As bancadas se reorganizam após o recesso e projetam atuação para o ano político
A retomada dos trabalhos legislativos nesta semana na Câmara Municipal de Campo Grande marcou também um período de reorganização interna das bancadas partidárias, com mudanças, reconduções e acordos de rodízio nas lideranças. O movimento, comum no início do ano legislativo, ganha relevância em 2026 por ocorrer em um cenário de rearranjos políticos, redefinição e preparação para disputas futuras, inclusive eleitorais. As trocas refletem tanto decisões internas dos partidos quanto combinações previamente firmadas entre os parlamentares.
No PP (Progressistas), a liderança de bancada passa por alteração. O professor Riverton deixa a função, que agora será exercida pelo vereador Maicon Nogueira. A mudança segue uma avaliação interna da sigla, que optou por renovar a representação da bancada na interlocução com a Mesa Diretora, o Executivo e os demais partidos.
No MDB, a troca ocorre em razão de um critério político e organizacional. Jamal deixa a liderança por já ocupar a presidência municipal da sigla, abrindo espaço para Júnior Coringa assumir a função. A decisão também buscou dar oportunidade a outro parlamentar da bancada, fortalecendo a participação coletiva. Ao comentar a nova etapa com o Jornal O Estado, Júnior Coringa destacou que a liderança é indicada anualmente e que houve diálogo prévio com Jamal para a renovação do seu nome. Segundo ele, a prioridade do MDB será a construção de uma bancada forte e alinhada com as diretrizes estadual e municipal do partido.
O vereador afirmou ainda que pretende se reunir com Jamal para dialogar com André Puccinelli e Moka, referências estaduais do MDB, com o objetivo de alinhar pautas não apenas de Campo Grande, mas também dos vereadores do interior. Entre os temas centrais está a saúde pública. De acordo com Júnior Coringa, Jamal está estruturando uma pauta a ser apresentada ao novo secretário municipal de Saúde, e a bancada aguarda esse diálogo para definir os próximos passos. Ele reforçou que, neste momento, o MDB adota uma postura independente, não se posicionando formalmente nem como base nem como oposição ao Executivo. “O MDB sempre foi um partido tranquilo. Não é um partido que faz oposição e a gente já determinou que vamos ser independentes. Então vai ser um ano tranquilo”.
No PL, a liderança também passa por mudança previamente acordada. O vereador Rafael Tavares deixa o posto para dar lugar a Ana Portela. A alternância já havia sido decidida entre os pares, como parte de um compromisso interno de rotatividade, prática adotada por alguns partidos como forma de distribuir responsabilidades e ampliar a experiência política dos parlamentares.
Já no União Brasil, a tendência é de continuidade. Fábio Rocha deve permanecer na liderança da bancada, mantendo a linha de atuação adotada no período anterior. O mesmo ocorre no PSDB, onde Victor Rocha segue como líder. “É uma liderança aceita por todos nós, não houve conversa para a troca”, afirmou Flávio Cabo Almi
No Podemos, a definição da liderança leva em conta o histórico recente e a composição atual da Mesa Diretora. Clodoilson Pires já exerceu a liderança na primeira e na segunda legislaturas, assim como Ronilço também já ocupou a função. No entanto, como Ronilço integra atualmente a Mesa Diretora no cargo de terceiro-secretário, a decisão foi pela permanência de Clodoilson Pires na liderança da bancada, garantindo equilíbrio entre as funções administrativas e políticas.
No Avante, há um acordo de alternância entre os vereadores Leinha e Wilson Lands. Pelo combinado, cada um exerceria a liderança por um ano. Wilson Lands ficou com a função em 2025, e a expectativa é de que Leinha assuma agora. Questionado sobre prioridades, Leinha afirmou que o partido aguarda um alinhamento com a direção nacional antes de definir os principais eixos de atuação da bancada.
No campo da esquerda, o PT também promove mudança em sua liderança. A vereadora Luiza Ribeiro assume a liderança da bancada em 2026, em decisão tomada pelo presidente do diretório municipal, Pedro Kemp, após consenso entre os vereadores sobre a adoção de um rodízio na função. Em 2025, a liderança foi exercida por Jean Ferreira. Além deles, o PT conta com o vereador Landmark, conhecido pela atuação junto aos movimentos sociais, especialmente nas pautas de terra, moradia e trabalho decente.
As definições das lideranças ocorrem em um momento em que a Câmara retoma oficialmente suas atividades, com os blocos partidários se reorganizando para enfrentar o novo ciclo legislativo.
Por Sarah Chaves
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