Saúde, segurança e melhor custo de vida estão entre as prioridades dos eleitores

População fala o que esperam dos candidatos em 2026 - Roberta Martins
População fala o que esperam dos candidatos em 2026 - Roberta Martins

Fala Povo mostra como moradores de Campo Grande percebem os principais problemas do Estado

A saúde, o custo de vida, e a segurança aparecem entre as principais preocupações dos eleitores de Mato Grosso do Sul, mas as demandas variam conforme a realidade de cada cidadão. No Fala Povo realizado pelo jornal O Estado, os moradores foram questionados sobre quais áreas deveriam receber mais atenção dos políticos.

Nas ruas de Campo Grande os problemas aparecem de maneira concreta. Para os entrevistados a segurança está relacionada ao medo de circular pelas ruas, na saúde significa enfrentar filas, falta de medicamentos e dificuldades de atendimento. Há também pedidos por redução no preço dos alimentos, da gasolina e a necessidade de melhorar a educação e a infraestrutura.

A psicóloga Mariana Quinzani, de 31 anos, coloca a saúde e a educação entre os principais desafios do Estado. Para ela, o problema ultrapassa a qualidade dos serviços e envolve a percepção de retorno dos impostos. “No fundo, eu acho que a grande questão é a gente ver o tanto que a gente investe, paga impostos e não vê um retorno”.

Ela também cobra atenção à população mais vulnerável. “Acho que os candidatos têm que se preocupar em atender principalmente quem está em estado de vulnerabilidade, nós somos um Estado muito rico, mas que não está prezando por atender as pessoas que mais precisam de assistência”.

Para o cientista político Shandor Torok Moreira, pesquisador do grupo de eleições da UFMS e do Observatório de Justiça da UniRio, as respostas dos eleitores ajudam a entender uma característica importante da disputa: a população pode apresentar demandas muito concretas, mas isso não significa que exista uma hierarquia fixa e definitiva de prioridades. Segundo ele, pesquisas de opinião devem ser lidas como um retrato da agenda pública em determinado momento. A preocupação declarada pode mudar de acordo com a conjuntura, a cobertura da imprensa e acontecimentos recentes.

Shandor também chama atenção para a diferença entre aquilo que aparece como “principal problema” e aquilo que o eleitor considera importante. Uma questão pode ganhar destaque em uma pergunta específica sem necessariamente representar a única ou principal demanda daquela pessoa.

Uma proposta consistente, segundo ele, precisa partir de um diagnóstico, indicar quem tem competência para executá-la, apresentar de onde virão os recursos, estabelecer prazo e permitir que o resultado seja medido.

O que os eleitores dizem nas ruas

Victor aponta a segurança como prioridade. Para ele, o problema é que o atendimento policial não acontece de maneira preventiva. O contador também afirma que moradores da região convivem com situações de insegurança. “Eu tenho um grupo aqui na praça de moradores de rua, que geram preocupação para as pessoas ao redor. Para quem anda à noite, principalmente mulheres, aí eles ficam cercando, ficam fazendo graça. A gente não sabe se eles vão em cima ou não vão”.

César também coloca segurança entre as principais prioridades, mas divide o primeiro lugar com a saúde. “A força policial, civil, militar, guarda municipal, aumentou as forças e diminuiu a segurança. Porque no meu tempo só tinha a polícia militar e ela dava conta. Hoje tem guarda municipal, tem DETRAN, tem um monte de coisa aí e ficou pior”. Para o advogado, os problemas da saúde também estão ligados à gestão dos recursos.

Fabiana também aponta a área da saúde como prioridade, já que acompanha de perto a situação por atuar na área. “A gente está fazendo estágio, e assim, tá precário, você vai numa UPA e não tem uma borracha pra você consultar um paciente”. A vendedora descreve ainda a espera enfrentada pelos pacientes. “As pessoas vão ficando à mercê. É gente no corredor, sentada esperando e fila. Não tem uma medicação, não tem um dipirona, que é o básico”.

Mariana coloca a educação no centro da discussão, especialmente a inclusão de alunos com deficiência, ela questiona a preparação das escolas para receber esses estudantes. “Hoje em dia eu acho que é uma falsa ideia que eles têm de inclusão, a escola às vezes só coloca o aluno lá e não oferece apoio”. Na avaliação dela, o desafio envolve toda a comunidade escolar. “A inclusão é até para o aluno que não tem deficiência, entender a complexidade do aluno que tem deficiência”.

Para Wellington a prioridade é mais direta: o dinheiro precisa render mais. Ele afirma que a população precisa sentir os efeitos das decisões tomadas pelos governantes. “Baixar a gasolina, baixar o arroz, baixar o feijão, baixar o café, baixar a carne. Para que nós aqui possamos crescer”. Para ele, existe uma distância entre quem toma as decisões e quem sente seus efeitos.

Segurança é uma das principais preocupações para Gelásio que acompanha situações frequentes envolvendo pessoas próximas. “Eu como comerciante, minha vida é aqui. Agora também tem muito andarilho aqui, de manhã temos até que pagar café para os caras”. Ele também reclama da situação de infraestrutura do Centro. “Você vê a Barão do Rio Branco, você vê tudo abandonado, cheio de buracos”.

 

Por Fernanda Sá e Nayane Aleixo

 

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