Em busca da construção da “marca do partido”, o candidato à Presidência do Brasil, Renan Santos, empresário e músico brasileiro, anunciou durante agenda em Campo Grande que lançará uma chapa de deputado federal para Mato Grosso do sul e confirmou que não terá nome para disputar o Governo do estado pelo partido Missão.
De galocha e tereré na mão, o primeiro presidenciável oficializado, Renan Santos, terá Aroldo Medina, militar da reserva, como vice e aproveitou a agenda para alfinetar os adversários. Ao ser questionado sobre o que diferencia sua candidatura das do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL), Renan Santos afirmou que aposta na honestidade e na apresentação de propostas concretas como principais diferenciais. Segundo o candidato, esses dois fatores o colocam em posição distinta dos principais adversários na disputa presidencial. “Primeiro, porque eu sou honesto. Segundo, porque eu tenho propostas. Se o eleitor procura uma alternativa, basta olhar esses dois pontos. Só de ser honesto e ter propostas, já estou muito distante desses dois.”
Sobre possíveis alianças em Mato Grosso do Sul, Renan Santos afirmou que ainda não recebeu sinalização de lideranças locais, mas disse esperar um aceno para iniciar conversas. O candidato destacou que eventuais apoios serão construídos apenas com base em propostas e no programa de governo, descartando negociações por cargos ou troca de favores. “Espero um aceno, que até agora não ocorreu. Não acredito em ‘toma lá, dá cá’ e não tenho o que oferecer em troca. A ideia é tornar todas essas conversas públicas. São alianças programáticas, baseadas apenas em propostas e na nossa tese de Brasil.”
Ainda durante o encontro com jornalistas, o empresário defendeu o ajuste fiscal previsto em seu plano de governo, alegando que o Brasil caminha para uma crise e que será necessário reduzir despesas públicas para equilibrar as contas. Renan Santos quer apresentar uma PEC com corte de gastos, revisar vinculações orçamentárias, desindexar benefícios, rever privilégios do alto funcionalismo e benefícios fiscais. Segundo ele, as medidas resultariam em um corte de despesas de R$ 3 trilhões em 10 anos e abririam espaço para investimentos e crescimento econômico. “Não é sobre tirar dinheiro da saúde e da educação. É saber como utilizar esses recursos para não quebrar estados e municípios. Vamos fazer desindexação, rever privilégios do Judiciário, do alto funcionalismo e benefícios fiscais para equilibrar as contas.”
Renan Santos apontou ainda que o próximo presidente terá de negociar com um Parlamento fragmentado. Ele criticou o presidencialismo de coalizão e garantiu que fará articulações políticas com transparência. Segundo o candidato, todos os acordos firmados com parlamentares serão divulgados publicamente. “Em outubro, os brasileiros vão eleger no mínimo 300 deputados ‘corruptos’. Já que o eleitor decidiu me colocar na Presidência e colocar esses ‘corruptos’ no Congresso, minha obrigação é negociar com eles. A diferença é que vou tornar públicos os termos de qualquer negociação.”
Ao explicar a proposta para os programas sociais, Renan Santos afirmou que não pretende extinguir o Bolsa Família, mas reformular sua aplicação. Segundo ele, o benefício continuará para quem realmente precisa, enquanto pessoas aptas ao trabalho seriam incentivadas a ingressar em frentes de trabalho remuneradas, principalmente em obras de infraestrutura. O candidato defendeu que a medida criaria uma “porta de saída” da assistência social e reduziria a dependência do programa. “O Bolsa Família vai ser mantido, especialmente para quem precisa de verdade. A diferença entre o remédio e o veneno é a dose. Quem estiver apto ao trabalho vai receber, antes de tudo, a oportunidade de participar de uma frente de trabalho remunerada.”
Renan desembarca no Estado depois de visitar o Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso. A primeira agenda sul-mato-grossense será em Campo Grande.
Esse foi o primeiro compromisso do presidenciável no Estado. Conforme o cronograma divulgado pelo partido, Renan Santos também visitará Corguinho, Miranda, Bonito, Antônio João e Ponta Porã durante o fim de semana para aprofundar o compromisso com o agronegócio e pautar a segurança e políticas públicas para a fronteira.
Por Sarah Chaves e Lucas Artur