Em pleno período de arboviroses, indústria é peça-chave na redução de criadouros de mosquitos da dengue

FOTO: NILSON FIGUEIREDO
FOTO: NILSON FIGUEIREDO

Pirólise de pneus impulsiona economia e ajuda a combater problemas ambientais em Sete Quedas

Localizada no bairro Parque Industrial Taquarussu, às margens da MS-040, em Sete Quedas, a 7K Pirólise tem inovado no mercado de reaproveitamento de pneus inservíveis, apostando no processo químico da pirólise, no qual todos os materiais que compõem um pneu são extraídos para a produção de insumos industriais como bio-óleo, ferro e carbon black, também conhecido como negro de fumo.

Com uma estrutura planejada e maquinários originários da China, o proprietário do local, o empresário William Colonna, fez algumas modificações para que o processo fosse mais rentável e o mais limpa possível, evitando que o negro de fumo, por exemplo, que é uma poeira fina e altamente pigmentada fosse dispersa no ar, evitando transtornos para o meio ambiente e para os moradores do entorno.

Entre outras melhorias feitas no maquinário está um sistema que conta com porcelana para filtragem e estruturas feitas de lã de vidro, pelo qual a fumaça residual passa antes de ser dispersada. Quando em funcionamento, a fumaça solta pela chaminé da caldeira tem a cor praticamente branca, sendo classificado como 1 na Escala Ringelmann, que mede o quanto uma indústria é poluente, sendo que o primeiro nível demonstra um processo quase limpo.

“Desenvolvi um filtro de água para a fumaça que é bem eficiente. Primeiro, ela sai e bate nas peças de porcelanas que, com a água, refrigera. Isso faz com que 80% das partículas sejam dissipadas nesse processo. O restante passa por um filtro, que são três camadas de lã de vidro e, só então, vai pra fora pela chaminé”, explicou.

As mudanças no maquinário também aumentaram a produtividade e, agora, são extraídos maior quantidade de material em menos tempo, otimizando a operação. “Fomos de 36 horas para 20 horas em todo o processo”, afirma, destacando que desde a armazenagem do pneu, que é previamente cortado em grandes fatias evitando o acúmulo de água, até a forma como é depositado nas caldeiras foi repensado para maior eficiência.

“De 300 toneladas de pneus ao mês, extraímos 120 mil litros de óleo, com 30 % de negro de fumo e 25% de aço”, explica.

Emprego e qualificação

A empresa também é responsável por qualificar a mão-de-obra que emprega, oferecendo cursos e treinamento para que os funcionários sejam capazes de operar a caldeira, cortar pneus e ainda realizar manutenção periódica no maquinário, desenvolvendo capacidade de soldas de alto nível. Atualmente, a empresa emprega 22 pessoas, mas pode chegar a garantir trabalho para mais de 100 moradores de Sete Quedas e cidades da região.

“Quando geramos 120 empregos, ou até mais, em uma cidade de 10 mil habitantes, a gente muda a realidade de muita gente. Não tem apenas pessoas de Sete Quedas querendo trabalhar aqui, mas também de Tacuru e Paranhos. Quando você injeta dinheiro na economia, a cidade se desenvolve”, destacou.

Solução ambiental e para saúde pública

O passivo ambiental causado pelos pneus abandonados na cidade — problema comum na fronteira com o Paraguai, onde brasileiros muitas vezes vão comprar pneus novos e acabam descartando de forma irregular os usados — é um dos problemas que a empresa trabalha para resolver.

Em parceria com a prefeitura, que recolhe pneus abandonados, fazendeiros e estabelecimentos como borracharias, os pneus são destinados à indústria, sendo retirados da natureza, evitando poluição, bem como o aumento na incidência dos casos de dengue, zika e chikungunya, cujo principal vetor, o mosquito Aedes Aegypti se prolifera em água parada, sendo que pneus são um dos maiores criadouros para o mosquito.

Dessa forma, neste cenário em que MS vê aumentar a incidência dos casos dessas endemias, como já é registrado na própria cidade de Sete Quedas, onde, de acordo com os dados mais recentes da SES (Secretaria Estadual de Saúde), já foram registrados 87 casos de chikungunya apenas no começo de março, dar um destino correto para os pneus é um dos caminhos para começar a solucionar o problema.

“A acúmulo de pneus já é reconhecido como um problema de saúde pública por muitos prefeitos, especialmente na fronteira, onde estamos, mas a pirólise está aqui e estamos aperfeiçoando cada vez mais os processos para ter mais produtividade e conseguir extrair esses materiais tão valiosos de algo que iria ficar poluindo o meio ambiente”, afirmou o empresário.

Por Ana Clara Julião

 

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