O filme O Drama chega aos cinemas brasileiros com sessões antecipadas a partir desta quinta (2), movimentando o circuito antes mesmo de sua estreia oficial nos Estados Unidos, marcada para o dia seguinte. Estrelado por Zendaya, Robert Pattinson e Alana Haim, o longa aposta em uma narrativa intimista para explorar as complexidades dos relacionamentos contemporâneos.
Dirigido por Kristoffer Borgli, que também assina o roteiro, o filme acompanha a história de Emma e Charlie, um casal prestes a oficializar a união. O que deveria ser um momento de celebração, no entanto, se transforma em um ponto de ruptura quando um episódio inesperado ligado ao passado da noiva vem à tona, colocando em xeque a confiança construída entre os dois.
A partir desse acontecimento, a trama se desenvolve em torno das dúvidas e inseguranças que emergem quando segredos são revelados. O relacionamento, antes marcado pela estabilidade, passa a ser atravessado por questionamentos profundos sobre intimidade, verdade e convivência. O roteiro conduz os personagens por um percurso emocional que desafia a ideia idealizada de romance.
Com duração de 1h46 e inserido nos gêneros de drama e romance, o longa propõe uma reflexão sobre até que ponto é possível conhecer plenamente o outro. Ao tensionar sentimentos como amor e desconfiança, a produção constrói uma narrativa que dialoga com experiências reais, convidando o público a revisitar suas próprias percepções sobre vínculos afetivos.
Produção
Em entrevista concedida por Zendaya e Robert Pattinson ao podcast Modern Love Podcast, do The New York Times, revela os bastidores do filme, sendo um romance que se distancia do ideal clássico ao mergulhar na ansiedade, no caos e na incerteza dos relacionamentos.
Durante a entrevista, os atores destacaram aspectos centrais da construção de seus personagens. Pattinson definiu Charlie como um indivíduo emocionalmente vulnerável e suscetível à influência externa, característica que impacta diretamente suas decisões ao longo da narrativa.
Zendaya apontou que Emma é retratada como uma personagem em busca de pertencimento, cuja trajetória evidencia dependência afetiva e necessidade de validação. Segundo a atriz, essa configuração contribui para o desenvolvimento do conflito dramático que sustenta o filme.
Outro ponto enfatizado na conversa foi o papel da comunicação e do passado individual dentro de relações afetivas. A entrevista evidenciou perspectivas distintas entre os atores: enquanto Pattinson mencionou que o excesso de transparência pode comprometer a idealização romântica, Zendaya ressaltou a importância da construção gradual de confiança. Esse contraste dialoga com a proposta do filme, que explora as consequências da revelação tardia de informações pessoais em um momento crítico da relação.
Além da análise dos personagens, a entrevista situou The Drama dentro de uma abordagem contemporânea do gênero romântico, marcada por ambiguidade e ausência de respostas definitivas.
De acordo com os atores, o filme busca provocar reflexão no público ao evitar resoluções simples, mantendo em aberto questões sobre verdade, intimidade e compromisso. A produção, nesse sentido, aposta em uma narrativa que privilegia o desconforto e a incerteza como motores dramáticos, alinhando-se a tendências recentes do cinema voltado à investigação das complexidades emocionais.
Crítica especializada
A recepção crítica de The Drama tem sido majoritariamente positiva, apesar de avaliações divergentes sobre suas escolhas narrativas. O jornalista Mark Kennedy, do portal AP News, classificou o longa como “claramente o pior trabalho” do diretor Kristoffer Borgli, destoando do consenso mais favorável da crítica especializada.
O filme registra 84% de aprovação no Rotten Tomatoes e média 65 no Metacritic, indicando recepção geralmente positiva, ainda que moderada. Parte das críticas se concentra nas escolhas temáticas do roteiro, que dialoga com referências como Louis Malle e Sigmund Freud, mas opta por um elemento extremo “um plano de assassinato em massa” dentro de uma proposta de comédia constrangedora.
Já no Brasil, a recepção crítica apresenta leituras mais favoráveis. O jornalista Caio Coletti, do site Omelete, avalia que The Drama funciona também como uma fábula romântica, ao retratar de forma honesta a dinâmica de um relacionamento que evolui para a lógica de “nós contra o mundo”.
Segundo o crítico, o longa representa uma evolução na filmografia de Kristoffer Borgli, ampliando os temas explorados em trabalhos anteriores e consolidando o estilo provocativo do diretor. Para Coletti, a obra se destaca justamente por seu tom incisivo, oferecendo uma narrativa que desafia o espectador ao mesmo tempo em que aprofunda a análise das relações afetivas contemporâneas.
The Drama contou com sessões antecipadas no Brasil nesta quinta-feira (2) e tem estreia oficial marcada para o dia 9 de abril, quando passa a integrar a programação regular dos cinemas em todo o país.
Amanda Ferreira
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