Para moradores antigos, conferência internacional simboliza a nova fase do bairro
O bairro Nova Lima, localizado na região norte de Campo Grande, vive uma nova fase após anos de transformação urbana e crescimento populacional. Um dos bairros mais antigos da Capital passou por expressivas mudanças ao longo desse período. Para quem mora na região há muito tempo, a escolha do bairro para sediar atividades da COP15 sobre Espécies Migratórias evidencia a transformação do Nova Lima, lembrada por moradores que acompanharam de perto seu crescimento.
Hoje, o Nova Lima é o bairro mais populoso de Campo Grande e de Mato Grosso do Sul. Dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que a região ultrapassou o Aero Rancho em número de moradores e reúne atualmente 41.131 habitantes.
A menos de uma semana da realização da conferência — a COP15 (15ª Reunião da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres) — o bairro se prepara para receber visitantes de diferentes países. Entre os dias 23 e 29 de março, Mato Grosso do Sul sediará o encontro internacional, colocando Campo Grande no centro das discussões globais sobre sustentabilidade e proteção da fauna migratória.
Uma das principais áreas do evento será o Expo Bosque, espaço montado no Shopping Bosque dos Ipês, localizado na própria região.
A reportagem do jornal O Estado percorreu as ruas do bairro e conversou com moradores e comerciantes que acompanharam de perto essa transformação. Para quem vive no Nova Lima há décadas, a expectativa é de que a conferência internacional traga ainda mais visibilidade para a região.
Morador da região desde 1980, o vereador Carlos Augusto Borges (Carlão, PSB), 1º secretário da Câmara Municipal de Campo Grande, lembra que a realidade do bairro era muito diferente quando chegou ao local, ainda adolescente.
“Quando mudei para o Nova Lima, eu tinha 14 anos. Naquela época não tinha escola, não tinha água encanada e quase nenhuma infraestrutura. A água era fornecida pelo dono de uma serraria da região, o seu Nicolau, que deixava o pessoal buscar nos tambores”, recorda.
Segundo ele, cerca de 90% dos terrenos eram cobertos por mato e não havia pavimentação nas ruas. A primeira escola do bairro, a Lino Villachá, foi construída no início da década de 1980. Ao longo dos anos, a expansão urbana e obras de infraestrutura começaram a mudar o cenário da região.
“O Nova Lima cresceu muito nesses mais de 40 anos. Vieram asfaltamento, escolas, novos bairros ao redor e empreendimentos importantes. A construção do shopping impulsionou ainda mais esse desenvolvimento”, afirma.
Para o vereador, a realização da COP15 pode representar um novo momento para a região. “Esse evento vai ter um Nova Lima antes e um Nova Lima depois. Vai trazer visibilidade, oportunidades econômicas e pode atrair novos investimentos para o bairro”, avalia.
Comércio cresceu junto com o bairro
O empresário Alex Brandão Marques, de 31 anos, nasceu e cresceu no Nova Lima. A loja da família foi inaugurada pelos pais em 1994 e começou como uma pequena bicicletaria. “Naquela época quase não tinha nada no bairro. Não tinha asfalto, o comércio era muito pequeno. Meus pais foram pioneiros”, conta.
Com o crescimento da população, o comércio também se expandiu. A loja da família deixou de ser apenas bicicletaria e se transformou em uma loja de departamentos.
“Conforme o bairro foi crescendo, a gente foi crescendo junto. Hoje o comércio aqui é muito forte. Antigamente tudo precisava ir resolver no centro da cidade, agora muita coisa já se resolve dentro do próprio bairro”, afirma.
Para ele, a construção do Shopping Bosque dos Ipês teve papel importante nesse processo. “Quando anunciaram o shopping, começou um movimento grande de empresas vindo para a região. Isso ajudou muito o desenvolvimento do Nova Lima”.
Segundo o empresário, o bairro também chama a atenção de quem chega de fora. “Principalmente nos fins de semana, vem muita gente visitar a região. Muita gente se impressiona com o tamanho do bairro, o movimento do comércio e a infraestrutura. Como é um bairro popular, os preços são mais acessíveis e as pessoas costumam ser bem recebidas. A gente procura tratar bem quem vem de fora para que volte outras vezes”.
Memórias de quem viu o bairro mudar
Moradora do bairro há 40 anos, a dona de casa Maria Helena, de 70 anos, lembra de quando a região ainda era marcada por terrenos vazios e ruas sem pavimentação. “Quando cheguei aqui era só mato e buraco. Tinha pouquíssimas casas e até gente criando gado nos terrenos”, conta.
Segundo ela, o bairro começou a se transformar com a chegada de novos moradores e investimentos. “Hoje virou praticamente uma cidade. Tem mercado, clínica, farmácia, banco. Antes a gente até tinha vergonha de falar que morava no Nova Lima por causa da fama. Agora mudou tudo”.
Para a moradora, a realização da COP15 pode trazer ainda mais desenvolvimento para a região. “Acho que vai movimentar muito o bairro. Vai vir muita gente e isso ajuda o comércio e o crescimento do lugar”.
Mudanças no dia a dia
O servente Severino Vieira de Brito, de 67 anos, mora no bairro há cerca de dez anos e também observa mudanças na estrutura da região. “Antes era estrada de chão e matagal. Hoje tem asfalto, mais comércio e muito mais movimento”, relata.
Segundo ele, eventos realizados no shopping costumam refletir diretamente no bairro. “Quando tem evento ali no shopping, movimenta bastante as ruas e o comércio. Vem gente de fora e isso é bom para o bairro”.
Entre moradores e comerciantes, a expectativa é de que a conferência internacional traga ainda mais visibilidade para a região. Para quem acompanhou a transformação do bairro ao longo dos anos, receber visitantes de diferentes países simboliza a consolidação de uma nova fase do Nova Lima.