Vogue de MS faz história! House of Hands UP MS é selecionada para circular pelo país pelo Palco Giratório, em mais de 15 cidades

Foto: Pablo Pacheco
Foto: Pablo Pacheco

A cultura vogue de Mato Grosso do Sul acaba de fazer história! A House of Hands UP MS é a primeira house de vogue do país a ser selecionada para o Palco Giratório e circulará com ‘Peça Única’, primeiro espetáculo de vogue da cultura Ballroom a integrar a programação do maior projeto de circulação e intercâmbio de artes cênicas do Brasil, realizado pelo Sesc.

O feito marca um momento inédito no estado e amplia o alcance de uma linguagem artística ainda pouco difundida no país.

A conquista é celebrada pelo coletivo como um marco artístico e simbólico. “Ser indicado ao Palco Giratório já foi uma grande vitória, porque é o primeiro espetáculo de vogue de MS e também o primeiro do Brasil a chegar nesse espaço. Só de saber que o nosso trabalho seria visto nacionalmente já era muito importante, porque mostra que uma comunidade LGBTQIAPN+ de MS produz arte de qualidade. Quando veio a confirmação de que fomos selecionados, foi uma sensação de êxtase!”, comemora Roger Pacheco, mother da Hands Up.

Histórico

Entre reconhecimento e representatividade, a participação no projeto abre caminho para que o grupo compartilhe sua arte e identidade. “Levar esse trabalho para o Brasil é importante não só artisticamente, mas também socialmente. Muitas vezes o preconceito vem da falta de conhecimento. A partir do momento que as pessoas conhecem, elas percebem que não é aquilo que imaginavam. A arte tem esse poder de transformar olhares”, diz Roger.

Nesse contexto, a cena Ballroom se afirma como espaço de criação e acolhimento e é desse movimento que nasce o espetáculo que agora ganha o país.

Para Roger, o feito tem um peso simbólico e artístico que ultrapassa o coletivo e alcança toda a cena local. “Eu acho que esse feito inédito é muito importante, principalmente para o nosso Estado, porque foi há cerca de dois anos que Mato Grosso do Sul entrou na rota da cena Ballroom nacional, quando grandes referências começaram a olhar para cá. E as pessoas que vêm se encantam com a cena. Em relação ao acolhimento e à técnica, Mato Grosso do Sul não perde em nada para a cena nacional. Isso é muito vantajoso, porque mostra que aqui, em um Estado que muitos ainda não conhecem bem, existe uma house com qualidade técnica, estudo e potência. Isso evidencia que existem potências fora dos grandes eixos, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. A Hands Up não é uma das houses mais antigas do Brasil, mas faz parte dessa origem histórica da Ballroom no país. A Hands Up MS é a primeira do Estado e mostra que, mesmo não sendo a mais antiga, há aqui um trabalho sério, consistente e de qualidade”, complementa.
Construção

´Peça Única´ une vogue, moda e performance para discutir identidade, estética e representatividade, e é o primeiro espetáculo da House of Hands Up MS, coletivo sul-mato-grossense fundado em 2016, pioneiro na cena de vogue em MS e voltado para a afirmação de identidades LGBTQIAPN+ por meio da arte, da dança e da performance.

“Criamos o espetáculo sem pretensão nenhuma, com o objetivo de mostrar a potência do nosso trabalho, que é um trabalho de qualidade, de empoderamento e que nasce dentro da cultura Ballroom. Como house de vogue, a gente vem de um contexto muito ligado às batalhas, mas sempre existiu o desejo de transformar essa linguagem em um espetáculo e mostrar o quanto ela é potente em cena”, destaca Roger.

Com 11 performers em cena, a peça se inspira na cultura das ballrooms, na técnica de dança vogue e na moda como linguagem para investigar os limites da beleza, da imagem e da organização de um coletivo. É um trabalho que desafia a ideia de espetáculo como algo fixo ou completo: aqui, a performance se dá no atrito, na gambiarra, no improviso, na precariedade como estética e política.

“A Ballroom é muito poderosa porque coloca em destaque pessoas que estão à margem: pessoas trans, pretas, LGBTQIAPN+. É um espaço onde você pode ser quem você é, e isso gera uma força enorme no palco”, acrescenta.

O trabalho reúne uma equipe diversa, que contribui para a construção estética e política da obra. O espetáculo tem coreografia e direção assinadas por Roger Pacheco e direção artística e dramaturgia por Marcos Mattos. Em cena apresentam-se Tarso Aguillera, Flávio dos Santos, Gabriela Benitez, Yara Maria, Daniel de Andrade, Afrodite Fetake, Atreides Fetake, Greyce Kelly Fetake, Johnny Mike, Maya Silva e Roger Pacheco. Figurino por Roger Pacheco, confecção dos figurinos por Fernando (Frateliê – Ateliê de Costura), iluminação por Lana Figueiró e Stepheen Bayllon, arte e design gráfico por Pablo Pacheco e paratexto por Febraro de Oliveira. Para a turnê viajam 9 bailarinos e o iluminador Breno Lucas.

Para Roger, a proposta do espetáculo também é ressignificar a forma como o público enxerga a comunidade LGBTQIAPN+. “Eu acho que a principal mensagem é que, apesar de estarmos sofrendo muitos ataques nos últimos tempos em relação às nossas identidades e a quem a gente é, também queremos levar uma mensagem positiva. As pessoas estão muito acostumadas a enxergar a comunidade LGBT apenas pelo viés do sofrimento, e muitas vezes as mensagens que chegam reforçam isso. Mas a gente também quer apresentar esse outro estado, que é o estado do poder e do empoderamento que a Ballroom traz. A Ballroom nos dá força, evidência e destaque para esses corpos que estão às margens. Queremos mostrar isso por meio de roupas glamourosas, de gala, dessa estética forte. A principal mensagem é que somos potentes, empoderados e que podemos ser quem quisermos ser.”

Às vésperas da turnê, o clima é de alegria, emoção e expectativa!

O grupo agora se prepara para atravessar fronteiras! Ao longo de 2026, a Hands Up percorrerá o Brasil com o espetáculo “Peça Única”, passando por mais de 15 cidades. O primeiro destino será Poconé (MT), com viagem já marcada para 11 de maio.

Roger resume o momento vivido pelo grupo como uma mistura intensa de orgulho, alegria e expectativa. “Eu acho que, primeiro, é uma sensação de orgulho e alegria total, porque mostrar que algo que parecia tão distante se tornou palpável. Mato Grosso do Sul tem uma house com qualidade técnica, com um espetáculo consistente, que conseguiu reconhecimento em nível nacional e passou a ser conhecida como a primeira house do Brasil a circular em uma turnê nacional pelo Palco Giratório. Isso é um grande ganho artístico e profissional para a House e nos deixa muito orgulhosos”, disse ao jornal O Estado.

“Agora, esperamos que os impactos sejam positivos: que surjam mais oportunidades, que outras pessoas também consigam ter esse tipo de acesso e que os integrantes da House conquistem ainda mais reconhecimento, representatividade e espaço no mercado de trabalho. A partir dessa visibilidade nacional, tanto a comunidade Ballroom quanto a comunidade artística — da dança, do teatro, do circo — e o próprio público consumidor de arte passam a nos conhecer. Queremos que isso gere crescimento profissional contínuo, mais trabalhos, novas turnês e novos projetos. Nosso trabalho não para. Além da circulação, já estamos envolvidos em outros projetos, como o FIC, edital de Mato Grosso do Sul, e na criação de um novo espetáculo. Queremos aproveitar ao máximo essa experiência, transformando-a em mais aprendizado e em novas conquistas profissionais”, finaliza.

Por Por Carolina Rampi

 

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