A sessão é gratuita e destinada a todos que desejarem acompanhar a produção
No dia 26 de fevereiro, às 19 horas, o Teatro Mundo recebe a exibição do documentário “A Campo Grande de Roberto Higa”, aberta ao público. A sessão é gratuita e destinada a todos que desejarem acompanhar a produção, que presta homenagem a um dos principais nomes da fotografia sul-mato-grossense.
Com direção de Marinete Pinheiro e Israel Miranda, o filme parte da interpretação singular de Roberto Higa sobre Campo Grande. Mais do que retratar a cidade, Higa construiu uma memória visual que acompanha suas transformações sociais, políticas e urbanas ao longo das décadas.
O documentário tem como fio condutor algumas das imagens mais emblemáticas do fotógrafo, como o registro da demolição do antigo relógio da Rua 14, captado durante um dia e uma noite inteiros. A narrativa também percorre fotografias que revelam infâncias às margens do rio, cenas de vulnerabilidade social e momentos decisivos da formação do Estado.
A obra resgata ainda acontecimentos históricos marcantes, como a criação de Mato Grosso do Sul, além de retratos de personalidades e espaços que ajudaram a moldar a identidade regional. Higa transitou por diferentes realidades: frequentou ambientes da elite política e econômica, acompanhou o crescimento urbano, registrou o surgimento de bairros populares, como as Moreninhas, e documentou áreas institucionais como o Parque dos Poderes.
Segundo Marinete Pinheiro, a proposta foi ir além das imagens. “Eu quis ouvir as histórias por trás de cada fotografia, entender o que estava além do enquadramento. Ele não apenas registrou a cidade, ele viveu cada momento, circulou por todos os espaços, das áreas mais nobres às periferias. Essas imagens ajudam a compreender como a cidade se transformou e como ele se tornou parte dessa própria história”, afirmou à reportagem do Jornal O Estado.
Produção
A realização do documentário foi atravessada por um momento delicado na vida de Roberto Higa. Logo após a estruturação do projeto, o fotógrafo recebeu o diagnóstico de câncer na garganta e iniciou um tratamento intenso de quimioterapia. A equipe optou por respeitar o tempo e os limites impostos pela doença, mas decidiu manter no filme as imagens em que ele aparece com sonda, como registro honesto daquele período.
“Ele poderia ter interrompido tudo, mas disse que não deixaria essa história inacabada. Mesmo debilitado, fazia questão de falar sobre cada fotografia, de lembrar detalhes, de reconstruir cenas inteiras. A câmera era ligada e bastava uma pergunta para que ele começasse a narrar”, explica Marineti.
Mesmo fragilizado, Higa fez questão de cumprir o compromisso assumido com a diretora, reafirmando o senso de responsabilidade que sempre marcou sua trajetória em Campo Grande. As gravações ocorreram, em grande parte, em sua própria casa, um espaço de acolhimento constante, onde equipe e familiares compartilham conversas, memórias e afetos.
“Havia dias mais difíceis, limitações físicas, lapsos de memória, mas também uma lucidez emocionante quando se tratava da própria obra. Registrar esse momento foi delicado, porém necessário porque também faz parte da história”, completa a diretora.
Serviço: O filme será exibido no dia 26 de fevereiro, às 19h, no Teatro Mundo, localizado na R. Barão de Melgaço, 177 – Centro.
Amanda Ferreira