandas do Estado?
Vander – Eu sempre segui uma linha de coerência. Todo mundo sabe o que eu defendo e de que lado eu estou: o lado dos trabalhadores. Isso nunca me impediu de conversar com ninguém. Na política, a gente tem que saber construir pontes e encontrar soluções, mesmo com quem pensa diferente. Ter coerência é o que dá respeito e confiança para a gente continuar trabalhando e sendo ouvido. Acho que a polarização acaba cegando. Ultimamente, no Brasil, nós tínhamos essa cultura de respeito, de pensar diferente, mas conviver. Hoje tem uma mudança muito grande nesse tipo de relação. A pessoa pensa diferente, acha que é inimiga. Eu, pelo menos, não é minha cultura, não é minha prática. Tanto é que os meus mandatos, independentemente se o prefeito é do partido A, B, C ou D, eu recebo. Minha assessoria tem orientação para receber da mesma forma, até porque eles foram eleitos pelo voto popular. Se somos democráticos, temos que respeitar. Eu trato, encaminho e viabilizo os investimentos para os municípios, independentemente de que partido seja o prefeito ou vereador que me procura.
O Estado – Após esses seis mandatos, o que diferencia um parlamentar que só ocupa o cargo de um que realmente entrega resultados ao Estado?
Vander – Cada um tem seu estilo. Estou no sexto mandato, com a mesma intensidade do primeiro. Para mim, o mandato tem um tripé: um como legislador, com os projetos e votações; segundo, é diálogo com movimentos sociais, independentemente se é dos trabalhadores, do agro, empresários; e o último é o fortalecimento do partido. Sou o único deputado com seis mandatos no mesmo partido, porque não mudo quando o partido está mal. Não faço outra coisa além do mandato. Dedico-me integralmente há 24 anos. Agora, quero ser senador. Historicamente, desde 94, o presidente eleito sempre elegeu um senador quando se renovam duas vagas. Fernando Henrique elegeu Rames Tebet; Lula elegeu Delcídio; Dilma reelegeu Delcídio; Bolsonaro elegeu Soraya. Espero que esse ciclo não se quebre agora.
O Estado – Com projetos como a Rota Bioceânica, qual deve ser o papel de Mato Grosso do Sul?
Vander – Nasci em Porto Murtinho e me dedico à rota bioceânica desde jovem. Sonhamos com isso há mais de 40 anos e éramos chamados de loucos. A concretização física sai até o final do ano, mas depois virá a integração cultural, legislativa, gastronômica e turística. No meu mandato, fiz com universidades um estudo para integrar à rota as pessoas que vivem ali há décadas, para que não venham de fora e se apropriem de tudo. Agora é consolidar, qualificar mão de obra local, integrar pequenos comerciantes e agricultores familiares. Universidades como UEMS, UFMS e Instituto Federal são fundamentais. O Estado, junto com prefeituras, precisa fazer com que a Rota não seja só passagem de commodities, mas distribuição de renda e fortalecimento da economia local. Os grandes já têm força; minha preocupação são os pequenos. Isso vai mudar Mato Grosso do Sul, mas levará tempo.
E aqui eu preciso fazer justiça a quem ousou sonhar com isso lá atrás: o Heitor Miranda e o Osório Miranda dos Santos. Eles foram visionários, verdadeiros irmãos de luta que, junto com o Zeca e comigo, discutiam a integração com o Pacífico. O Heitor, como prefeito de Porto Murtinho, foi um dos maiores entusiastas e “pai” dessa ideia. Agora que o sonho deles está virando realidade. É o legado de luta do Heitor e do Osório se transformando em futuro para o nosso povo.
O Estado – O senhor defende a diversificação da economia de Mato Grosso do Sul e a revisão dos incentivos fiscais. Na prática, que mudanças pretende propor nesse modelo para garantir crescimento sem comprometer a arrecadação do Estado?
Vander – Primeiro, eu me orgulho muito de que trouxemos a primeira fábrica de papel celulose com o governo do Zeca do PT, quando eu era secretário de governo dele, e nós fomos para os Estados Unidos trazer. O Lula já era presidente, a Simone era prefeita de Três Lagoas. Todo mundo também não acreditava muito. Hoje virou o corredor da celulose. Temos que cumprir um papel importante para o desenvolvimento econômico, sair desse binômio da soja e do gado. Hoje temos que diversificar a nossa economia, isso é muito importante. Agora, o Estado tem que pensar em algo que será o centro do debate nessas eleições: a economia e os incentivos fiscais. Tenho conversado muito com o Fábio Trad, nosso pré-candidato a governador, para fazermos um grande debate a esse respeito. Quando se dá um incentivo, está-se abrindo mão de receita. O Estado já vai viver uma nova etapa daqui para frente e vai ter que fazer esses ajustes dos incentivos.
É um debate que também faremos com a reforma tributária, dialogando e conversando. Acredito muito que o Estado tem uma fronteira agrícola enorme e, com a rota, estaremos muito mais próximos do Pacífico para exportar nossas commodities. Não pode ser só levar. Temos que ter um programa, um projeto de desenvolvimento para financiar e agregar valor às produções daqui, para a gente poder ter empregos com mais qualidade, com salários melhores.
O Estado – O senhor defende a nacionalização da polícia e mais investimentos nos estados de fronteira. Como o Estado pode se posicionar para melhorar na Segurança?
