Falta de insumos e atraso no pagamento da equipe médica provocaram a nova restrição
Menos de um mês após divulgar um déficit financeiro de R$124,582 milhões, a Santa Casa de Campo Grande anunciou que irá suspender os atendimentos ambulatoriais e as cirurgias eletivas. A decisão foi comunicada na quarta-feira (29), em vídeo publicado nas redes sociais pela diretora clínica do hospital, Izabela Falcão, que atribuiu a medida à falta de insumos básicos, materiais cirúrgicos e ao atraso no pagamento de médicos.
Segundo ela, a medida foi definida em conjunto com os chefes de serviço diante das dificuldades enfrentadas pelo hospital. “Mediante a escassez de insumos básicos, materiais cirúrgicos e o atraso de pagamento dos médicos PJs e autônomos, deliberamos que iremos paralisar os atendimentos ambulatoriais e também suspender as cirurgias eletivas”, afirmou.
A diretora clínica também informou que, caso a situação não seja resolvida em até 30 dias, os médicos das especialidades envolvidas no movimento pretendem pedir desligamento coletivo da instituição. Participam da decisão profissionais das áreas de cirurgia geral, cirurgia pediátrica, cirurgia cardíaca, cirurgia cardíaca pediátrica, cirurgia vascular, cardiologia intervencionista, urologia, ortopedia, radiologia, radiologia intervencionista, ultrassonografia e psiquiatria.
Os atendimentos de hematologia, oncologia e da equipe de transplante renal, segundo a médica, continuarão sendo realizados devido à complexidade dos pacientes. Ela também informou que o CRM (Conselho Regional de Medicina), o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) e as secretarias municipal e estadual de Saúde já foram comunicados sobre a decisão.
Até o fechamento desta edição, a Santa Casa não havia informado a data em que a suspensão dos atendimentos começará a ser adotada.
Déficit já indicava agravamento da situação
Os problemas enfrentados pela instituição já haviam sido apresentados no balanço divulgado no último dia 6, quando a Santa Casa informou déficit de R$124.582 milhões em 2025, aproximadamente R$26 milhões acima do registrado no exercício anterior.
No parecer das demonstrações financeiras, a auditoria independente classificou o cenário como uma “incerteza relevante” sobre a capacidade de continuidade operacional do hospital.
Na época, a Santa Casa atribuiu o agravamento das contas à insuficiência do contrato de prestação de serviços firmado com o município, gestor pleno da saúde, e afirmou que as negociações para revisão do acordo se arrastam há cerca de dois anos. A instituição também informou que ajuizou ações para cobrar valores que considera devidos pelos governos federal, estadual e municipal.
Ministério Público acompanha desabastecimento na rede
Enquanto a Santa Casa anuncia a suspensão de parte dos serviços, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul instaurou procedimento administrativo para acompanhar a regularização do abastecimento de medicamentos na rede pública municipal de saúde.
O procedimento, publicado no Diário Oficial do MPMS desta quinta-feira (30), tem como objetivo fiscalizar as medidas adotadas pelo município para regularizar o abastecimento de medicamentos nas unidades de saúde.
A reportagem procurou a Sesau para saber quais medicamentos estão em falta atualmente, quais providências estão sendo tomadas para normalizar o abastecimento e de que forma o município pretende enfrentar os impactos do anúncio feito pela Santa Casa.
A SES (Secretaria de Estado de Saúde) também foi questionada sobre as medidas que pretende adotar diante da situação do hospital. Até o fechamento desta edição, os dois órgãos não haviam se manifestado.
Por Biel Gill
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