Há alguns anos o cinema nacional investe em novas propostas de gêneros, diversificando suas produções e saindo apenas de filme de humor. Um dos destaques, seja em filmes e/ou séries, é o investimento no suspense, com tons de thriller e ação, o que anda conquistando um público mais diverso, como é o caso do filme ‘Rio de Sangue’, que estreia nesta quinta-feira (16).
O filme é descrito como um ‘thriller policial’ que traz Patrícia Trindade, uma policial afastada da corporação após uma operação desastrosa. Jurada de morte pelo narcotráfico, ela foge de São Paulo para o Pará, buscando refúgio e a chance de reaproximação com a filha Luiza, médica que se dedica a atendimentos em ações humanitárias e trabalha em uma ONG que atende populações indígenas no Alto Tapajós.
Entretanto, Patrícia precisa vestir a máscara de policial novamente quando Luiza é sequestrada pro garimpeiros durante uma expedição que coloca sua vida em grave perigo. Diante dessa situação desesperadora, Patrícia se vê forçada a retomar seu papel de policial e enfrentar as perigosas forças que dominam a região. Sua jornada para resgatar a filha transforma-se em uma corrida contra o tempo, onde a coragem, a determinação e o amor de mãe são levados ao limite. ‘Rio de Sangue’ é um retrato visceral dos desafios da sobrevivência e do instinto maternal em um ambiente hostil, cheio de tensão e reviravoltas.
No elenco estão Giovana Antonelli como a policial Patrícia e Alice Wegmann como a médica Luiza. Também completam o elenco Felipe Simas, Antônio Calloni, Sérgio Menezes, Fidélis Baniwa e Ravel Andrade. Já a direção fica por conta de Gustavo Bonafé (‘Vidas Bandidas’ e ‘O Doutrinador’).
Papel feminino
Em entrevista ao portal especializado Adoro Cinema, Giovana Antonelli, conhecida por sua beleza e elegância em papéis na TV, comentou que o projeto foi um desafio para sair de sua zona de conforto ao abrir mão de qualquer vaidade para viver a união complexa entre mãe e policial.
“Duas mulheres potentes que se dão as mãos, sobreviventes, além de mãe e filha. É uma história de amor por trás desse filme todo de ação” justifica.
A filmagem de ‘Rio de Sangue’ terminou em 2024, ou seja, o longa foi realizado em um período turbulento para o país, principalmente no sentido ambiental, com um grande volume de queimadas assolando o território, além de retratar um dos desastrais naturais do Brasil, que é o garimpo.
O diretor reforça o pensamento que a trama traz um tom de ‘denúncia’, e para isso, houve profunda pesquisa para o roteiro, além de investimento pesado nas cenas de ação. Bonafé afirma com convicção que viu “poucas vezes alguém fazer assim no cinema nacional” ao se referir ao patamar ambicioso que Rio de Sangue buscou alcançar nas suas sequências de ação: “E acho que a gente está aumentando. O patamar e da qualidade das coisas de ação e não tem muito segredo, assim: é orçamento” respondeu o diretor.
Para a Folha de S.Paulo, Antonelli acredita que o filme é uma novidade em sua filmografia. “Eu me pergunto se não somos pioneiras num thriller de ação como este”. Ela ainda coloca a questão do gênero da ação ser completamente masculino, que dificilmente há duas proganistas mulheres num thriller.
“Geralmente somos ‘a mulher de alguém’ ou ‘a vítima’, então quando surge uma história assim, temos que ocupar o espaço”. Wegmann também celebra o foco nas figuras femininas. “Eu cresci vendo ‘As Panteras’ e ‘Três Espiões Demais’, queria ser detetive; é um sonho realizado fazer um filme de ação”, comenta. “Como eu era atleta antes de ser atriz, essa exigência física do gênero me atrai. E fazer isso ao lado da Giovanna, que cresci assistindo e agora chamo de ‘mãe’, é uma loucura —e um presentaço.”
‘Americanizado’?
Mesmo que o mote da ‘ação nacional’ navegue na novidade, não dá para negar que ‘Rio de Sangue’ bebe da formula norte-americana: uma mãe que precisa fazer de tudo, inclusive encarar a morte para salvar a filha, no meio de muita corrupção, tiros e cenas de ação.
“Se o objetivo de “Rio de Sangue” era fazer um filme de ação à maneira americana, conseguiu. Estão lá, em maior ou menor medida, todos os atalhos e fórmulas do gênero, acrescidos, claro, de uma “cor local” —no caso, a Amazônia”, disse Inácio Araujo, da Folha de S.Paulo.
Para Fernando Martins, da Folha de Pernambuco, o roteiro é consistente, mesmo que caia em certos clichês e precise de certa profundidade. “O roteiro é um dos pontos mais consistentes. Existe uma preocupação evidente em não simplificar os conflitos, ainda que eventualmente acabe direcionando para certos clichês. Os temas sociais entram de forma orgânica, sem que o filme precise interromper a narrativa para explicá-los. Ainda assim, há margem para um aprofundamento maior, principalmente em questões que aparecem como pano de fundo, mas têm potencial para ganhar mais protagonism”.
Ele destaca o papel de Antonelli para a trama. No elenco, Giovanna Antonelli é o grande destaque quando sustenta uma personagem que funciona como eixo da narrativa. Sua atuação é carregada de intenção e dá ao filme uma estabilidade dramática importante”.
Thiago Nolla, do CinePop também reforça o papel de Alice e dos antagonistas para criar todo o tom de ação e vilania da trama.
“Wegmann, imbuída de uma ingenuidade que a torna oposto complementar de Antonelli, transforma Luiza em uma inevitável construção arquetípica, assim como Antonio Calloni e Felipe Simas como Polaco e Baleado, antagonistas que não pensam duas vezes antes de emular os tropos dos anos 1990 em atuações deliciosamente diabólicas, pautadas em extremos que oscilam da agressividade passiva a um animalesco ímpeto. Fidélis Baniwa, interpretando o moralmente ambíguo Mario, é escolhido como o improvável aliado que, funcionando como o narrador da história, tem assuntos inacabados com os garimpeiros e é arrastado para um vórtice de redenção”, diz. “Cada um tem o seu momento de brilhar, sendo esquadrinhados o máximo que podem em um constrito espaço de pouco mais de uma hora e quarenta minutos”, finaliza.
Por Por Carolina Rampi