Nelsinho defende estratégia partidária do PSD e descarta possibilidade de prejuízo eleitoral

“O meu campo é centro-direita", disse ao defender respeito entre adversários - Foto: Nilson Figueiredo
“O meu campo é centro-direita", disse ao defender respeito entre adversários - Foto: Nilson Figueiredo

Senador afirma que decisão fortalece candidatura e critica falta de propostas em polarização no país

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) respondeu a questionamento do jornal O Estado durante o Café & Política desta sexta-feira (17), ao comentar reclamações de ex-filiados a respeito da falta de participação do PSD em candidaturas majoritárias e os impactos dessa estratégia no Mato Grosso do Sul.

Ao abordar a possibilidade de sua candidatura sem uma chapa completa do PSD enfraquecer a sigla, o parlamentar afirmou que a decisão foi construída com base no cenário eleitoral e discutida com a direção nacional. “A única forma de eu ser competitivo diante de muitas candidaturas fortes que vão ter por aí é optar por não ter a candidatura de estadual, nem federal”, declarou.

Segundo o senador, as mudanças nas regras eleitorais, especialmente a exigência de desempenho mínimo das legendas, foram determinantes para a definição da estratégia. Ao explicar, ele citou um caso das últimas eleições. “Se você não atingir esse limite, vai ocorrer como ocorreu na eleição passada com o Fábio Trad. Ele foi o sexto mais votado e não conseguiu se eleger, porque a legenda não atingiu o limite pra poder fazer um. O coeficiente.”

Nelsinho afirmou que orientou candidatos do partido a buscarem outras siglas como forma de ampliar as chances eleitorais e evitar prejuízos. “Vocês querem correr o risco de levantar a bandeira do 55, mas não ter a chance de fazer um?”, disse. A medida, segundo ele, garante autonomia à sua candidatura. “Eu vou ter o tempo de televisão só pra mim, não vou precisar dividir com ninguém e o fundo eleitoral também vai vir só pra mim.”

Durante o evento, o senador também criticou o ambiente de polarização política no país e avaliou que o cenário tem prejudicado o debate público. “Eu sinto falta de ideias, de projetos e de propostas para o Brasil”, afirmou. Para ele, a polarização entre os extremos representados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) acaba beneficiando lideranças nacionais. “Essa polarização só beneficia eles dois.”

Ao comentar o comportamento do eleitorado, o senador citou pesquisas recentes que apontam um cenário ainda indefinido, com possibilidade de mudança de voto. “Quase 50% de quem optou por alguém admite que pode mudar”, disse.

O parlamentar também comentou divergências ideológicas dentro da própria família, citando que seus irmãos seguem posicionamentos distintos, um alinhado à esquerda e outro à direita, e reforçou sua própria posição. “O meu campo é centro-direita. Sempre foi esse o meu campo”, afirmou, ao defender respeito entre adversários. “O adversário político não é inimigo.”

Na agenda institucional, o senador destacou a articulação para viabilizar a aprovação do empréstimo destinado ao Mato Grosso do Sul para obras de infraestrutura. Segundo ele, a liberação ocorreu dentro de um prazo apertado e exigiu mobilização da bancada junto ao Senado. “Nós subimos lá em cima, conversamos e conseguimos destravar. Isso é articulação política”, afirmou.

A atuação conjunta da bancada de Mato Grosso do Sul no Senado foi fundamental para acelerar a análise do empréstimo internacional de US$ 200 milhões, cerca de R$ 1 bilhão, junto ao BIRD (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento). A medida permitiu que a proposta avançasse em regime de urgência dentro do prazo necessário.

O processo ganhou impulso após a autorização do Governo Federal, formalizada na última terça-feira, e precisou ser conduzido com rapidez por conta do calendário legislativo. A proximidade da “semana branca” e do feriado de Tiradentes, em 21 de abril, reduziria o quórum no Senado e poderia adiar a votação.

Sem a articulação, o risco era de que a proposta só fosse analisada após o dia 27 de abril, quando as sessões com presença plena estão previstas para retornar, data posterior ao limite para a aprovação do financiamento internacional.

Ele também ressaltou a avaliação técnica do projeto e negou motivação eleitoral na tramitação. “Projeto impecável, tirou nota 10 com louvor. Eu não iria fazer nenhuma jogada política em detrimento de um projeto que passou por todas as frentes”, disse.

O senador também destacou que os recursos serão aplicados em obras consideradas estratégicas para o Estado, incluindo a melhoria da malha rodoviária, com impacto direto no escoamento da produção e na mobilidade. Segundo ele, a iniciativa busca atender demandas antigas e ampliar a capacidade logística de Mato Grosso do Sul. “Isso vai melhorar a infraestrutura e ajudar no desenvolvimento do nosso Estado”, afirmou.

Ainda de acordo com Nelsinho, o avanço do projeto só foi possível após articulação política junto ao governo federal e apoio de diferentes setores. Ele reforçou a expectativa de resultados com a execução das obras. “Quando você tem diálogo e articulação, as coisas acontecem”, concluiu.

Por Danielly Carvalho

 

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