Presidente estadual do PL defende reformas, municipalismo e mais recursos para Mato Grosso do Sul
O ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente estadual do PL e candidato ao Senado por Mato Grosso do Sul, participou da sabatina do Jornal O Estado, na qual apresentou propostas para um eventual mandato e falou sobre economia, municipalismo, alianças políticas, emendas parlamentares e demandas do Estado. Ao defender a candidatura, afirmou que “o Senado vai ser a casa mais importante na próxima legislatura” e avaliou que “o Brasil está muito caro aos brasileiros”.
Na entrevista, Azambuja também defendeu reformas administrativa e citou reservas sobre como os impostos serão cobrados com a reforma tributária. “Quando você for ao supermercado e fizer sua compra, o imposto vai estar destacado na nota. Você já sabe quanto está pagando. Só que esse fundo é nacional, vai para Brasília. E será que volta para Mato Grosso do Sul? Eu tenho dúvida disso”.
O candidato falou ainda sobre a retomada da Malha Oeste, o aumento da Tabela SUS (Sistema Único de Saúde) e maior participação do governo federal na segurança das fronteiras, citando ainda que o sistema prisional custa hoje R$ 280 milhões para Mato Grosso do Sul. Outros assuntos abordados ao longo da sabatina foi a saída de Reinaldo sdo PSDB, a relação com o governador Eduardo Riedel (PP) e os critérios que pretende adotar para destinar emendas caso seja eleito. Confira a entrevista:
O Estado – O senhor já foi prefeito, deputado estadual, deputado federal e governador por dois mandatos. Após ocupar praticamente todos esses espaços da política, por que o Senado é o próximo passo e o que o senhor acredita que ainda pode entregar a Mato Grosso do Sul que não conseguiu realizar nos cargos anteriores?
Azambuja – Grandes reformas estruturantes do país precisam passar pelo Senado. Nós vivemos um momento de alto endividamento do governo, que deve R$ 10,8 trilhões. Todos nós pagamos R$ 1 trilhão de juros da dívida por ano. Isso drena a energia e o crescimento do Brasil. Temos famílias endividadas e também o setor produtivo, a indústria, o comércio, os serviços e a agropecuária. Precisamos reformar: reforma administrativa e reforma tributária. Tenho dúvida do que vem aí da reforma tributária e das perdas para Mato Grosso do Sul.
Sou da teoria de que precisamos gastar menos com Brasília e mais com o Brasil. Foi o que fiz enquanto governador. Fiz reformas estruturantes no Estado, diminuí o tamanho do governo, que tinha 18 secretarias e baixou para 11. Economizamos, gastamos menos com a administração e irradiamos a questão do municipalismo, com presença em todas as cidades, investimentos e destravamos obras inacabadas. Terminamos o Hospital do Trauma, a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), escolas, creches e rodovias, porque isso é respeito ao dinheiro público.
O Brasil hoje tem 12 mil obras inacabadas, com R$ 15 bilhões de investimentos espalhados pelo país. Então, o Senado é a casa onde vamos discutir os grandes temas nacionais. Estando lá, quero lutar primeiro pelos interesses de Mato Grosso do Sul e pela nossa gente, mas também pelo desenvolvimento do Brasil.
O Estado – O municipalismo foi uma das principais marcas dos seus oito anos de governo, com programas que aproximaram o Estado das prefeituras e levaram investimentos aos 79 municípios. Como pretende transportar esse modelo para o Senado, onde a discussão passa pela divisão de recursos e responsabilidades entre União, estados e municípios?
Azambuja – Como governador, criamos um municipalismo que saiu da palavra para a ação. O Governo Presente sentava com as lideranças, ouvia as prioridades das 79 cidades e transformava pedidos em ações. Chegamos às cidades pequenas, como Figueirão, Tacuru e Alcinópolis, mas também a Campo Grande, Dourados, Três Lagoas, Corumbá e Ponta Porã.
No Senado, o objetivo é o mesmo. Como fui um governador municipalista, quero ser um senador municipalista. Temos emendas parlamentares e recursos extraorçamentários. Quero estar em Brasília para trazer recursos para os municípios e para as prioridades.
Em Campo Grande, é possível fortalecer a atenção básica de saúde e reavaliar a Tabela SUS, que financia hospitais públicos, privados e filantrópicos. Também quero a retomada da Malha Oeste para dar competitividade aos nossos produtos. Quero olhar pelos municípios articulando também as reformas estruturantes do Estado.
