Fiocruz indica que técnica pode reduzir até 66% a população do mosquito em bairros críticos
A segunda maior cidade de Mato Grosso do Sul, Dourados vive uma corrida contra o tempo na tentativa de frear o avanço dos casos de chikungunya e reduzir a sobrecarga na rede pública de saúde. Desta vez, o município por meio da Força Nacional do SUS (Sistema Único de Saúde) vai instalar armadilhas na região do Jóquei Clube e no bairro Santa Felicidade.
As chamadas EDLs (Estações Disseminadoras de Larvicidas) funcionam como recipientes com água e uma tela impregnada com larvicida. A fêmea do mosquito é atraída para o local, entra em contato com o produto e, ao se deslocar para outros criadouros, acaba contaminando a água desses ambientes, eliminando larvas e pupas.
As Estações foram desenvolvidas pelo Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia, da Fiocruz Amazônia. Na fase de teste, a estratégia foi aprovada em 14 cidades brasileiras, de diferentes regiões do país. Em Brasília, por exemplo, os estudos mostraram uma redução de 66,3% na densidade de mosquitos adultos. Já em Fortaleza, Manaus e Marília, houve redução nos casos de dengue nas áreas onde as estações foram implantadas, quando comparados com outras áreas sem o equipamento.
Neste primeiro momento, Dourados recebeu 300 armadilhas, com previsão de chegar a 1.000 unidades até a próxima semana. Os equipamentos permanecem instalados nos imóveis e passam por manutenção a cada 30 dias, com troca do material. Este suporte chega no momento em que a cidade soma 1.638 casos prováveis e 780 confirmações da doença, com taxa de positividade de 78,15%. Ao todo, são 37 pessoas internadas, sendo a maioria no Hospital Universitário. O município já confirmou cinco mortes pela doença, com vítimas entre um mês e 73 anos, todas na aldeia Bororó. No local, existem 147 casos confirmados.
De acordo com o consultor técnico do Ministério da Saúde, Pedro Araújo cada uma das unidades serão instaladas em locais previamente analisados, tendo em conta a alta concentração de casos confirmados na cidade.
“O mosquito costuma voar até cerca de 300 metros, por isso os dispositivos são posicionados em pontos estratégicos dentro dos bairros”, explicou.
Decreto emergencial
Conforme noticiado anteriormente pelo O Estado, no dia 20 de março deste ano, o prefeito Marçal Filho publicou o decreto com a situação de emergência da saúde pública do município, após reunião no Gabinete com autoridades da saúde municipal, estadual e federal. O documento viabiliza o acesso a recursos do Ministério da Saúde para combater a epidemia e autoriza a adoção de medidas de vigilância em saúde quando verificada situação de iminente perigo à saúde pública pela presença do mosquito transmissor de doenças.
O secretário municipal de Saúde, Márcio Figueiredo, informou que, após o decreto de emergência assinado pelo prefeito Marçal Filho, a prefeitura prepara a contratação temporária de agentes de endemias e também de profissionais da saúde como médico e da enfermagem para reforçar o atendimento, tanto na área urbana quanto na Reserva Indígena. Ele diz que é esperado aumento de casos da doença pelas próximas oito semanas.
Além da instalação das armadilhas, o mutirão de limpeza atua na retirada de entulhos e materiais que acumulam água. Equipes da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos mobilizaram caminhões e maquinário pesado para atender a região, incluindo a remoção de um lixão irregular nos fundos do Santa Felicidade.
Mais uma vez, o prefeito Marçal Filho acompanhou os trabalhos e reforçou o apelo à população. “Estamos em uma verdadeira guerra contra o mosquito”, enfatizou. “É fundamental que todos façam sua parte e eliminem qualquer objeto que possa acumular água”, destacou. Enquanto isso, as ações seguem intensificadas na Reserva Indígena de Dourados, onde os trabalhos já entram na terceira semana consecutiva.
Por Michelly Perez
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