Novembro fecha com excesso de chuva em Campo Grande, e dezembro terá risco maior de tempestades em MS

Foto: Reprodução
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Enquanto isso, meteorologia alerta de que Pantanal enfrenta déficit de até 94%

Mato Grosso do Sul encerrou novembro com um comportamento de chuvas marcado por contrastes, acumulados acima da média em várias regiões e déficit severo em áreas do Pantanal. Em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado, o meteorologista Natalio Abrão avaliou o mês e trouxe projeções para dezembro, reforçadas pelos dados do Cemtec/SEMADESC (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima).

Segundo Abrão, “Mato Grosso do Sul teve chuvas muito favoráveis. A maioria dos municípios atingiu as médias esperadas para o mês”. Em Campo Grande, porém, a chuva se concentrou em pontos específicos da cidade, ultrapassando em muito os índices históricos. A média para novembro é de 164,2 mm, mas bairros como Carandá Bosque registraram mais de 253 mm, a Vila Progresso chegou a 256 mm, e o Jardim Panamá acumulou 240 mm. No geral, a Capital fechou o mês com aproximadamente 225 mm, o que representa um volume entre 20% e 25% acima do esperado.

O excesso trouxe transtornos em alguns dias, com ocorrência de enchentes em áreas vulneráveis. Ainda assim, o meteorologista reforça que os volumes foram positivos para o sistema hídrico do eEstado

Centro, sul e sudeste com chuva elevada

Os dados de precipitação acumulada entre 1º e 15 de novembro mostram que as regiões centro, sul e sudeste registraram os maiores volumes, entre 90 e 150 mm, enquanto grandes áreas da região pantaneira, além do norte e nordeste do estado, ficaram entre 0 e 60 mm no período

O município com maior acumulado na primeira quinzena foi Bela Vista, com 210,6 mm, índice 31% acima da média mensal histórica. Outros municípios também ficaram acima da média: Amambai, com 204 mm (+27%); Rio Brilhante, com 203,5 mm (+27%); Angélica, com 194,6 mm (+23%); Ivinhema, com 165,4 mm (+11%); e Dourados, com 159,8 mm (+6%). Campo Grande, considerando apenas o período entre os dias 1º e 15, registrou entre 152,8 mm e 181,4 mm nas diferentes estações analisadas — valores entre 7% e 11% acima da média histórica para o mês inteiro.

O sudeste do estado, especialmente os municípios de Ivinhema, Novo Horizonte do Sul, Naviraí e Bataguassu, apresentou volumes próximos ao dobro da média histórica. “Choveu bastante, a agricultura daquela região está contente com o clima”, avaliou Abrão.

Na contramão, o Pantanal registrou os menores índices do estado, com municípios acumulando menos de 50 mm na quinzena. Corumbá apresentou alguns dos números mais baixos: na estação da Fazenda Xaraés, por exemplo, choveu apenas 6,6 mm, o que representa um déficit de 94% em relação à média histórica. Nhumirim, na região da Nhecolândia, teve 8,8 mm, também 94% abaixo do esperado. Em Miranda, o acumulado foi de 22,2 mm, déficit de 85%, enquanto Inocência ficou com 18,6 mm, um desvio de 87%. Mais de 40 municípios registraram volumes abaixo da média mensal.

Capital tem variação de até 46 mm entre estações

Em Campo Grande, o relatório técnico do Cemtec mostra que, entre os dias 1º e 15 de novembro, a estação meteorológica da UFMS registrou 181,4 mm, valor 11% acima da média. No Jardim Panamá foram 175,2 mm (+7%), e na Vila Santa Luzia, 174,6 mm (+7%). Já a estação da UPA Leblon acumulou 152,8 mm, ficando 7% abaixo da média, e a estação do INMET na Embrapa registrou 135,6 mm, déficit de 17%.

Essa variação entre 135 mm e 181 mm em diferentes pontos da capital confirma a forte heterogeneidade da chuva, reflexo de temporais localizados, típicos do período pré-verão. Essa distribuição irregular contribuiu para os alagamentos registrados em áreas como o Centro, regiões próximas ao Segredo e avenidas com drenagem insuficiente.

Dezembro terá maior risco de tempestades

Para dezembro, aparentemente o Estado deve retomar padrões mais próximos do comportamento histórico. “A tendência é que as chuvas se normalizem, atingindo as médias esperadas ou ficando um pouco abaixo, mas sem prejudicar a agricultura, que deve ter chuvas bem distribuídas”, explica Abrão.
No entanto, o meteorologista faz um alerta importante: “O mês de dezembro é o mês de maior intensidade de descargas elétricas e rajadas de vento, que podem trazer transtornos não só nas cidades, como também no campo”.

Sobre as temperaturas, Abrão indica que devem seguir elevadas, com eventuais reduções rápidas, mas sem impacto nas médias mensais.

A distribuição das chuvas também deve seguir padrões conhecidos. Regiões norte, nordeste e leste, especialmente Três Lagoas, Inocência, Selvíria e Bataguassu, devem concentrar os maiores volumes do mês e podem registrar excessos que provoquem transtornos. Para Campo Grande, a expectativa é de acumulados um pouco acima da média, que varia entre 215 e 220 mm, com possibilidade de enchentes significativas em bairros já afetados em novembro.

Pantanal com chuvas abaixo da média

Enquanto o sudeste comemora os volumes favoráveis para a agricultura, o Pantanal segue com forte déficit. Municípios que ficaram até 90% abaixo da média dependem de um mês de dezembro mais regular para recuperar níveis de solo e estabilidade hidrológica. Caso contrário, a estiagem pode se prolongar durante o verão, afetando navegação, pastagens e a dinâmica natural dos corixos.

Dezembro exige atenção às áreas vulneráveis

“Viramos novembro com chuvas favoráveis e deveremos ter dezembro com chuvas dentro ou próximo das médias esperadas para todo o estado”, resume Abrão.
Com cheias localizadas na capital, volumes abundantes no sudeste e forte escassez no Pantanal, o mês de dezembro reforça a necessidade de monitoramento constante e atuação preventiva dos municípios. Principalmente devido ao agravante de tempestades mais intensas, raios, ventos fortes e risco de enchentes urbanas.

 

Suelen Morales

 

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