Ministério da Agricultura negocia com Turquia para rota alternativa ao estreito de Ormuz

importação porto portos exportação importação mercado global economia
A rota permite que a carga transite sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico - Foto: Ricardo Botelho/MInfra

O itinerário vem como um alívio para exportar produtos agropecuários como a soja e carne

O Brasil garantiu a continuidade de uma rota alternativa via Turquia para o envio de exportações agropecuárias, diante das restrições no Estreito de Ormuz. A solução foi negociada pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária).

Com isso, a estrutura portuária turca segue como opção importante para cargas brasileiras com destino ao Oriente Médio e à Ásia Central, permitindo que as mercadorias sigam viagem sem a necessidade de passar pelo Golfo Pérsico.

Essa rota já era utilizada por exportadores brasileiros. No entanto, a Turquia passou a exigir novas regras sanitárias para produtos sujeitos ao controle veterinário oficial, como os de origem animal. Para evitar prejuízos ao fluxo das exportações, foi negociado o Certificado Veterinário Sanitário para Produtos Sujeitos a Controles Veterinários em Trânsito Direto pela República da Turquia ou para Armazenamento Temporário com Destino à Expedição para outro País/Navio.

Na prática, o documento permite que mercadorias brasileiras, especialmente produtos de origem animal, atravessem o território turco ou fiquem armazenadas temporariamente no país antes de seguirem para o destino final.

A medida confere mais segurança e previsibilidade aos exportadores brasileiros em um momento de instabilidade nas rotas internacionais e reforça a atuação do Mapa para manter o comércio agropecuário brasileiro em funcionamento.

 

As incertezas no comércio mundial

As incertezas no comércio mundial aumentam com o conflito no Oriente Médio e podem repercutir na negociação entre Brasil e Estados Unidos, segundo aponta a FGV IBRE. O ataque dos Estados Unidos, junto com Israel, ao Irã, o que aumentou o grau de incerteza e imprevisibilidade que tem dominado o comércio mundial desde o começo do governo Trump 2.0.

O impacto na economia e no comércio mundial dependerá, em parte, da duração do conflito e da sua extensão para outros países. O aumento do preço do petróleo, que se reflete no aumento dos custos de transporte, o aumento nos custos de logística e as pressões inflacionárias podem retardar movimentos de queda de juros que eram esperados em vários países e, logo, são fatores que sugerem menor crescimento da economia mundial e do comércio.

Para o Brasil, pode haver ganhos com o aumento no preço do petróleo, mas o país é importador de óleo diesel, que também terá alta de preços. A participação do Oriente Médio nas exportações brasileiras foi de 4,6% em 2025. Em adição, para alguns produtos, esse mercado é relevante: carne de aves (35,2% do total exportado em 2025), açúcar e melaços (17,0%) e milho não moído (16,2%), por exemplo. Nesse caso, num momento em que o Brasil procura diversificar o destino das suas exportações, perdas de mercados impactam a balança comercial.

 

Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *