Viviane Luiza entra na disputa por vaga na Câmara Federal com foco na educação

Viviane Luiza - Foto: Roberta Martins
Viviane Luiza - Foto: Roberta Martins

Viviane Luiza saiu da Secretaria de Cidadania e entra para a lista de pré-candidatas para a Câmara Federal. Com foco na educação, a ex-professora e antropóloga aceitou o desafio de concorrer ao cargo, sem antes passar pela tradicional Assembleia Legislativa.

“A minha pergunta é ‘por que não? Por que eu deveria fazer esse ritual?’. Quando nós olhamos o impacto, ele vem realmente da Câmara Federal, que impacta de uma forma ampla e nacionalmente”, comenta ao Jornal O Estado. Aos 41 anos, Viviane nunca disputou nenhum pleito, mas decidiu pular etapas.

Mãe solo e cria da periferia de Campo Grande, a pré-candidata faz da educação sua principal bandeira política, o que considera como inegociável. Filha de taxista, ela afirma que “a educação não transforma tudo, mas, sem ela, a gente não muda nada”.

Antes de ser política, Viviane é antropóloga por formação e trabalhou com comunidades indígenas por mais de 20 anos. A pré-candidata foi secretária da Cidadania por pouco mais de dois anos e rodou os 79 municípios do Estado nesse período. “Não se faz política pública sem dado, sem escuta, sem ir a campo”.

A ex-secretária acredita que a experiência pela secretaria a preparou para um mandato federal. Ela explica ainda que todas as políticas públicas feitas na pasta foram construídas a partir dessa escuta ativa, para que houvesse “um sentimento de pertencimento àquela política pública”.

“Não se faz política pública sem dado, não se faz sem escuta, não se faz sem ir a campo”. E completa: “Me qualifica enquanto gestora porque, com um orçamento pequeno, precisei impactar políticas que fizessem sentido lá na ponta. Entendo, porque vivi na pele, que a maioria da nossa população precisa do SUS, dos ônibus, do trabalho”.

Entre as propostas de Viviane, uma chama atenção: creches em parceria com empresas. Ela lembra que 46% dos lares sul-mato-grossenses são chefiados por mulheres. “Os horários das creches não batem com os do emprego. Qual é o emprego que te libera às 5 horas da tarde?”, questiona.

Outra frente é o apoio a mães atípicas, no qual a professora defende que é preciso estender um benefício para que essa mãe possa primeiro viver o luto e depois voltar ao mercado de trabalho. “Quando uma mãe recebe o diagnóstico do filho, ela para a vida. Quando ele morre, ela perde o BPC (Benefício de Presdtação Continuada). Não tem direito nenhum ao luto. É preciso estender um benefício para ela primeiro viver o luto, depois voltar ao mercado.”

Sobre a mobilidade dos jovens, ela lembra da própria juventude, quando pegava cinco ônibus para voltar da escola. Para ela, esse ainda é um problema, e se estende a indígenas acadêmicos e moradores do interior do estado.

Viviane critica a polarização política. “Estamos num estádio, um contra o outro. Quem perde somos nós, cidadãos”, dispara.

Sobre a mudança de partido, a pré-candidata escolheu o PSDB na reta final da janela partidária. “As polarizações estão deixando a população preocupada com o futuro da política. O PSDB tem no DNA a moderação, o centro. Me traz tranquilidade”, afirma. Viviane cita Fernando Henrique e Ruth Cardoso como inspirações.

Quando perguntam quem é Viviane fora da política, responde: “uma mulher perseverante, que vem da periferia. Carrego o sobrenome de todas as mulheres que lutaram, trabalharam, morreram, apanharam para que eu estivesse aqui.”

Por Lucas Artur

 

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