MS pelo olhar jornalístico: livro que organiza a construção do Estado em MS está em sua 3ª edição

Fotos: Acervo Paulo Renato
Fotos: Acervo Paulo Renato

Às vésperas de completar cinquenta anos, Mato Grosso do Sul consolida sua mais ambiciosa interpretação visual e documental — uma obra iniciada em 1988 que organiza, em escala inédita, a complexidade de seu território, de sua história e de sua formação cultural. A 3ª edição do livro Mato Grosso do Sul é de autoria do jornalista Paulo Renato Coelho Netto, que também realizou as fotografias que ilustram a publicação.
O novo lançamento será em mais de um formato, como Coffee table book, e também em e-book gratuito, com versões trilíngues, que também ganham vida por meio de audiolivro em português, inglês e espanhol, que convidam o leitor a vivenciar a história em múltiplas dimensões.

Mato Grosso do Sul 3ª Edição

Revista e atualizada, a 3ª edição será publicada no segundo semestre de 2027, coincidindo com as comemorações do cinquentenário da Divisão do Estado, tornando-se um marco editorial que celebra meio século de história, cultura e desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. O livro enfatiza o novo momento econômico do Estado, destacando industrialização, infraestrutura, a cadeia produtiva florestal e o Corredor Bioceânico: rota que liga o Brasil ao Pacífico.

Ao revisitar quase quatro décadas de trabalho para chegar à terceira edição do livro, Paulo Renato Coelho Netto observa como as transformações econômicas e sociais de Mato Grosso do Sul moldaram também o olhar que ele construiu sobre o Estado. “O mundo mudou radicalmente de 1988 para cá. Quando comecei a fazer esse livro, eu registrava a transição da pecuária para as monoculturas, principalmente da soja. Agora, nos últimos anos, estamos vivendo outra virada de chave, saindo das grandes plantações para a industrialização, com as mega fábricas de celulose como carro-chefe. São três grandes transições nesse período”, afirma.

Ele destaca ainda o crescimento das universidades, as mudanças na economia das cidades e a forma como tudo isso passou a integrar a narrativa da obra. “Tudo isso eu tenho colocado no livro, registrado tanto com textos como com fotografias. Eu sou jornalista, então a técnica que uso para escrever é o jornalismo literário”, explicou em entrevista ao jornal O Estado.

Nos novos capítulos, Paulo Renato visita a Serra do Amolar, no pantanal, explora cavernas na Serra da Bodoquena e passa pelo Morro do Paxixi — Estrada Parque.

Percorre a ponte em fase final de construção que ligará Porto Murtinho (Brasil) a Carmelo Peralta (Paraguai), conhecida como Ponte Internacional da Rota Bioceânica e integrante do corredor sobre o Rio Paraguai.

Alcinópolis, no Norte do Estado, entra no roteiro com dezenas de sítios arqueológicos e arte rupestre, evidenciando a presença de grupos pré-históricos caçadores-coletores que habitaram a região entre 2.000 e 12.000 anos atrás.

Essa sequência de visitas revela a diversidade do Estado, permitindo ao leitor acompanhar Mato Grosso do Sul em múltiplas dimensões, natural, arqueológica, histórica e estratégica, combinando patrimônio cultural, inovação e relevância socioeconômica.

Para as primeiras edições, Paulo Renato percorreu sozinho mais de doze mil quilômetros pelo Estado, de carro e barco, fotografando e pesquisando in loco sobre turismo, cultura, geografia, história e perspectivas econômicas. Outros seis mil quilômetros devem ser percorridos para a 3ª edição.

Ao falar sobre o equilíbrio entre passado, presente e futuro na nova edição, Paulo Renato Coelho Netto destaca que o desenvolvimento do Estado também revela gargalos que precisam ser debatidos. “Um dos focos que eu tenho no livro é o atropelamento de animais nas estradas. Isso é gravíssimo, tanto para os animais quanto para a segurança das pessoas”, afirma, lembrando que o tema já aparecia nas primeiras edições e agora ganhará um capítulo exclusivo. Para ele, cada local visitado ajuda a construir essa linha do tempo. “Eu começo falando da história, de símbolos como a igreja de Aquidauana, mas também trago o presente, como o crescimento do turismo no Morro do Paxixi. Eu ainda vou a campo, porque é durante essas viagens que tudo se revela.”

Alcance

Desde a primeira edição, a obra tem servido como referência para pesquisadores, estudantes, professores e turistas, consolidando-se como patrimônio cultural sul-mato-grossense.

As duas edições anteriores abordaram 19 cidades, o Forte Coimbra e o Pantanal sul-mato-grossense, destacando temas como o contrabando de animais silvestres e o Aquífero Guarani, maior lençol de água potável da América Latina.

Contaram também com textos do ambientalista, artista plástico e fotógrafo polonês Frans Krajcberg (1921-2017), sobre preservação ambiental, e do historiador Henrique Spengler (1958-2003), sobre povos nativos que habitaram a região, remontando há seis mil anos de ocupação pelos Macro-Gê, Guarani, Aruwak e Mbayá.

Paulo Renato entrevistou o poeta Manoel de Barros (1916-2014), homenageado nas primeiras edições. Em 2014, o livro Mato Grosso do Sul foi transformado em audiolivro pelo Ismac (Instituto Sul-Mato-Grossense Para Cegos), com patrocínio da Petrobras, garantindo acesso a deficientes visuais.

Foi distribuído pela Secretaria Estadual de Educação para todas as bibliotecas das escolas estaduais e consta no “Guia de Referências Bibliográficas da História de Mato Grosso Uno e Mato Grosso do Sul”, iniciativa do Arquivo Público Estadual e da Fundação de Cultura do Estado (2013).

Para o diretor-presidente da FCMS  (Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul), Eduardo Mendes, iniciativas como essa contribuem para fortalecer a memória e a identidade do Estado. “É um projeto que dialoga diretamente com a valorização da nossa história e da nossa diversidade cultural. Trabalhos dessa natureza ajudam a organizar e difundir a imagem de Mato Grosso do Sul, ampliando o acesso da população e projetando o Estado para além de nossas fronteiras”, afirma.

O projeto busca atualmente patrocinadores estratégicos, que podem apoiar a obra via incentivo fiscal da Lei Rouanet (Art. 18), permitindo que 100% do valor investido seja dedutível do Imposto de Renda devido.

Com três propostas de leitura e linguagens, Paulo Renato afirma que a idade surgiu por meio da necessidade de ampliar o acesso do público. “Um coffee table book é muito caro, é um livro de mesa, de luxo, e não seria justo investir tanto para ficar nas mãos de pouquíssimas pessoas”, diz. “O e-book vai estar em português, inglês e espanhol. Só o espanhol pode ser lido em qualquer lugar da América Latina. O Brasil é o único que não fala espanhol. E o inglês é um idioma universal.” Para o autor, a iniciativa também dialoga com o novo momento vivido pelo Estado com a abertura da Rota Bioceânica. “Essa ponte não vai abrir só uma questão econômica, mas também cultural. Vai haver uma integração maior entre Brasil e América Latina”, completa.

 

Por Carolina Rampi

 

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