Santa Casa alerta para risco de colapso e pede revisão de contrato para reduzir déficit

Foto: Maria Clara Sousa
Foto: Maria Clara Sousa

Hospital aponta déficit mensal de R$ 14 milhões e cobra remuneração compatível pelos serviços prestados.

A Santa Casa de Campo Grande lançou, na manhã desta segunda-feira (27), a campanha “SOS Santa Casa – A Saúde Não Espera!” para chamar a atenção do poder público e da sociedade sobre a situação financeira enfrentada pela instituição. Durante coletiva de imprensa, a direção do hospital afirmou que a defasagem da tabela do SUS (Sistema Único de Saúde), utilizada como referência para a remuneração dos serviços, provoca um déficit mensal de aproximadamente R$ 14 milhões, compromete a sustentabilidade da unidade e agrava os desafios relacionados à superlotação do pronto-socorro.

Participaram da coletiva a presidente da Santa Casa, Alir Terra Lima, o coordenador do pronto-socorro, Dr. Marcos Bonilla e a diretora técnica do hospital Dra. Patricia Berg.

Segundo a presidente, a instituição convive há anos com reajustes inferiores aos custos necessários para manter sua estrutura em funcionamento. Ela ressaltou que os recursos recebidos pelo hospital não são repasses financeiros, mas remuneração pelos serviços efetivamente prestados.

“Ressalto que não se trata de ‘repasse’, mas sim de remuneração por serviços prestados, uma vez que emitimos notas fiscais. Embora contemos com uma verba fixa para a manutenção da estrutura, a sustentabilidade da instituição depende diretamente do volume de atendimentos executados.”

De acordo com Alir Terra Lima, o déficit mensal da Santa Casa, considerando os contratos firmados com o Município de Campo Grande e o Governo de Mato Grosso do Sul, gira em torno de R$ 14 milhões, valor que, segundo ela, corresponde à necessidade de atualização da tabela de remuneração utilizada pelo hospital.

Superlotação amplia os desafios

Além das dificuldades financeiras, a direção da Santa Casa chamou a atenção para a superlotação da unidade, especialmente no setor de urgência e emergência.

Segundo a presidente, é necessário diferenciar o problema do financiamento da assistência da questão logística relacionada ao fluxo de pacientes.

A Santa Casa é um hospital terciário, referência em atendimentos de média e alta complexidade. No entanto, uma parcela significativa da demanda é composta por pacientes classificados na chamada “área verde”, cujos casos poderiam ser resolvidos em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) ou em hospitais de menor porte.

“A Santa Casa é um hospital terciário, focado em média e alta complexidade. Atualmente, enfrentamos uma demanda excessiva na ‘área verde’ casos de menor complexidade que deveriam ser resolvidos nas UPAs ou em hospitais de menor porte.”

Segundo a presidente, manter uma porta aberta de urgência e emergência exige equipes médicas especializadas em tempo integral, incluindo profissionais como neurocirurgiões e cardiologistas, o que eleva significativamente os custos operacionais.

Campanha busca mobilizar sociedade e gestores

Lançada na última sexta-feira (25), a campanha “SOS Santa Casa” surgiu como resposta ao agravamento da crise financeira e ao aumento da demanda por atendimentos de alta complexidade, muitos deles decorrentes de acidentes.

Durante a coletiva, o coordenador do pronto-socorro, Dr. Marcos Bonilla, afirmou que o hospital necessita da implantação de quatro novos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para atender pacientes internados na “área vermelha” que aguardam vagas em terapia intensiva.

Segundo ele, manter esses pacientes recebendo assistência intensiva fora do ambiente adequado exige equipes médicas e multiprofissionais exclusivas, aumentando ainda mais os custos da instituição.

Prioridades financeiras

A presidente explicou que a prioridade da administração é manter em dia a folha de pagamento dos funcionários contratados pelo regime CLT e garantir o abastecimento de medicamentos e insumos hospitalares.

Ela reconheceu, entretanto, que existem débitos com pessoas jurídicas responsáveis pela prestação de serviços médicos terceirizados.

“Precisamos honrar esses compromissos para evitar que esses profissionais interrompam a prestação de serviços. Em nossa hierarquia de prioridades, a aquisição de medicamentos e insumos é inegociável, pois a vida do paciente é o nosso bem maior.”

Hospital apresenta plano de contingência

Durante a coletiva, a direção alertou que, caso não ocorra o reajuste da remuneração pelos serviços prestados, poderá alterar o fluxo de atendimento da instituição.

“Caso não haja o reajuste na remuneração pelos serviços prestados, o plano da instituição será estabilizar os pacientes conforme as normas do Conselho Federal de Medicina e, em seguida, encaminhá-los via regulação para outras unidades hospitalares. Não é possível sustentar a operação sem a devida contrapartida financeira pelo serviço executado.”

Apelo à população

No encerramento da coletiva, a presidente fez um apelo para que a população contribua com a redução da superlotação da Santa Casa.

Ela orientou que, sempre que possível, a população adote medidas preventivas para evitar acidentes domésticos e de trânsito e procure inicialmente as unidades básicas de saúde ou as UPAs em casos de menor gravidade.

Segundo a presidente, a Santa Casa deve permanecer como referência para atendimentos de média e alta complexidade, garantindo maior agilidade aos pacientes que realmente necessitam de assistência hospitalar especializada.

Por Sandra Salvatierre

 

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