A decisão judicial que suspendeu a eleição antecipada da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Campo Grande abriu novo capítulo do Legislativo da Capital. Apesar da anulação, vereadores da base indicam que a composição deve ser mantida e que o presidente Epaminondas Neto (PSDB), o Papy, deve ser reconduzido ao comando da Casa quando uma nova eleição for realizada.
Papy afirmou que, até o momento, não tinha confirmação oficial da notificação, mas garantiu que a decisão será cumprida. “A decisão judicial é para cumprir, não tem o que discutir em relação a esse assunto”, declarou.
O presidente defendeu a legalidade da eleição antecipada, realizada conforme o regimento interno vigente à época. Segundo ele, a reeleição ocorreu “dentro da legalidade do nosso regimento, dentro da lei que naquele momento valia”. Ele explicou que o STF (Supremo Tribunal Federal) firmou novo entendimento no ano passado, proibindo a antecipação da eleição da Mesa, o que motivou a suspensão.
Para Papy, a decisão não gera efeitos práticos imediatos, já que o mandato da Mesa reeleita só teria validade a partir de 2027. “Suspendeu algo que ainda não valia. Então fica no mesmo tamanho”, pontuou. Ele afirmou ainda que o grupo político que o reconduziu permanece unido e demonstrou confiança em nova vitória. “Imagino que a gente vai ratificar isso numa próxima eleição, quando for possível refazer”.
O presidente também revelou que já havia entendimento interno para alterar o regimento e adequá-lo à nova orientação do STF, mas ponderou que discordava da aplicação retroativa da regra.
Parlamentares mantém apoio
Entre os vereadores, o discurso predominante é de respeito à decisão judicial e de manutenção da atual liderança. O vereador Carlão (PSB) foi enfático ao afirmar que a eleição “começa do zero”, mas garantiu apoio integral a Papy.
“A ordem judicial não se discute, se cumpre. E ela vai ser cumprida”, afirmou. Segundo ele, independentemente da data da nova votação, o grupo trabalhará para reeleger o atual presidente. “Nós vamos fazer a eleição do Papy, nós vamos ganhar a eleição de novo”.
Carlão disse ainda que não pretende disputar a presidência, apesar de poder se candidatar, e defendeu união interna. A vereadora Ana Portela, que assumiu como segunda vice–presidente na eleição suspensa, afirmou que a Casa deve recorrer da decisão para resguardar prazos, mas destacou satisfação com a atual condução da presidência. Segundo ela, a tendência é que a chapa seja mantida, mesmo que a nova eleição ocorra no fim do ano.
Já a vereadora Luiza Ribeiro, segunda secretária no biênio 2025/2026 e mantida na eleição antecipada, avaliou que a decisão não produz efeitos imediatos e que ainda há tempo para diálogo. Ela indicou que, na opinião da bancada do PT, a composição anterior deve ser preservada.
O vereador Dr. Lívio, que assumiu a primeira vice–presidência no lugar de André Salineiro na eleição anulada, também defendeu o cumprimento da decisão e reforçou apoio ao presidente. Segundo ele, não vê motivos para mudanças na composição, salvo se houver nova articulação interna ou candidatura alternativa.
Por Brunna Paula
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