Nova adaptação dirigida por Emerald Fennell chega aos cinemas cercada de polêmicas e divide opiniões sobre clássico de Emily Brontë
Uma das histórias mais intensas e controversas da literatura inglesa retorna às telas brasileiras nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, com a pré-estreia da nova adaptação cinematográfica de “O Morro dos Ventos Uivantes”. A produção, que chega aos cinemas com 2 horas e 16 minutos de duração, revisita o drama romântico que atravessou gerações e agora ganha uma releitura contemporânea sob a direção de Emerald Fennell.
Estrelado por Margot Robbie, Jacob Elordi e Hong Chau, o longa mergulha na relação turbulenta entre Catherine Earnshaw e Heathcliff, personagens centrais de uma trama marcada por paixão arrebatadora, ressentimento e desejo de vingança. Ambientada em meio a conflitos familiares e tensões sociais, a narrativa propõe uma abordagem emocionalmente crua e visualmente impactante da obra original.
Publicado em 1847, o romance da escritora britânica Emily Brontë foi sua única obra e, à época do lançamento, causou estranhamento entre leitores e críticos por romper com os padrões literários.
A autora construiu personagens moralmente ambíguos e inseridos em estruturas familiares frágeis, explorando temas como abandono, violência doméstica, vícios e relações marcadas por dependência emocional. Ao contrário das histórias românticas idealizadas do período, o livro apresentou protagonistas complexos e uma dinâmica afetiva movida por obsessão e destruição mútua.
Produção
Ao longo das décadas, o romance de Emily Brontë inspirou inúmeras versões para o cinema e a televisão, consolidando-se como uma das obras mais revisitadas da literatura britânica. Entre as adaptações mais lembradas estão a produção hollywoodiana de 1939, a versão de 1992 protagonizada por Ralph Fiennes e o filme de 2011 comandado por Andrea Arnold. Em 2026, a história retorna às telas em uma nova interpretação que busca dialogar com o público contemporâneo sem perder o caráter sombrio que consagrou o livro.
A nova produção é assinada por Emerald Fennell, que assume tanto a direção quanto o roteiro, imprimindo ao projeto uma identidade autoral marcada por intensidade emocional e estética provocativa. O longa, uma coprodução britânico-americana com distribuição da Warner Bros., traz Margot Robbie no papel de Catherine Earnshaw e Jacob Elordi como Heathcliff.
A proposta enfatiza o viés gótico e a atmosfera de desejo e conflito que permeiam a relação dos protagonistas, explorando de maneira mais explícita a dimensão obsessiva que sustenta a narrativa.
A equipe técnica reúne nomes de destaque da indústria. A fotografia é comandada por Linus Sandgren, com filmagens realizadas em 35mm no formato VistaVision, recurso que reforça a grandiosidade visual das paisagens e a dramaticidade das cenas.
A trilha sonora conta com composições originais de Charli XCX, acrescentando uma camada contemporânea ao clássico do século XIX. As gravações ocorreram no Reino Unido em 2025, incluindo estúdios em Elstree e locações naturais em regiões de Yorkshire, como Arkengarthdale, Swaledale e Low Row, cenários que contribuem para a ambientação austera e melancólica da história.
Críticas e polêmicas
Embora tenha estreado recentemente nos cinemas, a nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes já provocou debates intensos. Um dos pontos que reacenderam discussões foi a escolha de Jacob Elordi para interpretar Heathcliff.
No romance original, publicado em 1847, Emily Brontë descreve o personagem como um homem de pele escura e aparência associada a origens étnicas não britânicas, possivelmente ligadas a comunidades portuárias. Ao longo da história das adaptações, poucas produções exploraram essa característica, a versão de 2011 foi uma das raras a escalar um ator negro para o papel.
Outra controvérsia envolve o tom adotado pelo filme. A partir do trailer e das primeiras críticas internacionais, parte do público passou a classificar a obra como excessivamente sensual, intensa e provocativa, com forte carga erótica e atmosfera considerada por alguns como perturbadora.
Nos comentários do trailer oficial divulgado pela Warner Bros. no YouTube, que já ultrapassa 25 milhões de visualizações, internautas questionaram escolhas estéticas e narrativas. Uma usuária escreveu: “O problema não é ter cenas eróticas em filme, mas sim mudar completamente o teor da história, que não é sexual e muito menos ‘alegre’. Abriram mão da tensão melancólica e gótica para criar outra coisa”.
Apesar das críticas, a recepção especializada tem sido majoritariamente positiva. Na plataforma Rotten Tomatoes, o longa registra 72% de aprovação. O New York Post avaliou que a diretora Emerald Fennell se distancia da obra literária original, mas constrói um drama arrebatador.
Segundo o jornal, “os tradicionalistas podem reclamar da transformação do romance, mas o filme acerta ao explorar o conflito interno que nos faz torcer por Heathcliff e Cathy, mesmo sabendo que não deveríamos”. Já no site AdoroCinema, a jornalista Aline Pereira comparou a intensidade da relação retratada a um “Cinquenta Tons de Cinza para uma nova geração”, destacando a dinâmica de poder e a carga emocional exacerbada do casal.
Para conferir datas e horários das exibições, o público deve consultar a programação nos sites das redes de cinema ou nas plataformas oficiais de venda de ingressos.
Amanda Ferreira
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