Jaime Verruck defende que Mato Grosso do Sul avance na industrialização, agregue valor à produção e reduza a dependência da exportação de commodities
Economista, doutor em Desenvolvimento e Planejamento Territorial pela Universidade Complutense de Madrid e mestre em Economia Rural, Jaime Verruck acumula mais de 30 anos de atuação nas áreas de desenvolvimento econômico, gestão pública e planejamento estratégico. À frente da Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) por dez anos, liderou políticas voltadas à atração de investimentos, competitividade industrial, inovação e sustentabilidade, participando da formulação de algumas das principais estratégias de desenvolvimento de Mato Grosso do Sul. Nesta entrevista ao O Estado, Verruck analisa os desafios e as oportunidades da economia sul-mato-grossense, fala sobre os impactos da reforma tributária, da Rota Bioceânica e das tensões comerciais internacionais, além de apontar quais setores devem liderar o próximo ciclo de crescimento do Estado.
O Estado: O agronegócio continua sendo o principal motor da economia sul-mato-grossense. Quais são hoje os maiores desafios para manter o ritmo de crescimento diante das mudanças no cenário internacional e das novas exigências ambientais?
Jaime Verruck: Primeiro, é importante colocar alguns números para mostrar a relevância do agronegócio sul-mato-grossense. Em 2025, o agronegócio de Mato Grosso do Sul teve o maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agro no Brasil, de 17,5%. Essa força vem de vários fatores. Tivemos recorde de área plantada de soja, com 4 milhões e 620 mil hectares, o que resultou em uma safra de praticamente 17 milhões de toneladas. Tivemos o maior crescimento da produção de eucalipto do Estado e uma diversificação da base produtiva, com praticamente 36 mil hectares de laranja. O agronegócio cresce nas áreas tradicionais, mas também se diversifica. Mato Grosso do Sul é hoje o maior exportador de celulose do País. Cerca de 23% de toda a celulose exportada pelo Brasil sai daqui. A celulose já é o principal produto de exportação do Estado, acima da soja. Depois vêm as proteínas e, em seguida, o minério. O agronegócio ampliou área, investiu em tecnologia e transformou a economia do Estado. Somos líderes nacionais em integração lavoura-pecuária-floresta, com 3 milhões e 600 mil hectares. Isso mostra o foco em tecnologia e sustentabilidade. Como perspectiva, nós temos uma inserção internacional muito forte. Somos afetados por todas essas discussões internacionais. Existe uma discussão tarifária nos Estados Unidos que pode afetar diretamente a economia do Estado, especialmente a exportação da pecuária, de frango, peixes e suínos. Em dez anos, inserimos cinco milhões de hectares de pastagens que foram transformadas em agricultura e agropecuária. Temos um caminho para, nos próximos dez anos, inserir mais cinco milhões de hectares. Existem cinco milhões de hectares aptos à agricultura, com análise de solo, que podem ser transformados. Vamos recuperar essas áreas de pastagem e trazê-las para a produção. A pecuária continuará se intensificando. Hoje temos um rebanho de 18 milhões de cabeças e o abate cresce cerca de 5% ao ano. Isso ocorre por causa da intensificação, da genética, do semiconfinamento e do confinamento.
O Estado: A Rota Bioceânica é apontada como um dos projetos mais transformadores para Mato Grosso do Sul. Na prática, quais setores devem sentir primeiro os impactos positivos e o que ainda precisa ser feito para que o Estado aproveite esse potencial?
Jaime Verruck: A rota é estratégica porque está sendo vista pelo mundo como uma nova alternativa de escoamento da produção brasileira para o mercado asiático. Hoje, 50% das exportações de Mato Grosso do Sul vão para a China. Esse mercado já existe. O desafio é levar o produto até lá de forma mais competitiva. Vou dar um exemplo. Daqui de Campo Grande saem cerca de 150 carretas por semana de carne bovina para a China. Hoje elas vão até os portos de Santos, Paranaguá ou Itajaí, passam pelo Canal do Panamá e seguem viagem. Com a Rota Bioceânica, essa carne chegará ao consumidor chinês entre 17 e 22 dias antes. Ela é estratégica para o mundo porque se torna uma alternativa ao Canal do Panamá. Vamos acessar não só a China, mas também Índia, Paquistão, Indonésia, Japão, Tailândia e outros mercados asiáticos. A infraestrutura está praticamente encaminhada. O trecho de Mato Grosso do Sul está pronto e recebendo melhorias. O acesso à ponte em Porto Murtinho está em obras. A ponte deve ficar pronta até o fim do ano. As obras no Paraguai, Argentina e Chile também avançam. O principal desafio agora não é mais a infraestrutura. É a integração das alfândegas e dos sistemas fitossanitários. Se eu tiver que abrir um caminhão em cada fronteira para fiscalizar a carga, vou perder toda a competitividade conquistada com a redução do tempo de viagem. Precisamos sair de Campo Grande com o caminhão lacrado e ter acordos entre Brasil, Paraguai, Argentina e Chile para que esse processo funcione. Esse é o grande foco das discussões hoje.

Foto: Cayo Cruz
O Estado: O debate sobre a escala 6×1 ganhou força no País recentemente. Na sua avaliação, quais seriam os impactos dessa mudança para setores importantes da economia de Mato Grosso do Sul, como comércio, indústria e agronegócio?
Jaime Verruck: As organizações empresariais da indústria, do comércio, dos serviços e dos supermercados têm um posicionamento contrário à mudança da jornada 6×1. Ninguém é contra alguém trabalhar menos. Acho que os trabalhadores têm que ter tratamento igualitário. A grande questão é que o Brasil não tem estrutura de custos para fazer isso neste momento. Hoje o Brasil está praticamente em pleno emprego. Não vamos conseguir contratar mais pessoas. Deve haver um incentivo muito grande à automação e esse emprego pode não voltar mais. Minha posição é que esse projeto deve ser considerado, não pode ser descartado, mas precisa de um período de adequação maior do que o que está sendo discutido. O Brasil precisa retomar o processo de crescimento. Não é uma discussão contra o trabalhador. A estrutura econômica brasileira não suporta essa mudança neste momento. Hoje Mato Grosso do Sul tem cerca de 21 mil vagas abertas. Somos o terceiro menor índice de desemprego do País, com aproximadamente 2,4%. Qualquer segmento hoje precisa de gente para trabalhar. Esse é o grande desafio.
O Estado: A Lotesul está em fase de implantação. Qual o potencial econômico da loteria estadual?
Jaime Verruck: Não conheço profundamente o processo. Sei que o Estado fez uma licitação e identificou uma oportunidade, assim como outros estados já fizeram. Vejo como uma nova fonte de receita. O Estado passa a arrecadar recursos que antes não existiam. Agora, não vejo isso como algo transformador do ponto de vista da capacidade de geração de receitas. Já existe uma concorrência muito grande no mercado de loterias e jogos. Acho que ajuda, mas não será uma receita capaz de transformar as finanças do Estado.
O Estado: Mato Grosso do Sul vive um momento de forte atração de investimentos privados, principalmente nas cadeias de celulose, bioenergia e logística. O Estado está preparado em infraestrutura e qualificação profissional para sustentar esse novo ciclo de desenvolvimento?
Jaime Verruck: Isso é importante falar. A gente chama isso de “dores do crescimento”. Tivemos um crescimento de 13,4% e a economia cresce com investimento privado. Uma indústria de celulose investe R$ 25 bilhões, outra mais R$ 25 bilhões, uma indústria de etanol de milho mais R$ 1 bilhão. Esse conjunto de investimentos alavanca o crescimento do Estado. Quando isso acontece, você tem uma pressão por demandas. Demanda por mão de obra, por habitação, por novas estradas. Como trabalhamos isso? Em relação às estradas, o Governo do Estado está fazendo o maior investimento da história. Tomou um empréstimo de R$ 2,4 bilhões junto ao BNDES para rodovias, fez a concessão da Rota da Celulose, com mais de R$ 10 bilhões em investimentos, além de outras concessões e parcerias público-privadas. O Estado tem capacidade de pagamento e buscou empréstimos e concessões para atender essa demanda. Temos alguns desafios de curto prazo em parceria com o Governo Federal, como a concessão da hidrovia do Rio Paraguai e a reativação da Malha Oeste. Na habitação, estamos procurando mecanismos para acelerar a construção de moradias populares, com participação das empresas, da Caixa, da Agehab e das prefeituras. Na saúde, além da estruturação dos hospitais regionais, estamos trabalhando muito com saúde digital e telemedicina. Mato Grosso do Sul já é referência nisso. Essas são as dores do crescimento. O desenvolvimento avançou rapidamente e o Estado precisa correr atrás para atender essas demandas.
O Estado: O senhor participou da formulação de diversas políticas de desenvolvimento econômico do Estado. Olhando para os próximos cinco a dez anos, quais devem ser as prioridades para que Mato Grosso do Sul continue crescendo de forma competitiva e com geração de emprego e renda?
Jaime Verruck: É importante destacar que, na Secretaria, eu era conjuntamente secretário de Agricultura, Indústria e Comércio, Agricultura Familiar, Ciência e Tecnologia, Meio Ambiente e Trabalho. Isso permitia fazer políticas com muita sinergia. Temos um divisor de águas a partir deste ano, que é a reforma tributária. Ela tem impacto nas atividades econômicas e nós perdemos um mecanismo que era a política de incentivos fiscais, baseada na redução do ICMS para atração de investimentos. Esse instrumento deixa de existir para todos os estados. Como Mato Grosso do Sul deve olhar para os próximos anos? Primeiro, continuar a diversificação da base produtiva. Temos capacidade de inserir mais cinco milhões de hectares de pastagens no processo produtivo. Fizemos isso nos últimos dez anos e podemos repetir esse movimento. Outro caminho é a integração lavoura-pecuária-floresta. Somos líderes nacionais, com 3,5 milhões de hectares. Também temos um grande potencial na irrigação. Hoje o Estado possui 68 mil hectares irrigados. Temos água, áreas aptas e potencial para crescer muito. A irrigação muda completamente a lógica da produção. A citricultura é outro exemplo. Temos aproximadamente 36 mil hectares em implantação e podemos chegar tranquilamente a 100 mil hectares nos próximos cinco anos. Mato Grosso do Sul pode se tornar um dos principais polos da citricultura brasileira. Também existe potencial para ampliar as culturas de inverno, principalmente com irrigação. Na agroindústria é que está o grande foco. Eu tenho que transformar Mato Grosso do Sul, não no celeiro do mundo. Eu quero perder o ranking de exportação de soja e grão, eu quero perder o ranking de exportação de milho, eu quero ser do celeiro para o supermercado. Isso a gente chama de agregação de valor. Em vez de mandar uma peça de contrafilé para a China para ela ser fatiada lá, eu quero mandar esse produto já processado. Hoje a celulose já representa agregação de valor, mas ainda podemos produzir absorventes, papel higiênico, papel para escrita e uma série de outros produtos. O caminho de Mato Grosso do Sul passa pelo desenvolvimento da agroindústria, olhando para a reforma tributária. Os setores que devem continuar liderando esse crescimento são o florestal, a celulose, a proteína animal — bovinos, aves, suínos e peixes — e a transição energética, com etanol de cana, etanol de milho, biometano e bioinsumos. Esses setores vão continuar crescendo porque estão alinhados à pauta mundial, que hoje é segurança alimentar e transição energética.
O Estado: Planejada há décadas, a Malha Oeste continua dependente de investimentos para voltar a operar plenamente. Quanto isso reduz a competitividade do Estado e o que a reativação da ferrovia pode representar para a economia?
Jaime Verruck: Mato Grosso do Sul já tem uma ferrovia altamente operacional, que é a Malha Norte. Ela liga Rondonópolis ao Porto de Santos, passando pelo Estado, e transporta combustível, soja, etanol e celulose. Quando olhamos para a Malha Norte, entendemos a importância de uma ferrovia e percebemos o quanto a Malha Oeste faz falta. A Malha Oeste liga Corumbá, Miranda, Aquidauana, Terenos, Campo Grande, Ribas do Rio Pardo, Água Clara e Três Lagoas até chegar ao Porto de Santos. Ela é crucial para o desenvolvimento. Podemos investir muito nas rodovias, mas elas não vão suportar o volume de caminhões. Hoje são cerca de 1.200 carretas de minério circulando diariamente entre Corumbá e Campo Grande. Com a ferrovia, essa carga passaria a ser transportada pelos trilhos. Durante dez anos tentamos relicitar a Malha Oeste. Agora existe a previsão de uma nova licitação pelo Governo Federal, ainda neste ano. É um investimento estimado em R$ 29 bilhões. Será praticamente uma reconstrução da ferrovia. Será necessário trocar trilhos, dormentes e toda a estrutura. Ela é importante porque pode criar uma nova rota bioceânica ferroviária e reduzir significativamente os custos logísticos. Na minha secretaria acompanhei esse processo durante dez anos. Sempre digo que tive duas grandes frustrações: não ter conseguido reativar a Malha Oeste, que considero crucial para o desenvolvimento do Estado, e a UFN-3. Felizmente, a UFN-3 voltou a ter suas obras retomadas.
O Estado: Mato Grosso do Sul ampliou sua inserção no mercado internacional nos últimos anos. As tarifas de 25% anunciadas pelo governo dos Estados Unidos podem comprometer a competitividade dos produtos sul-mato-grossenses, especialmente do agronegócio?
Jaime Verruck: Pode, sim. Nós já tivemos uma situação anterior, quando houve a discussão sobre tarifas e alguns produtos brasileiros foram retirados da lista, como celulose, carne e siderurgia. Aquilo já mostrou o quanto poderíamos ser impactados. Caso essa tarifa de 25% seja confirmada, é como se qualquer produto brasileiro chegasse 25% mais caro ao consumidor americano. Se ele estiver disposto a pagar esse valor, não há problema. Mas não é assim que funciona. Esse custo acaba sendo diluído ao longo da cadeia produtiva e a pressão recai sobre o produtor brasileiro. Todas as entidades brasileiras estão fazendo um trabalho importante de defesa junto à economia americana. O presidente Donald Trump gera turbulência no mundo inteiro e isso preocupa. Vou dar um exemplo. O setor de ferro-gusa exporta para os Estados Unidos. Era o nosso principal mercado. Com uma tarifa de 25%, nós deixamos de ser competitivos. Talvez tivéssemos até fechamento de algumas fábricas no Brasil e em Mato Grosso do Sul. Quando você leva isso para a carne, o problema aumenta porque você precisa encontrar novos mercados. A carne está na tempestade perfeita. A China trabalha com cotas e já cumprimos a cota. Os Estados Unidos discutem uma tarifa de 25%. E a Europa restringiu parte das importações em função de divergências sobre medicamentos veterinários. Então a carne brasileira vive hoje um cenário bastante restritivo. O foco tem que ser competitividade, respeito aos contratos já existentes e demonstrar que essa tarifa também será ruim para o consumidor americano, porque ele vai pagar mais caro pelos produtos. Caso ela seja implantada, haverá redução da competitividade e do preço pago ao produtor sul-mato-grossense. Vamos precisar buscar outros mercados, mas o mercado americano é importante porque remunera bem os produtos brasileiros. Por isso, o esforço do Governo Federal e das entidades é fundamental.
O Estado: O mercado de carbono pode representar uma nova fonte de renda para Mato Grosso do Sul? Quais oportunidades reais o Estado tem nesse segmento?
Jaime Verruck: Isso é verdade. Criamos a meta de Mato Grosso do Sul Carbono Neutro 2030. O mercado de carbono só existe quando alguém emite gases e precisa comprar crédito de quem consegue reduzir ou compensar essas emissões. Hoje toda indústria licenciada pelo Imasul participa do Carbon Control e apresenta seu balanço de carbono. Já temos mais de 700 indústrias monitoradas no Estado, que precisam demonstrar se são positivas ou negativas em emissões e fazer esforços para mitigá-las. Também criamos uma empresa de gestão ambiental. Ela lançou o primeiro edital para venda de créditos de carbono provenientes das áreas públicas do Estado, dentro do programa REDD+. É um mercado novo e temos expectativa de resultados importantes. O crédito de carbono é uma ferramenta para mitigar as mudanças climáticas. Vou dar um exemplo: Bonito busca ser carbono neutro. Se houver emissões que não possam ser eliminadas, o município compra créditos para fazer essa compensação. Mato Grosso do Sul tem potencial para esse mercado. Hoje o mundo olha para o Estado como referência em sustentabilidade. A diferença é que nós temos que provar aquilo que já fazemos. Desenvolvemos políticas de preservação de reserva legal, de áreas de preservação permanente e agora precisamos transformar isso em um ativo econômico, beneficiando também o produtor rural que preserva. Por isso criamos programas de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA). O que ainda falta é a regulamentação nacional. Hoje o mercado funciona de forma voluntária. O Brasil já aprovou a lei, mas precisa acelerar a regulamentação para que exista um mercado oficial de carbono.
O Estado: Os eventos climáticos extremos têm afetado a produção agrícola, a logística e até a geração de energia. O quanto essa variável passou a influenciar o planejamento econômico de Mato Grosso do Sul?
Jaime Verruck: Hoje essa pauta faz parte do planejamento do Estado. Mato Grosso do Sul foi um dos primeiros estados brasileiros a criar uma política específica para mudanças climáticas, o Proclima. Também criamos o Fórum Estadual de Mudanças Climáticas e um Fundo do Clima, que já recebe recursos internacionais. Fizemos um diagnóstico dos municípios para avaliar como cada um está estruturado em relação às mudanças climáticas. Isso é necessário porque já estamos sendo afetados, seja por períodos de seca mais intensos, seja por queimadas, como ocorreu em 2021 e 2024. Neste momento, inclusive, o Estado já declarou situação de emergência climática diante do risco elevado de estiagem. Essa pauta exige prevenção, planejamento e capacidade de resposta. Hoje Mato Grosso do Sul possui o Cemtec, que conta com uma das maiores coberturas de estações meteorológicas do País. Todos os municípios são monitorados, inclusive todo o Pantanal. Isso é importante porque o impacto climático não ocorre da mesma forma em todas as regiões. Enquanto uma área enfrenta seca extrema, outra pode registrar excesso de chuva. A mudança climática já influencia a produção e vai continuar influenciando no longo prazo. Não sabemos exatamente qual será a velocidade dessas mudanças, mas basta olhar para os últimos anos para perceber os impactos. Por isso, é fundamental que as políticas públicas preparem os municípios e o próprio Estado, tanto do ponto de vista da prevenção quanto da capacidade de resposta quando esses eventos ocorrerem.
Por Djeneffer Cordoba
Acesse as redes sociais do Estado Online no Facebook e Instagram