Corpos de jovens mortos em “tribunal do crime” no MT devem chegar a MS durante a madrugada

Breno Gabriel Soares Cabral, Wagner Felipe Rocha Viana e Wilquison Eduardo Rocha Viana - Foto: reprodução/redes sociais
Breno Gabriel Soares Cabral, Wagner Felipe Rocha Viana e Wilquison Eduardo Rocha Viana - Foto: reprodução/redes sociais

Os corpos de Wagner Felipe Rocha Viana, de 20 anos, Wilquison Eduardo Rocha Viana, de 23, e Breno Gabriel Soares Cabral, de 21, mortos após serem submetidos a um chamado “tribunal do crime” em Campo Novo do Parecis (MT), devem chegar a Mato Grosso do Sul durante a madrugada desta sexta-feira (10). O traslado é realizado em dois veículos e a previsão é de que chegue por volta da meia-noite.

Durante o deslocamento, a empresa Metafer, onde os jovens estavam alojados e prestavam serviço na montagem de um estande para um evento agropecuário, divulgou nota informando que providenciou o transporte dos corpos e negou qualquer omissão no caso. Segundo o comunicado, a empresa afirmou que tomou todas as medidas cabíveis desde o início, incluindo a liberação junto à funerária local.

A manifestação ocorre após familiares relatarem que precisaram organizar vaquinhas para custear o transporte, estimado em cerca de R$ 12,5 mil para uma das famílias. Irmã de Wagner e Wilquison, Kamila Viana afirmou que não houve suporte da empresa. Já a mãe de Breno, Elaine Cristina Soares, de 42 anos, disse que foi informada de que o salário do filho poderia ser utilizado para pagar o traslado. “Quer dizer que meu filho foi trabalhar para morrer? Foi para pagar o próprio enterro?”, lamentou.

Local onde os corpos dos jovens foram encontrados, em Campo Novo do Parecis (MT_ – Foto: divulgação/PCMT

Na nota, a Metafer afirmou que optou por agir de forma discreta por orientação jurídica e reiterou que não houve omissão. A empresa declarou ainda que os jovens foram contratados para um serviço pontual e não possuíam vínculo formal, mas que, mesmo assim, prestou apoio diante da gravidade da situação.

Os três trabalhadores estavam desaparecidos desde a madrugada de sábado (4), quando sumiram do alojamento onde estavam hospedados. Um colega relatou que os viu por volta das 0h40 conversando e fumando, e pela manhã eles já não estavam no local. Pertences pessoais, incluindo o celular de Wagner, permaneceram no alojamento.

Os corpos foram encontrados na tarde de terça-feira (7), enterrados em uma vala na zona rural do distrito Marechal Rondon. De acordo com o delegado responsável pelo caso, Guilherme Kaiper, o crime está ligado à atuação de facções criminosas na região. Segundo as investigações, os jovens foram chamados para jogar sinuca e, por serem de fora, despertaram desconfiança de integrantes do grupo que domina a área.

Ainda conforme o delegado, análises preliminares de celulares indicariam possíveis conteúdos relacionados ao PCC (Primeiro Comando da Capital), enquanto a região é dominada pelo Comando Vermelho. Durante um suposto “tribunal do crime”, que teria incluído chamada de vídeo, os jovens foram “decretados”, termo usado para determinar a execução.

As vítimas teriam sido levadas a uma estrada vicinal, onde foram amarradas, amordaçadas e mortas por asfixia com corda, além de golpes de faca no pescoço. Em seguida, foram enterradas juntas em uma cova com mais de um metro de profundidade.

A Polícia Civil já identificou quatro pessoas como participantes diretas do crime. Duas foram presas, entre elas um adolescente de 16 anos. Segundo a investigação, ambos confessaram participação, enquanto outras pessoas ainda são investigadas por possível envolvimento, inclusive no transporte das vítimas.

As famílias afirmam que os jovens não tinham ligação com facções criminosas. A identificação oficial e a liberação dos corpos ficaram sob responsabilidade da Politec (Perícia Oficial e Identificação Técnica) de Mato Grosso. A empresa Metafer informou que segue colaborando com as autoridades e permanece à disposição dentro dos limites legais.

 

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