O Estado – O senhor passou décadas no PSDB, comandou o partido em Mato Grosso do Sul e depois migrou para o PL em meio à reorganização da aliança que sustenta Eduardo Riedel. O que essa mudança representa na sua trajetória política e quais posições o senhor precisou rever, ou não, para fazer parte do PL?
Azambuja – Foi um convite do ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda em 2024. Eu disse que não conseguia mudar do PSDB depois de 30 anos, mas que, após a eleição municipal, poderíamos conversar. Em 2025, sentamos e ele me pediu: “Vem para o PL, ajude a estruturar o partido, faça um partido mais plural, que converse com todos os segmentos”.
Nosso lado sempre foi de centro-direita. Nas minhas eleições para prefeito de Maracaju, deputado estadual, deputado federal e governador, enfrentei a esquerda, principalmente o PT. Aceitei o desafio e me filiei ao PL. Trouxemos lideranças: o Capitão Contar, que estava no PRTB, veio para o PL; André Puccinelli, que foi nosso adversário, está com a gente; e Rose Modesto, também adversária, está junto.
Foi um grande desafio. Você fica 30 anos em uma casa, muda e convive com outros pensamentos. Mas, com diálogo e responsabilidade, montamos um partido que vai fazer uma boa bancada estadual e federal. Hoje, a coligação que sustenta Eduardo Riedel tem oito partidos. Acredito que conseguimos montar um bom arco de aliança em favor das políticas públicas e do desenvolvimento.
O Estado – Eduardo Riedel foi seu secretário, tornou-se seu sucessor e agora recebe novamente seu apoio para a reeleição. Até que ponto uma eventual eleição sua para o Senado representaria a continuidade desse mesmo grupo político para defender os interesses do Estado?
Azambuja – Esse grupo político tem um olhar pela continuidade do trabalho do governador Eduardo Riedel. Houve mais de R$ 140 bilhões em investimentos privados, mais de 130 mil empregos, redução da pobreza, ampliação do pleno emprego e programas de desenvolvimento social. Ele merece continuar.
Acho que o Senado terá um papel preponderante. Imagine uma bancada com Tereza Cristina (PP), Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, pessoas que acreditam no projeto para Mato Grosso do Sul e para o Brasil. É um grupo com responsabilidade com o Estado, com a boa política, transparência e decência.
O senador pode ajudar muito. Emenda de bancada ultrapassa R$ 540 milhões e as individuais chegam perto de R$ 100 milhões. É distribuir isso pelas prioridades de Mato Grosso do Sul, ouvir os municípios e as pessoas. Agora é campanha, é preciso respeitar a democracia e a decisão do eleitor, mas acredito que, com Eduardo no governo e uma bancada sintonizada com as prioridades do Estado, teremos resultados positivos.
O Estado – O Senado é um projeto definitivo para os próximos oito anos ou o senhor admite que, no futuro, pode voltar a disputar o Governo de Mato Grosso do Sul?
Azambuja – Política é momento. Em 2026 é uma nova eleição, meu nome está para o Senado e eu quero cumprir meu papel como senador, trabalhar por Mato Grosso do Sul e trazer recursos. 2030 está muito longe. Acredito que vamos ter uma reforma eleitoral e política.
Sou defensor do fim da reeleição. Acredito que devíamos ter um mandato de cinco anos, sem reeleição. Também acredito numa democracia que dê oportunidade para jovens, mulheres e outros segmentos entrarem na política. Se eleito senador, quero lutar pelos municípios e pelas reformas estruturantes do país.
O Estado – Emendas parlamentares movimentam milhões de reais todos os anos. Quais critérios o senhor pretende adotar para definir quais municípios e áreas de Mato Grosso do Sul receberão esses recursos?
Azambuja – O orçamento da União é de R$ 5,5 trilhões. As emendas parlamentares são R$ 45 bilhões, ou 1,2% do orçamento. O problema do Brasil não está nas emendas. Elas servem para chegar ao município pequeno, às associações que atendem pessoas carentes e aos hospitais públicos e filantrópicos que têm filas de pessoas aguardando cirurgia e exames.
Meu critério será ouvir os segmentos organizados e priorizar o que é prioridade do povo: saúde, educação, infraestrutura, programas sociais e segurança pública. Tenho um olhar para a segurança porque fiz o MS Mais Seguro, que deu um eixo de uma nova segurança para Mato Grosso do Sul.
