Com mais de 1,4 bilhão de habitantes e um dos crescimentos econômicos mais acelerados do mundo
Com a assinatura do acordo de cooperação entre os dois países, abre-se um amplo horizonte de oportunidades econômicas e estratégicas para o Brasil, com destaque especial para o estado de Mato Grosso do Sul, que pode se beneficiar da atração de investimentos, do fortalecimento da cadeia mineral e da inserção em um setor cada vez mais relevante no cenário global.
Segundo o economista Eduardo Matos, “o Brasil, considerando sua dimensão econômica e populacional, apresenta uma relação econômica e comercial ainda incipiente com a Índia. Se compararmos, por exemplo, com a União Euro peia, os Estados Unidos e a China, percebemos que as parcerias econômicas do Brasil com a Índia demandam maior desenvolvimento, especial mente no âmbito diplomático”.
A Índia, com mais de 1,4 bilhão de habitantes e um dos crescimentos econômicos mais acelerados do mundo, representa um mercado estratégico. “Um dos principais desafios nas trocas comerciais com a Índia, semelhante a um problema recorrente no Brasil, são as barreiras tarifárias”, explica Matos. A Índia mantém uma política protecionista, especialmente em relação a produtos de maior valor agregado. Dada a proeminência da China como exportadora de tecnologia e de insumos estratégicos, a penetração no mercado indiano representa um desafio para o Brasil.
Apesar dos desafios, há oportunidades concretas para Mato Grosso do Sul. No setor agropecuário, por exemplo, há grande demanda por carne bubalina na Índia devido a restrições culturais ao consumo de carne bovina. “O governo brasileiro tem interesse no consumo de carne de frango e, por isso, o fortalecimento da exportação desse produto para a Índia é uma das principais pautas”, afirma Matos. O economista destaca ainda o potencial da carne suína produzida em Mato Grosso do Sul, impulsionada por programas de incentivo, facilitação de crédito e a consolidação da Rota do Milho, que fortalece a integração produtiva e tecnológica entre cooperativas do sul do Brasil e o estado.
Além da agropecuária, produtos com valor agregado, como óleos de soja e milho e biocombustíveis, possuem grande potencial. “Mato Grosso do Sul tem recebido investimentos significativos na produção de etanol a partir do milho. A Índia possui uma grande demanda por energia, tornando os biocombustíveis produtos essenciais com potencial de mercado”, observa Matos. Outro setor promissor é a citricultura: o suco de laranja, cuja produção em Mato Grosso do Sul está em expansão, deve se beneficiar da instalação de indústrias próximas às áreas de cultivo, reduzindo custos logísticos.
O economista reforça que a parceria é estratégica para ambas as partes: “A Índia busca promover sua transformação de país emergente para um país tecnológico, exportador de serviços, conhecimento e tecnologia. Ao mesmo tempo, Mato Grosso do Sul busca diversificar seus parceiros comerciais e sua base produtiva. A diversificação da base produtiva e da carteira de clientes andam juntas, pois cada país tem seu perfil de consumo e importação, e cada produto encontra seu mercado mais adequado”.
Estreitar os laços entre Mato Grosso do Sul e a Índia não apenas fortalece a economia local, mas também posiciona o estado como parceiro estratégico em uma relação bilateral promissora, combinando agricultura, energia, tecnologia e oportunidades comerciais em se tores de alto valor agregado.
O acordo assinado Assinado neste sábado (21), o acordo de cooperação entre Brasil e Índia na área de minerais críticos e terras raras, considerados estratégicos para o desenvolvimento de tecnologias como veículos elétricos, smartphones, painéis solares e motores de aeronaves. O memorando de entendimento foi assinado entre os ministérios de Minas dos dois países e prevê a ampliação de investimentos e da cooperação em energias renováveis e na cadeia produtiva desses minerais.
A parceria ganha relevância no cenário internacional, já que o Brasil possui a segunda maior reserva de terras raras do mundo, atrás apenas da China, e a Índia busca reduzir sua dependência chinesa nesse setor. Brasil e Índia são parceiros estratégicos desde 2006, com cooperação em diversas áreas, e o Brasil é o principal parceiro comercial indiano na América Latina e no Caribe. Durante a agenda na Ásia, Lula também defendeu que os dois países ampliem o uso de moedas locais no comércio bilateral, descartando, porém, a criação de uma moeda comum no âmbito do Brics. O tratado terá validade inicial de cinco anos, com renovação automática por períodos iguais, salvo rescisão.
Por Ana Krasnievicz
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram
Leia mais
Inflação prevista cai para 3,91% em 2026; juros devem fechar o ano em 12,13%