Advogado afirma que decisão considerou depoimento de testemunha antes da análise das imagens e sustenta tese de legítima defesa
A defesa do ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, informou na manhã desta quarta-feira (25) que irá recorrer da decisão que converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. O advogado Oswaldo Mezza afirmou que pretende ingressar com habeas corpus (HC) e pedido de revogação da prisão, além de solicitar, se necessário, a substituição por prisão domiciliar em razão do estado de saúde do cliente.
Segundo o defensor, embora a legítima defesa conste nos autos, o juiz decidiu manter Bernal preso preventivamente. “O juiz começou a entrar um pouco no mérito, mesmo sem ter provas, ainda não tem as imagens”, declarou. De acordo com ele, a decisão levou em conta o depoimento de testemunha e o posicionamento do Ministério Público, antes da análise das gravações de câmeras de segurança.
A defesa sustenta que as imagens irão “comprovar a tese da legítima defesa”. Mezza também contestou versões de que teria havido tiro nas costas. “Não houve tiro nas costas. Ele atirou na linha da cintura, não atirou para matar. Um dos tiros transpassou e saiu nas costas, então tem três perfurações, mas foram dois tiros”, afirmou. Ainda conforme o advogado, um disparo entrou na linha da cintura e saiu nas costas, e o outro atingiu a parte inferior da costela.
Bernal permanecerá no presídio militar, em sala de Estado-Maior, em razão de já ter exercido a advocacia. Ele deve passar por avaliação médica, já que, segundo a defesa, é cardiopata, tem quatro stents no coração e faz uso contínuo de medicamentos.
Sobre o imóvel onde ocorreu o crime, a defesa afirmou que Bernal reside no local e também mantém ali o escritório profissional. Segundo Mezza, embora exista ação de cobrança movida pela Caixa Econômica Federal e trâmite de leilão, o processo não estaria finalizado. “Não havia emissão na posse, não havia mandado de reintegração ou oficial de justiça”, declarou.
O advogado afirmou que a delegada responsável requisitou imagens à empresa de segurança New Line e que a polícia também apreendeu celulares para análise. “Posteriormente nós teremos acesso até para utilizar na defesa”, disse. Ele acrescentou que Bernal está “consternado com o óbito” e “muito triste”, e que se arrepende do ocorrido.
Prisão preventiva
A prisão preventiva foi decretada após audiência de custódia realizada nesta quarta-feira (25). Bernal foi autuado em flagrante após atirar contra o fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, na tarde de terça-feira (24), em uma residência na Rua Antônio Maria Coelho, no bairro Jardim dos Estados, em Campo Grande.
De acordo com informações apuradas no local, a vítima foi atingida por dois disparos de arma de fogo e apresentava três perfurações. Um dos tiros atravessou o tórax. Equipes de socorro realizaram manobras de reanimação por cerca de 25 minutos, mas Mazzini não resistiu aos ferimentos. A Polícia Civil investiga as circunstâncias e a motivação do crime.
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