Vander – Esse é um tema sensível que precisamos debater e aprofundar. Não adianta tentar conter o crime organizado apenas no Rio de Janeiro; é preciso proteger a origem, ou seja, a nossa fronteira. Sou defensor da nacionalização da polícia, com um salário e piso nacionais e valorização profissional para garantir essa proteção. A segurança será um tema central no Senado e no Congresso. Precisamos de um modelo que invista muito mais nos estados de fronteira, como o nosso, para impedir que armas saiam daqui. É necessário um sistema de segurança mais forte, que atenda à sociedade e à população, por meio do projeto em debate, que cria um fundo para fortalecer as secretarias estaduais em parceria com o governo federal.
O Estado – Como o Estado pode assegurar o desenvolvimento e a segurança do Pantanal, que se tornou destaque mundial e centro de temas como preservação e desmatamento?
Vander – Com a COP 30 (corrigindo: você disse COP 15, mas o contexto atual é COP 30), estamos dando mais visibilidade ao Pantanal, que sempre foi usado apenas para pesca e gado. Podemos ganhar muito mais dinheiro e valorizar o bioma. Falei sobre o crédito de carbono: para preservar, alguém precisa pagar por esse custo. Precisamos criar formas de desenvolvimento sustentável sem desmatamento. O crédito de carbono ainda é tímido, mas tende a crescer. A Amazônia tem uma luta histórica de preservação mais avançada. O desenvolvimento sustentável permite atividades dentro do bioma, mantendo a preservação. Para isso, são necessárias linhas de financiamento e crédito que possibilitem investimentos, gerando renda para as famílias e para os proprietários.
O Estado – Mato Grosso do Sul é um estado que tende a votar majoritariamente em políticos de centro-direita. Como pretende furar essa bolha?
Vander – Aqui é uma eleição em que sempre o presidente fez um senador, e aposto muito nessa estratégia. O presidente Lula fez na última eleição 40%, e eu acredito muito que ele vai chegar entre 40% e 45% no primeiro turno, e vejo que a nossa candidatura para o Governo do Estado vai chegar entre 30% e 35%. E aposto muito que isso puxa o candidato ao Senado, principalmente no primeiro voto. E tenho um comportamento na política de um cara de muito diálogo e que atende a todos os prefeitos. Aposto muito, além do primeiro voto, que eu possa buscar esse segundo voto principalmente com a classe política e com os setores que me conhecem, que sabem da importância que eu, como senador, posso ter para ajudar os nossos municípios. Então, acredito muito que a direita deve sair com quatro, cinco candidatos, e eu, como uma candidatura do campo mais da esquerda, da centro-esquerda, tenho chance muito grande de poder ter os números de votos necessários para me eleger, trabalhando o primeiro e o segundo voto.
Até por tudo que o presidente Lula tem feito e pela forma como ele tem governado, vai facilitar muito eu buscar esse segundo voto pelos investimentos que o governo federal fez nos municípios.
Então, acredito muito nesse modelo. Acho que o primeiro voto é o voto do petismo que nós temos no Estado. E depois o segundo voto, que é aí que eu acho que, como trabalho muito em rede, tenho muita chance de absorver esses votos, que é fruto dessa capacidade de diálogo, de atender, de conviver com os diferentes. E claro que isso tudo você vai colocar no equilíbrio da chapa, que é o seu suplente para cá, para atrair outro setor.
O Estado – Acredita que, com a direita lançando mais candidatos ao Senado, isso pode impactar a esquerda no Mato Grosso do Sul?
Vander – Eu acho que aqui o cenário que está posto: vão ser dois do PL, o Reinaldo e o Contar, ou o Pollon. Do outro lado, o Nelsinho, Soraya e eu. Aí talvez tenha outras candidaturas ao Senado. Acho que seis candidatos. Pelo perfil de cada um, eles têm mais diálogo com o eleitorado de centro-direita. Eu transito nesse eleitorado da centro-esquerda e da esquerda meio sozinho. Vou ter que ter essa capacidade de trocar os votos, do segundo voto, de atrair o segundo voto. Por isso que acho que tenho muita chance. Historicamente, sempre elegeu.
O Estado – Muitos ainda dizem que o senhor pode desistir da candidatura ao Senado. Isso é possível?
Vander – Olha, quem me conhece sabe que eu não brinco com a esperança do povo e nem com a minha trajetória de vida. Uma candidatura ao Senado não nasce de um desejo individual; ela nasce de um chamado coletivo, do partido e das pessoas que acreditam que o Mato Grosso do Sul precisa de uma voz mais firme em Brasília. Eu não sou homem de recuar diante de desafios. Desistir não faz parte do meu vocabulário e nem do projeto de quem quer ver o nosso estado crescer com justiça social. Estamos caminhando com o pé no chão e muita convicção. Minha pré-candidatura é um compromisso firmado com a nossa base e com o futuro do nosso estado, e compromisso a gente cumpre com trabalho até o fim.
O Estado – O que o partido em Mato Grosso do Sul propõe para o cenário político de 2026?
Vander – O que nós estamos construindo é um projeto político para o Mato Grosso do Sul que vá além de uma candidatura isolada. O objetivo é dialogar com os setores da sociedade para formar uma frente ampla que defenda o desenvolvimento com inclusão social. Queremos participar de forma ativa, com maturidade, para construir alianças e apresentar soluções reais. Mais do que nomes, o foco é um projeto que melhore a vida do nosso povo e faça o estado crescer para todos. Quando a ideologia de quem governa está alinhada com o compromisso popular, o trabalho rende muito mais. Prova disso é que nunca o Governo Federal investiu tanto em MS como agora, e queremos que esse trabalho continue e cresça ainda mais.
Lucas Artur