Alta recorde da soja e do milho impulsiona o PIB e fortalece cadeias produtivas em Mato Grosso do Sul
O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária brasileira cresceu 11,7% em 2025 na comparação com o ano anterior e atingiu R$ 775,3 bilhões, segundo dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O setor respondeu por 6,1% do PIB nacional no período.
O desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da produção e da produtividade agrícola. O milho registrou crescimento de 23,6% e a soja avançou 14,6%, ambos com recordes na série histórica. A pecuária também contribuiu para o resultado positivo, no quarto trimestre de 2025, a agropecuária cresceu 12,1%.
No consolidado, o PIB brasileiro somou R$ 12,7 trilhões em 2025, com alta de 2,3% frente ao ano anterior. O avanço foi influenciado pelo crescimento da agropecuária, da indústria (1,4%) e dos serviços (1,8%).
Para o economista Eduardo Matos, o resultado reforça a posição estratégica sul-mato-grossense. “Nosso Estado é altamente dependente do agronegócio. Quando o setor cresce acima de dois dígitos no país, o impacto aqui é ainda mais forte, porque ele representa uma fatia muito relevante do nosso PIB estadual”, afirma.
Segundo ele, o aumento da produção amplia a arrecadação e fortalece as finanças públicas. “Um crescimento robusto no campo gera reflexos amplificados em toda a cadeia produtiva, desde o transporte até o comércio”, destaca. Na pecuária, acrescenta, o efeito multiplicador também é evidente, com frigoríficos operando com maior capacidade e avanço das exportações.
Para o engenheiro agrônomo Arthur Rosa, os números expressivos da soja e do milho são resultado direto de investimento técnico e gestão eficiente. “O aumento de 23,6% na produção de milho e 14,6% na soja não acontece por acaso. É fruto de investimentos em tecnologia, melhoramento genético, manejo de solo, correção e adubação mais eficientes, uso de cultivares adaptadas ao clima da região e maior profissionalização da gestão rural”, explica.
Ele destaca ainda o papel da agricultura de precisão, do monitoramento climático e da integração lavoura-pecuária como fatores determinantes para elevar a produtividade. “Hoje o produtor trabalha com dados, planejamento e uso racional de insumos, o que aumenta a eficiência e reduz perdas”, afirma.
Pecuária e logística
No caso da pecuária, Arthur Rosa ressalta a intensificação dos sistemas produtivos. “A recuperação de pastagens degradadas, a suplementação estratégica, o melhoramento genético do rebanho e a integração lavoura-pecuária-floresta permitem ampliar a produção sem necessidade de abrir novas áreas”, pontua.
Outro ponto destacado por ele é a necessidade de investimentos em infraestrutura e logística. “Para manter esse ritmo de crescimento, é fundamental ampliar a capacidade de armazenagem, melhorar o transporte e garantir eficiência no escoamento da produção, reduzindo custos e perdas”, afirma.
Profissionais do campo
Com incentivo estadual e investimento em tecnologia, MS registra o maior crescimento do país em 2025.
O cenário positivo é reflexo direto do trabalho dos produtores rurais, que investem em inovação e gestão eficiente, aliados a um ambiente favorável proporcionado pelo Governo do Estado.
Histórias de sucesso ajudam a explicar o desempenho sul-mato-grossense. Na região de Bandeirantes, próximo à MS-245, a Fazenda Cachoeirão iniciou suas atividades em 1952, há 74 anos. Localizada em área de Cerrado, a propriedade tinha inicialmente na pecuária sua única alternativa econômica.
“Nesta época que meus pais começaram a criar gado aqui na fazenda, nem existia braquiária. Somente na década de 70 que a Embrapa trouxe a braquiária e começou a se formar as pastagens. Foi o primeiro grande avanço na pecuária em termos de produção”, relembra Nedson Rodrigues, um dos proprietários.
Em 1991, Nedson e o irmão assumiram a administração da fazenda e intensificaram o processo produtivo. A grande virada ocorreu em 2005, quando decidiram investir também na agricultura, mesmo diante de um solo considerado fraco e arenoso.
“Encaramos este desafio e começamos a integração de agricultura e pecuária. Com todas as tecnologias disponíveis vimos que era possível fazer uma boa produção de grãos, mesmo em terras mais fracas. Fomos pioneiros aqui na região”, afirma.
Atualmente, a fazenda mantém pecuária intensiva, com pastagens de excelente qualidade, e produção de grãos com alta performance. Na agricultura, são cultivados milho, soja e feijão. A propriedade também implantou sistema de irrigação para ampliar a produtividade.
A fazenda familiar possui 7,5 mil hectares, sendo 22% destinados à reserva legal. O restante da área é dividido entre pecuária e produção de grãos. Ao todo, são 37 funcionários registrados, além de trabalhadores terceirizados.
Reflexos em Mato Grosso do Sul
Com uma economia é fortemente baseada no agronegócio o crescimento expressivo da agropecuária tem impacto direto em Mato Grosso do Sul. Como um dos principais produtores nacionais de soja, milho, carne bovina e celulose, o Estado tende a sentir de forma intensa os efeitos da safra recorde. Levantamentos do resenha Regional divulgados Banco do Brasil, revela que o Estado obteve crescimento de 18,6% no PIB do agronegócio em 2025.
Por Ana Krasnievicz