Declarações citam falta de medicamentos, filas em UPAs e demora para consultas e exames
O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Epaminondas Vicente Neto (Papy), afirmou que o Legislativo não vai admitir que a saúde pública da Capital continue deixando a população desassistida. A declaração foi publicada na aba de notícias do portal oficial da Câmara e ocorre em meio à pressão de vereadores pela abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a gestão da saúde municipal.
As críticas envolvem filas nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), falta de medicamentos e demora para agendamento de consultas e exames. Também está no centro do debate a alegação de subfinanciamento enfrentado pela Secretaria Municipal de Saúde (Sesau).
Ao longo de 2025, vereadores relataram dificuldades na fiscalização da pasta, especialmente durante o período em que a secretaria foi administrada por um comitê gestor, modelo adotado sem a figura formal de um secretário. A condução da saúde nesse período foi alvo de questionamentos dentro da Câmara.
“O secretário (Marcelo Vilela) se propôs a informar as questões da saúde de Campo Grande. A transparência na Sesau é importantíssima para a fiscalização do vereador. Quando temos a documentação necessária para fiscalizar, é um passo importante que o município dá para se defender de uma CPI. Há esse comprometimento em trazer as informações que os vereadores julgam necessárias para fiscalizar a saúde”, afirmou Papy.
O presidente reforçou que, independentemente do cenário financeiro apresentado, o foco deve ser o atendimento à população. “A Sesau alega que há um subfinanciamento dos recursos e está comprovando isso ao Ministério Público. Já que o problema é de ordem financeira, o Executivo precisa buscar esses recursos. Mas a Câmara não permitirá que a cidade fique desassistida e desabastecida de medicamentos”, completou.
Com a nomeação do secretário Marcelo Vilela, a estratégia, segundo a própria Câmara, tem sido ampliar o diálogo entre a pasta e o Legislativo. Em reunião realizada na Casa, o titular da Sesau apresentou informações sobre a situação da rede, incluindo demandas relacionadas ao abastecimento de medicamentos, estrutura das unidades e questionamentos sobre a possível CPI.
“Com a transparência, a Câmara consegue fiscalizar sem necessidade de instaurar uma CPI. Mas, se não houver acesso às informações, a CPI passa a ser o instrumento necessário para investigar, colher documentos e ouvir os responsáveis”, pontuou o presidente.
A equipe do Jornal O Estado entrou em contato com a Sesau para verificar as informações sobre falta de medicamentos, filas nas UPAs, demora para exames e a alegação de subfinanciamento. Até a publicação desta matéria, não houve retorno.
Confira as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram