No Batalhão da PMMS, 13 animais atuam ao lado de militares em operações diárias
No Batalhão de Choque da PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul), o faro apurado dos cães transforma treinamento em estratégia e parceria em resultado. Ao lado dos policiais, os animais integram operações contra o tráfico, localizam drogas e armas escondidas e reforçam ações táticas em todo o Estado, formando o chamado binômio, uma relação de confiança construída diariamente entre o homem e o cão.
Atualmente, a unidade tem 13 cães em atividade e 24 policiais no Pelotão Canil. Somente em 2026, já foram registradas 19 ocorrências com apoio dos animais, resultando na apreensão de mais de 950 quilos de entorpecentes.
Para apresentar a rotina de preparação e atuação dos cães, a reportagem do O Estado visitou a unidade especializada e conversou com o comandante do Canil do Batalhão de Choque da PMMS, tenente Conte.
“O trabalho do cão aqui no Batalhão de Choque funciona como se fosse mais um integrante da equipe. Nós temos os policiais, como em todas as nossas equipes, e o cão entra como um quinto integrante, uma ferramenta a mais de trabalho pela habilidade com o faro”, explicou.
Seleção e treinamento
De acordo com o tenente, a escolha dos cães passa por critérios técnicos e comportamentais. Algumas raças possuem características naturais voltadas para a atividade policial, mas nem todos os animais apresentam o perfil necessário para o trabalho operacional. “Existe um processo de seleção e, depois disso, são feitas ambientações, socialização e outros treinamentos até chegar à atividade principal, que é o faro”, explicou.
Atualmente, devido à demanda operacional, a unidade não realiza a formação completa desde filhotes. Em vez disso, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul tem adquirido cães já pré-treinados. “O canil faz todo esse preparo e entrega o cão para a gente com cerca de um ano de idade. Nós recebemos esses animais, avaliamos por meio de protocolos internos para verificar se têm o instinto necessário, se são confiáveis e se já foram apresentados aos odores utilizados no treinamento. Assim conseguimos identificar se o cão realmente está pronto para o trabalho, geralmente com idade entre um ano e um ano e meio”, afirmou.
Cuidados com os cães
Além do treinamento constante, os cães do canil recebem acompanhamento diário para garantir a saúde e o desempenho nas operações. A unidade conta com uma médica veterinária responsável pelos atendimentos e pelo monitoramento das condições físicas dos animais.
“Quando o policial assume o serviço, ele confere o estado geral do cão, verifica as patas e observa se há qualquer alteração. Além desse cuidado diário, temos o acompanhamento veterinário para medicação, tratamentos e atendimentos iniciais. Em casos de maior complexidade, buscamos suporte externo”, explicou o comandante do canil.
Vínculo entre cão e policial
Cada animal possui um condutor principal e um co-condutor, criando um vínculo essencial para o desempenho nas operações. Segundo o comandante, o contato diário fortalece a confiança entre o binômio e permite que o policial reconheça mudanças sutis de comportamento durante as buscas.
“Cada condutor trabalha com o seu cão. No dia de serviço, ele realiza o passeio, a atividade física e os treinos de faro e obediência. Esse contato contínuo vai criando o vínculo e a confiança. O condutor passa a conhecer cada detalhe e característica do animal”, explicou.
De acordo com o tenente, cada cão possui uma forma própria de indicar a presença de odores, o que exige experiência e observação constante. “Durante a busca, o policial precisa conhecer muito bem o seu cão. Ele é uma ferramenta de trabalho, mas também é um ser vivo, que pode apresentar dúvidas. Um condutor experiente percebe pequenas mudanças de comportamento e identifica quando o animal está detectando algum odor, mesmo que ainda não tenha localizado exatamente o ponto”, afirmou.
Além do vínculo profissional, a relação também se torna afetiva com o tempo. “É algo individual, mas acontece com frequência. Muitos policiais vêm ao batalhão durante a folga para passear com o cão ou levá-lo para casa para cuidados extras. Como os animais trabalham por cerca de seis a sete anos, é natural que esse vínculo também se torne afetivo”, destacou.
Participações em ocorrências
O Canil do Batalhão de Choque trabalha com quatro raças de grande porte: pastor-alemão, pastor-belga malinois, pastor-holandês e rastreador brasileiro. As equipes realizam fiscalizações em terminais rodoviários, rodovias e, quando solicitadas, prestam apoio em aeroportos e a outros órgãos de segurança. Os cães também participam de operações em estabelecimentos prisionais e ações táticas.
O canil mantém equipes nas ruas diariamente, com registros frequentes de apreensões. “Há situações em que a droga está muito bem ocultada, misturada com outros produtos, como café, ou escondida dentro de objetos comuns, como mochilas e garrafas térmicas. Já tivemos caso em que o entorpecente estava dentro de uma peça de gesso e só foi localizado após a insistência do cão”, relatou o tenente Conte.
Aposentadoria e adoção
Os cães permanecem em atividade, em média, até os sete ou oito anos, dependendo das condições físicas. Após esse período, passam pelo processo de aposentadoria.
A prioridade de adoção é dada ao próprio condutor, devido ao vínculo criado ao longo dos anos de trabalho. Quando isso não é possível, a unidade realiza um processo criterioso para garantir que o animal seja encaminhado a um novo lar adequado.
“Primeiro avaliamos se o policial tem interesse e estrutura para ficar com o cão. Caso contrário, buscamos pessoas de confiança para garantir que ele continue recebendo os cuidados necessários”, afirmou o comandante.
Por Geane Beserra
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