Riedel projeta dez anos de avanço e defende continuidade para o Estado

Eduardo Riedel participou do Café & Política nesta sexta-feira (14), em Campo Grande / Foto: Nilson Figueiredo
Eduardo Riedel participou do Café & Política nesta sexta-feira (14), em Campo Grande / Foto: Nilson Figueiredo

Governador e candidato à reeleição fala sobre gestão, tarifas, pontes, aeroportos e desafios para MS

O governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, participou nesta sexta-feira (14) do Café & Política, em Campo Grande. O encontro colocou o chefe do Executivo estadual diante de perguntas sobre decisões tomadas durante o mandato e sobre os caminhos que pretende seguir caso permaneça no cargo.

Durante a conversa, Riedel também comentou a relação do governo com entidades empresariais, após críticas de que a administração estaria próxima demais da Fiems (Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul). O governador defendeu o diálogo com o setor produtivo e afirmou que a aproximação faz parte da estratégia para atrair investimentos e construir políticas públicas.

Em meio ao calendário eleitoral, o governador foi questionado sobre a continuidade da gestão, as tarifas impostas pelos Estados Unidos, a situação das pontes estaduais e a ampliação da malha aérea. O programa “Regularize” também entrou na conversa, assim como a perspectiva de crescimento do Estado nos próximos anos. “Uma característica minha, que eu dizia muito na primeira campanha e continuo acreditando, é que não existe “bala de prata” nem “ovo de Colombo” para resolver os problemas de Mato Grosso do Sul. Existe trabalho, dedicação, planejamento, projeto e uma diretriz muito clara”.

Ainda segundo ele, se houver um segundo mandato, haverá remodelação natural de algumas diretrizes. As necessidades mudam, os desafios se transformam e o executivo precisa ter capacidade de acompanhar esse movimento”.

Ao projetar a próxima década, Riedel afirmou que o desafio vai além de manter índices elevados de crescimento. “A pergunta mais importante não é apenas quanto o Estado vai crescer, mas como vamos usar esse crescimento. Se conseguirmos transformar este momento em sustentabilidade para as próximas décadas, teremos feito um grande trabalho. Caso contrário, perderemos uma janela histórica.”

Cerca de R$ 30 bilhões em investimentos já contratados devem ser executados em Mato Grosso do Sul ao longo dos próximos dez anos, segundo o governador Eduardo Riedel. Na iniciativa privada, o Estado contabiliza atualmente R$ 82 bilhões e pode terminar o ano com R$ 100 bilhões acumulados nos últimos quatro anos.

Diante dos números, Riedel afirmou que o ritmo de crescimento já está garantido para além do próximo mandato. “Nós não vamos manter o ritmo pelos quatro anos. Mato Grosso do Sul já está com um ritmo contratado, eu garanto, pelos próximos dez”, declarou. O governador fez apenas uma ressalva: isso se não aparecer “nenhum maluco”.

Para Riedel, a continuidade desse cenário depende principalmente da manutenção do equilíbrio fiscal e de um ambiente favorável aos negócios. Ele destacou, porém, que o próximo passo será transformar o avanço econômico em melhores condições de vida para a população.

“O grande desafio e a pergunta que tem que ser feita é o que nós vamos fazer com esse crescimento. Como nós vamos distribuir melhor a renda desse crescimento. Como nós vamos aproveitar ele em prol dos menos favorecidos”, disse.

O chefe do Executivo também avaliou a situação das tarifas que atingem o Brasil, desde a norte-americana que impactam menos o Mato Grosso do Sul, até as tarifas europeias e asiáticas. “O impacto econômico das tarifas americanas, especificamente para Mato Grosso do Sul, não é tão grande quanto algumas pessoas podem imaginar. Nós temos outras questões tarifárias que podem ser até mais impactantes para o Estado. Um exemplo é a relação comercial com a União Europeia em torno da carne bovina. Também temos a questão da China, que é extremamente relevante para nós, porque mais de 40% das nossas exportações têm aquele país como destino. Por isso, precisamos olhar para esse debate em um contexto global. O que me preocupa é que o mérito da discussão comercial acabou subordinado à politização. De um lado, temos um ano eleitoral no Brasil; de outro, um posicionamento do presidente americano marcado pelo enfrentamento. Assim, uma questão que deveria ser essencialmente técnica e comercial ganhou uma dimensão muito mais política”.

A aposta do governador é o diálogo e manter a negociação à mesa. “Precisamos conversar com os chineses, com os americanos, com os japoneses, com os europeus e com todos os grandes mercados. Precisamos buscar investimentos, abrir mercados e trazer essas oportunidades. O nosso papel é criar um ambiente de negócios competitivo, dar segurança jurídica e estruturar o Estado para aproveitar essas transformações. Temos que ter independência para negociar e, principalmente, uma estratégia própria de desenvolvimento”.

O crescimento econômico de Mato Grosso do Sul deve aumentar a pressão por infraestrutura e exigir planejamento para transformar o atual ciclo em desenvolvimento duradouro. Ao falar sobre os próximos dez anos, o governador Eduardo Riedel destacou a ampliação da malha aérea, a redução da pobreza e o fortalecimento logístico como pontos centrais.

Na aviação, Riedel citou os R$ 630 milhões previstos para os aeroportos de Campo Grande, Ponta Porã e Corumbá e explicou que Três Lagoas ainda precisa de intervenções na pista para voltar a receber voos comerciais. “Com os investimentos previstos, as concessões e a conclusão das obras em Dourados, teremos condições de ampliar de forma consistente a malha aérea. Três Lagoas é estratégica do ponto de vista econômico e precisa estar conectada”, afirmou.

Em Dourados, segundo ele, o voo diário para Guarulhos registra ocupação média de 94%, enquanto a companhia já avalia uma segunda frequência.

 

Por Danielly Carvalho

 

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