Tarcísio questiona imparcialidade do TSE e cobra condenação de Lula por desfile na Sapucaí

Tarcísio de Freitas - Foto: Agência Brasil
Tarcísio de Freitas - Foto: Agência Brasil

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), publicou um vídeo nas redes sociais na noite desta segunda-feira (16) em que questiona a imparcialidade da Justiça Eleitoral e cobra rigor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) diante do desfile da escola Acadêmicos de Niterói, realizado no domingo (15), no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Na gravação, Tarcísio compara a decisão do TSE — que negou pedido para barrar a apresentação por suposta propaganda antecipada — às condenações que tornaram o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inelegível. “Se o desfile de ontem não foi propaganda antecipada, o que será então? Por que não haverá o mesmo rigor agora?”, questionou.

O governador citou como indícios de irregularidade o samba-enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, que trouxe trechos de jingles históricos do PT, além do uso de bandeiras partidárias ao longo da avenida. Para ele, houve tratamento desigual na interpretação da legislação eleitoral.

Ao comentar as condenações de Bolsonaro, Tarcísio relembrou os dois casos julgados pela Justiça Eleitoral: o uso indevido dos meios de comunicação em reunião com embaixadores, em 2022, e o abuso de poder político e econômico durante as celebrações do Bicentenário da Independência, usadas como palanque eleitoral.

Em tom crítico, o governador afirmou que o Carnaval teria sido tomado por “propaganda política descarada”, com ataques a adversários e referências que, segundo ele, desrespeitam segmentos da sociedade. Tarcísio também mencionou o pensador italiano Nicolau Maquiavel para sustentar a tese de seletividade na aplicação da lei: “Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei”.

No vídeo, o chefe do Executivo paulista ironizou alas do desfile e listou episódios de corrupção envolvendo governos petistas, como Mensalão e Petrolão, além de escândalos em fundos de pensão e estatais. Segundo ele, enquanto se discute o desfile, o país enfrenta perda de oportunidades, crise fiscal e fragilidade institucional.

Apesar do tom eleitoral, Tarcísio afirmou que pretende disputar a reeleição ao governo paulista e declarou apoio ao senador Flávio Bolsonaro como principal nome da oposição ao presidente Lula.

Resposta do governo federal

Em nota divulgada nesta segunda-feira (16), a Secretaria de Comunicação Social da Presidência (Secom) afirmou que não houve qualquer ingerência do governo federal na escolha ou no desenvolvimento do enredo da Acadêmicos de Niterói. O órgão destacou que não existe decisão judicial que impeça homenagens à trajetória de Lula e de sua mãe, Dona Lindu, e que pedidos apresentados ao Tribunal de Contas da União não resultaram na suspensão de repasses.

A Secom ressaltou ainda que o TSE decidiu, de forma unânime, que barrar previamente manifestações artísticas configuraria censura prévia. Segundo o entendimento do tribunal, a legislação eleitoral exige pedido explícito de voto para caracterizar propaganda antecipada, o que não teria ocorrido no desfile. A Advocacia-Geral da União também emitiu orientações para que autoridades federais participassem do evento em caráter privado, sem uso de recursos públicos.

 

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