Índice de Intenção de Consumo das Famílias atinge 109 pontos, maior nível desde abril de 2024
O consumidor de Campo Grande ainda não voltou às lojas no mesmo ritmo, mas já decidiu — ao menos no campo das expectativas — que pretende voltar. Esse descompasso entre o presente e o futuro imediato aparece como o principal sinal da ICF (Intenção de Consumo das Famílias) em março: o índice avançou 0,5% e alcançou 109,7 pontos, maior nível desde abril de 2024.
O dado, apurado pela CNC e analisado pelo IPF/MS, mantém o indicador acima da linha dos 100 pontos — zona que separa insatisfação de satisfação — e revela um consumidor que, embora ainda contenha gastos, já revisa suas expectativas.
A principal engrenagem desse movimento não está no bolso, mas na perspectiva. O componente de perspectiva profissional registrou a maior alta do mês, com avanço de 3,7%. Mais da metade dos entrevistados (52,3%) afirma se sentir mais segura no emprego do que há um ano.
Esse fator ajuda a explicar outro dado: o avanço de 1,3% na avaliação sobre o momento para aquisição de bens duráveis. Ainda que o consumo corrente apresente retração de 2,9%, cresce a percepção de que o cenário se torna mais favorável para compras de maior valor.
Na prática, o comportamento do consumidor campo-grandense mostra uma dinâmica típica de transição econômica: a confiança se recompõe antes da renda e do consumo efetivo. A própria avaliação da renda atual permanece praticamente estável (-0,4%), com 48,9% das famílias afirmando que ganham o mesmo que no ano passado, enquanto 34,4% percebem melhora.
Outro ponto de atenção está no crédito. Apesar da estabilidade no indicador de acesso (0,0%), ainda prevalece a percepção de dificuldade: 25,5% consideram mais difícil obter crédito do que há um ano, frente a apenas 16,6% que percebem melhora.
A análise por faixa de renda mostra que o movimento de confiança começa a se espalhar de forma mais homogênea. Famílias com renda acima de 10 salários mínimos seguem com índice mais elevado (122,2 pontos), mas registraram leve recuo no mês. Já entre as famílias de menor renda, houve crescimento, sinalizando uma recomposição mais ampla da percepção econômica.
Para a economista do IPF/MS, Regiane Dedé de Oliveira, o resultado indica um consumidor menos pressionado pelo curto prazo e mais orientado por expectativas. “Há uma melhora consistente na percepção sobre o mercado de trabalho e as condições futuras, o que tende a sustentar o consumo nos próximos meses, ainda que de forma gradual”, avalia.
Por Djeneffer Cordoba