Após paralisação por atraso no pagamento, enfermeiros e técnicos da Santa Casa retomaram atividades

Foto: Santa Casa
Foto: Santa Casa

Em assembleia realizada no início da manhã dessa sexta-feira (6), enfermeiros e técnicos de enfermagem da Santa Casa de Campo Grande decidiram pela paralisação das atividades devido ao atraso no pagamento do complemento do piso salarial da categoria. O prazo para o repasse do recurso era até quinta-feira (5), o que não ocorreu. Segundo o sindicato da categoria, a decisão também foi motivada pela insegurança causada pelos recorrentes atrasos nos pagamentos.

De acordo com Lázaro Santana, presidente do SIEMS (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), o recurso destinado ao complemento do piso nacional da enfermagem é repassado pelo Governo Federal, mas precisa passar pelo município antes de chegar ao hospital.

“Nós recebemos a complementação do piso nacional da enfermagem por meio do Governo Federal. A Prefeitura já está com esse recurso há mais de 30 dias. O prazo venceu no início da semana e não houve devolutiva sobre o repasse à Santa Casa para o pagamento dos trabalhadores. Diante disso, decidimos suspender parcialmente as atividades até que o pagamento seja realizado”, afirmou.

Segundo ele, o prazo máximo para a transferência do recurso é de 30 dias. “A regra é que a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) faça a transferência em até 30 dias, mas esse prazo vem sendo extrapolado há vários meses”, acrescentou.

Os profissionais decidiram manter a paralisação até que o recurso seja disponibilizado. Ao todo, cerca de 1.450 profissionais da enfermagem atuam na Santa Casa, sendo aproximadamente 300 afastados por problemas de saúde. Nesta sexta-feira (6), metade dos trabalhadores está em atividade, e o restante, em paralisação.

Ao O Estado, a técnica de enfermagem Renata Inácio afirmou que o atraso gera insegurança financeira para os profissionais, já que o valor representa um complemento importante na renda. “Esse dinheiro é um complemento para a nossa renda. Aqui tem pais e mães de família que dependem dele para pagar as contas. O problema é que existe um prazo de 30 dias, mas a gente nunca sabe exatamente quando vai receber, então não dá nem para contar com esse valor no planejamento do mês. Isso gera muita insegurança para todos nós”, relatou.

Outra enfermeira, que preferiu não se identificar, afirmou que os atrasos têm se repetido nos últimos meses e gerado insatisfação entre os trabalhadores. “A gente se sente muito injustiçado porque não é a primeira vez que isso acontece. Já faz meses que enfrentamos atrasos e sempre ficamos sem resposta sobre quando o pagamento será feito. É uma situação desgastante para toda a categoria”.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o pagamento foi devidamente creditado nesta sexta-feira. “O atraso ocorreu em razão de um problema pontual no sistema operacional utilizado pela Secretaria em conjunto com a Caixa Econômica Federal, situação que já foi regularizada”, finalizou. A Santa Casa de Campo Grande também confirmou o fim da mobilização.

Por Geane Beserra

 

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