O Estado – A transparência das emendas parlamentares, principalmente das chamadas “emendas Pix”, ganhou espaço no debate nacional. O senhor defende regras mais rígidas para fiscalização e prestação de contas desses recursos? O que precisa mudar?
Azambuja – Todo dinheiro público tem que ser fiscalizado. Ele é de todos. Precisa ter destino e fiscalização para saber onde foi aplicado e se atendeu à prioridade da população. Não há problema em ser por emenda Pix, desde que exista fiscalização na ponta.
A regra da distribuição das emendas é feita pelo Poder Executivo, e nós cumprimos as regras. Já fui deputado federal e destinei emendas para educação, para a Santa Casa de Campo Grande, para o Hospital de Câncer e para a segurança pública. Isso é prerrogativa do parlamentar.
Claro que precisa fiscalizar. Acredito que o Supremo usurpou uma função que é do Executivo e do Legislativo. Precisamos voltar ao regramento. Os poderes são harmônicos e independentes, e cada um deve cumprir seu papel. Se eleito senador, quero destinar minhas emendas às prioridades da população de Mato Grosso do Sul, com muita transparência, mostrando para onde foram e cobrando que sejam transformadas em benefícios.
O Estado – Quais pautas legislativas serão prioridade no seu mandato e que impacto concreto elas podem trazer para Mato Grosso do Sul?
Azambuja – Aumento da Tabela SUS. O que remunera o serviço na ponta está achatado. Todas as Santas Casas e hospitais filantrópicos do Brasil estão quebrados. Há 20 anos, o governo federal gastava 52% de tudo o que era gasto com saúde; hoje, gasta 40%. A despesa foi empurrada para hospitais, municípios e filantrópicos. Melhorar a remuneração da Tabela SUS melhora o desempenho da saúde pública.
Outra prioridade é a retomada da Malha Oeste. Mato Grosso do Sul triplicou a produção em 11 anos e precisa transportar tudo de caminhão. Precisamos de conexões ferroviárias entre Três Lagoas e Aparecida do Taboado, Três Lagoas e Campo Grande, Campo Grande e Corumbá, e Campo Grande e Ponta Porã. Um Estado que cresce tanto precisa de uma logística melhor.
Também quero segurança na fronteira. Mato Grosso do Sul tem 1.400 quilômetros de fronteira com Bolívia e Paraguai e é passagem de drogas para os grandes centros. O DOF (Departamento de Operações de Fronteira) e as polícias estaduais fazem esse trabalho, enquanto o governo federal está distante. Cerca de 70% do sistema prisional do Estado é composto por presos do tráfico. Isso custa R$ 280 milhões, e não é justo que Mato Grosso do Sul arque sozinho com essa conta.
O governo federal precisa fazer parceria com o Estado para custear esses presos e reforçar segurança, inteligência, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal. Esses R$ 280 milhões dariam para construir 7 mil casas do Lote Urbanizado todos os anos.
Também vou lutar pela geração de empregos e pela reforma tributária. Eu tenho dúvida sobre a reforma tributária, porque nós vamos cobrar o imposto lá no destino. Quando você for ao supermercado e fizer sua compra, o imposto vai estar destacado na nota. Você já sabe quanto está pagando. Só que esse fundo é nacional, vai para Brasília. E será que volta para Mato Grosso do Sul? Eu tenho dúvida disso. Então, como senador, essa é uma das prioridades: lutar pelos interesses do povo sul-mato-grossense.
O Estado – O mandato de senador dura oito anos. Ao final desse período, quais resultados o eleitor poderá cobrar do senhor para avaliar se o mandato realmente trouxe avanços para o Estado?
Azambuja – O eleitor tem que votar e cobrar. Tem que avaliar se o candidato Reinaldo Azambuja, tendo o mandato, cumpriu o que prometeu: distribuiu e fiscalizou as emendas, lutou pela ferrovia, pela hidrovia, pela infraestrutura, pelos hospitais filantrópicos e pelo desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Eu não tenho medo da cobrança. Acredito que devemos ser vigiados e ser cobrado pelo eleitor. Como governador e prefeito, fizemos mandatos que transformaram Maracaju e Mato Grosso do Sul, com desenvolvimento, crescimento, oportunidades, empregos e programas sociais. Como senador, espero que, ao término dos oito anos, possamos prestar contas à população e ao eleitor e dizer que o Reinaldo foi um bom senador, cumpriu aquilo que prometeu como candidato e fez um bom mandato por Mato Grosso do Sul e pelo Brasil.
Por Danielly Carvalho e Brenda Leitte
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