PL aciona TSE para reunir provas contra Lula por desfile na Sapucaí

Lula fala com o mestre-sala da Acadêmicos de Niterói, escola rebaixada no Carnaval do Rio - Foto:  Reprodução
Lula fala com o mestre-sala da Acadêmicos de Niterói, escola rebaixada no Carnaval do Rio - Foto: Reprodução

O Partido Liberal (PL) protocolou nesta quinta-feira (19) um pedido no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para a produção antecipada de provas com o objetivo de apurar eventual abuso de poder político e econômico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o desfile da Acadêmicos de Niterói, no Carnaval de 2026, na Marquês de Sapucaí.

Segundo a legenda, a apresentação com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil” teria ultrapassado os limites da manifestação artística e se configurado como um “ato político-eleitoral” em ano de eleição. O documento, com 41 páginas, foi encaminhado ao corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Antonio Carlos Ferreira.

Neste momento, o PL não pede punição ao presidente. A solicitação tem como finalidade preservar documentos, comunicações e registros que possam embasar uma futura AIJE (Ação de Investigação Judicial Eleitoral). A sigla afirma que busca evitar o “perecimento de evidências” e reunir elementos técnicos para eventual responsabilização após Lula oficializar candidatura à reeleição.

Pontos sob investigação

Na petição, o partido elenca três eixos principais de apuração:

Financiamento do desfile: questionamento sobre o volume de recursos públicos destinados à escola de samba e eventuais repasses por meio de órgãos federais. O PL cita, inclusive, auditoria do TCU (Tribunal de Contas da União) que teria apontado indícios de violação ao princípio da impessoalidade e recomendado a suspensão de repasses;

Uso da máquina pública: investigação sobre possível atuação de servidores da Presidência da República na captação de patrocínios, organização de convidados para camarotes e articulação institucional em favor da escola;

Interferência no conteúdo artístico: alegação de que o governo teria influenciado diretamente a concepção do enredo e das alegorias, incluindo suposta participação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, em reuniões e ensaios.

O PL também questiona o conteúdo apresentado na avenida. De acordo com a legenda, o desfile não se limitou a narrar a trajetória pessoal do presidente, mas teria incorporado elementos típicos de campanha eleitoral, como a repetição de trechos associados a jingles de campanhas anteriores, referências ao número de urna “13”, uso de símbolos ligados ao PT e a exaltação de políticas defendidas pelo atual governo, como o fim da escala 6×1.

Além disso, o partido cita críticas diretas a adversários políticos, incluindo alegorias com representações satíricas do ex-presidente Jair Bolsonaro, argumentando que o conjunto teria configurado promoção pessoal em contexto eleitoral, com ampla transmissão e repercussão nacional.

A petição também destaca a presença de Lula no desfile, acompanhado da primeira-dama, ministros e aliados políticos, em camarote da Prefeitura do Rio de Janeiro. Segundo o PL, o presidente não teria comparecido à Sapucaí nos três anos anteriores de mandato, o que indicaria uma “quebra de padrão” justamente em ano eleitoral.

Por fim, o partido sustenta que Lula tinha conhecimento prévio da homenagem e teria aceitado o enredo ainda em 2025, em reunião com dirigentes da escola de samba. O pedido agora será analisado pelo TSE.

 

Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook Instagram

 

Leia mais

“Só semana que vem”, afirma Gerson Claro sobre nova composição na CCJR

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *