Candidatos projetam proteção do Pantanal, recursos hídricos, resíduos, fiscalização e expansão do esgoto
Os candidatos ao Governo de Mato Grosso do Sul apresentam diferentes caminhos para lidar com questões ambientais e de infraestrutura no Estado. Entre os temas abordados estão a preservação do Pantanal e do Cerrado, combate às queimadas, proteção dos recursos hídricos, destinação de resíduos, expansão do acesso à água e ao esgoto, além de iniciativas ligadas à economia sustentável.
Daniel Lemes (PCO)
A agenda apresentada por Daniel Lemes prioriza questões fundiárias e a relação entre ocupação territorial e preservação. O documento defende reforma agrária, assentamento de trabalhadores sem-terra e demarcação de territórios indígenas.
Também aparece entre as diretrizes a defesa da soberania sobre a Amazônia e de mecanismos de controle das riquezas naturais. O candidato propõe que a exploração do território seja voltada ao benefício da população e se posiciona contra a interferência estrangeira na região.
Delcídio Amaral (PRD)
Na área de infraestrutura, Delcídio Amaral dá destaque à expansão dos serviços de água e esgoto e à manutenção da Sanesul sob controle estatal. O documento prevê auditoria dos estudos que embasaram a parceria público-privada para o esgotamento sanitário.
Entre as medidas listadas estão a modernização dos sistemas de tratamento, redução das perdas na distribuição e substituição de tubulações antigas. O candidato também propõe ampliar o uso de fontes alternativas, com incentivo à energia solar, eólica e a pequenas centrais de geração.
Outra frente relaciona ciência, tecnologia e desenvolvimento à conservação dos recursos naturais. A proposta cita exploração mineral responsável, turismo, mercado de carbono e modelos produtivos capazes de gerar riqueza sem comprometer as fontes naturais.
Eduardo Riedel (PP)
A sustentabilidade aparece associada ao desenvolvimento econômico no documento de Eduardo Riedel, com ênfase em bioeconomia, economia verde e economia circular. A intenção é ampliar negócios baseados no uso responsável da biodiversidade, estimular tecnologias de baixo carbono e atrair investimentos para atividades sustentáveis.
Para os serviços de água e esgoto, a meta apresentada é alcançar a universalização. O plano inclui alternativas descentralizadas para comunidades isoladas do Pantanal, expansão da gestão regionalizada de resíduos, melhoria da drenagem urbana e criação de mecanismos de apoio a cooperativas de catadores.
A segurança hídrica também ganha espaço, com previsão de revisão do Plano Estadual de Recursos Hídricos e criação de uma Agência Estadual de Águas. O texto ainda prevê ampliar a proteção das bacias, estimular o uso racional da água e adotar medidas de adaptação às mudanças climáticas.
Na gestão ambiental, a candidatura propõe ampliar a digitalização do licenciamento, aperfeiçoar o monitoramento e criar uma plataforma de transparência voltada à produção livre de desmatamento.
Fábio Trad (PT)
Fábio Trad concentra as diretrizes ambientais na proteção do Pantanal, da Serra da Bodoquena e no enfrentamento das mudanças climáticas. O diagnóstico aponta problemas relacionados às queimadas, degradação dos biomas, qualidade da água, expansão econômica e fragilidades na fiscalização.
Entre as medidas previstas está a criação de um Plano Estadual de Proteção e Recuperação do Pantanal, com prevenção permanente de incêndios, brigadas regionais, monitoramento climático e recuperação de áreas degradadas. Para a Serra da Bodoquena, a intenção é proteger nascentes, recuperar matas ciliares e acompanhar a qualidade dos rios.
O candidato ainda propõe passagens de fauna, cercamentos e monitoramento de rodovias para reduzir atropelamentos de animais silvestres. Há também iniciativas para diminuir o uso de agrotóxicos nocivos, proteger polinizadores e estimular bioinsumos e agroecologia.
No campo climático e econômico, estão previstas medidas para ampliar o mercado de carbono, a restauração ecológica, a bioeconomia e as energias renováveis. O documento inclui ainda um fundo estadual de emergência climática, recuperação de bacias hidrográficas e uma política para resíduos sólidos baseada em reciclagem, logística reversa e cooperativas de catadores.
João Henrique Catan (NOVO)
João Henrique Catan reúne infraestrutura urbana, drenagem, resíduos e serviços básicos em uma estratégia integrada. A ideia é que obras nas cidades não se limitem ao pavimento, mas também considerem escoamento da água, destinação de materiais descartados, acessibilidade e crescimento ordenado.
Para ampliar a cobertura de esgoto, o candidato prevê apoio técnico e financeiro aos municípios, priorizando localidades com maior déficit. A lista inclui ainda drenagem integrada às vias e soluções regionalizadas para resíduos sólidos em cidades menores e áreas vulneráveis.
Na proteção ambiental, Catan defende integrar produtores, comunidades, pesquisadores e poder público nas decisões sobre o Pantanal. O planejamento inclui brigadas, monitoramento e manejo do fogo, além de infraestrutura adaptada à dinâmica das águas.
Em Bonito e na Serra da Bodoquena, as ações propostas envolvem acompanhamento da turbidez, vazão e qualidade dos rios, recuperação de nascentes e matas ciliares e combate à erosão e ao assoreamento.
Lucien Rezende (PSOL)
Lucien Rezende coloca a preservação dos ecossistemas e da biodiversidade como eixo da política ambiental. O candidato aponta as queimadas no Pantanal, a expansão das plantações de eucalipto e os impactos provocados pelo transporte de cargas entre os principais problemas enfrentados pelo Estado.
Para as áreas de mineração em Corumbá, o documento defende maior transparência, fiscalização rigorosa e acompanhamento permanente dos impactos ambientais. Também estão previstas medidas para proteger a fauna silvestre e recuperar áreas degradadas.
A proposta ainda busca associar conservação à geração de emprego e renda nas comunidades locais, com um modelo de desenvolvimento sustentável voltado à preservação dos recursos naturais sul-mato-grossenses.
Renato Gomes (DC)
Renato Gomes apresenta seis medidas específicas para o Pantanal e outras áreas naturais. Uma das principais é a criação de uma brigada estadual permanente, acompanhada de manejo integrado do fogo e utilização de recursos do Fundo Amazônia. A redução das áreas queimadas e dos focos de calor aparece como indicador para avaliar os resultados.
Outra frente é o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais), que seria ampliado com recursos provenientes do mercado de carbono. A intenção é estimular financeiramente a conservação de áreas do Pantanal. O candidato também propõe alterar os critérios do ICMS Ecológico para beneficiar municípios que apresentem resultados em conservação, proteção da água e manejo do fogo.
Para a estrutura de fiscalização, o documento prevê reestruturar o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul), ampliar o quadro de servidores e manter o licenciamento digital. Também está entre as prioridades concluir a regulamentação da Lei do Pantanal, envolvendo produtores e ambientalistas.
No Cerrado, a estratégia é conter conversões ilegais e recuperar pastagens degradadas em vez de ampliar a abertura de novas áreas. O texto ainda prevê mecanismos de PSA e carbono para incentivar a conservação da vegetação nativa.
Por Danielly Carvalho