Levantamento do O Estado aponta também disparada no arroz e grande variação de preços em produtos essenciais
Em meio a um cenário de instabilidade nos preços de itens essenciais, a pesquisa semanal da cesta básica realizada pelo O Estado identificou forte pressão inflacionária em produtos alimentícios e de higiene em Campo Grande. O levantamento, feito na sexta-feira (02), revela aumentos significativos e ampla variação de preços entre estabelecimentos da Capital, o que reforça a percepção de que o custo de vida segue em trajetória de alta.
O destaque negativo ficou por conta do arroz, um dos principais itens da alimentação do brasileiro. Em apenas sete dias, o produto registrou alta de 24%, sendo encontrado por até R$ 18,98 em um supermercado da cidade. A elevação acende um alerta, já que o grão é considerado base da dieta nacional e tem peso relevante no orçamento das famílias, especialmente entre as de menor renda.
Outro item que chama atenção é o café.
O tradicional café Três Corações apresentou variação de 39% entre estabelecimentos, com o menor preço registrado em R$ 25,89 e o maior chegando a R$ 35,99. A diferença evidencia a importância da pesquisa antes da compra, especialmente em produtos de consumo diário. Especialistas apontam que fatores como clima nas regiões produtoras e custos logísticos ajudam a explicar essa volatilidade.
Entre os industrializados, o extrato de tomate também apresentou oscilação relevante, com variação de 38%. O item foi encontrado entre R$ 5,75 e R$ 7,99, reforçando a tendência de instabilidade mesmo em produtos básicos da despensa. Ainda que seja um item de menor valor unitário, sua presença frequente nas compras mensais amplia o impacto acumulado no orçamento.
No setor de higiene pessoal e limpeza, o cenário é ainda mais desafiador. O creme dental lidera a variação percentual, com diferença de 79% entre o menor preço (R$ 5,09) e o maior (R$ 7,15). Já o papel higiênico registrou variação de 44%, sendo encontrado entre R$ 26,90 e R$ 32,99. Esses produtos, embora não alimentícios, são indispensáveis e têm peso significativo na composição da cesta básica ampliada.
Itens considerados simples, mas indispensáveis no dia a dia, também sofreram oscilações expressivas. A esponja de aço variou 52%, com preços entre R$ 1,89 e R$ 4,79, enquanto o alho apresentou variação de 60%, sendo comercializado de R$ 13,90 a R$ 22,30. No caso do alho, questões relacionadas à importação e à oferta interna costumam influenciar diretamente os preços.
Hortifrutigranjeiros
A maçã foi o produto com maior disparidade de preços. A variação chegou a 118%, com valores entre R$ 6,49 e R$ 10,90. A diferença reflete fatores como origem, qualidade, sazonalidade e logística de distribuição, que impactam diretamente o valor final ao consumidor.
O cenário reforça o impacto direto da inflação no cotidiano do consumidor campo-grandense. Com oscilações tão expressivas em um curto período, o hábito de pesquisar preços deixa de ser opcional e passa a ser essencial para manter o equilíbrio financeiro dentro de casa. Além disso, consumidores têm buscado alternativas, como substituição de marcas e redução no volume de compras, como forma de driblar a alta dos preços e preservar o orçamento familiar diante de um cenário ainda incerto.
Por Ana Krasnievicz
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