Candidato ao governo falou sobre saúde, segurança, economia, educação, infraestrutura e meio ambiente
O candidato ao Governo de Mato Grosso do Sul, Delcídio Amaral (PRD), apresentou propostas para áreas como saúde, educação, segurança, meio ambiente, infraestrutura e economia durante sabatina promovida pelo Jornal O Estado. Ao longo da entrevista, defendeu uma gestão baseada em planejamento, tecnologia, qualificação profissional e integração entre diferentes setores.
A primeira edição da série também colocou em discussão as estratégias para o desenvolvimento econômico do Estado. Delcídio questionou a forma como, segundo ele, investimentos e decisões estratégicas vêm sendo conduzidos e defendeu que a chegada de grandes empresas gere resultados mais amplos para a população sul-mato-grossense. “Nós não podemos ser um Estado de economia primária. Nós temos que agregar valor”, afirmou.
Na segurança pública, o candidato defendeu o uso de ferramentas tecnológicas e a integração entre as forças de segurança. Na saúde, voltou a defender a regionalização dos atendimentos. A Rota Bioceânica, a formação de trabalhadores, a diversificação econômica e a ampliação da infraestrutura também estiveram entre os temas abordados. “Eu quero ver Mato Grosso do Sul brilhar”, declarou.
Confira a entrevista:
O Estado – Sua candidatura ao governo surgiu já na reta final das definições eleitorais. O senhor assumiu essa candidatura mais por uma necessidade partidária diante do cenário que se formou?
Delcídio – Nós estamos investindo bastante na eleição de deputados federais, que é o que conta para o Fundo Partidário e o Fundo Eleitoral. A outra razão é pela história que tenho. Sou um corumbaense que rodou o mundo. Dirigi o sistema Eletrobras, fui presidente do Conselho da Vale, ministro de Minas e Energia, diretor da Petrobras e senador, com um papel relevante no Congresso, ajudando muito Mato Grosso do Sul.
Na minha época, quando ainda não existia a emenda impositiva como existe hoje, trouxe mais de R$ 3,5 bilhões para investimentos em saúde, educação, segurança pública, esporte, lazer, turismo e infraestrutura. Acho que posso ajudar bastante Mato Grosso do Sul pela experiência que acumulei e pelos relacionamentos que construí no Brasil e fora dele.
O Estado – O senhor já teve grande projeção na política nacional, como bem lembrou, mas agora concorre por um partido com uma estrutura menor. O que faz o senhor acreditar que existe, hoje, espaço eleitoral para uma candidatura de Delcídio Amaral ao governo?
Delcídio – Nas eleições anteriores, normalmente precisava abraçar um partido grande e com o qual tivesse identificação ideológica. Eu nunca fui assim. Hoje, a realidade mudou. Surgiu uma palavra mágica chamada tecnologia. As campanhas são muito diferentes. Hoje a eleição é muito diferente. Você não precisa ter tanto dinheiro para fazer política quando está falando de uma política de projeto, de uma política de Estado. O modo de fazer política mudou muito. O que não mudou é a necessidade de um projeto de Estado, e não de um projeto de grupo político.
O Estado – O que o Delcídio que chega a esta eleição faria diferente daquele que ocupou o Senado e disputou o governo no passado?
Delcídio – Selecionaria melhor os meus companheiros. A gente precisa filtrar mais. Deus me ensinou muito durante esse período. Tive muitas lições e, quando reconhecemos com humildade onde erramos, saímos melhores do que entramos. Quero montar um time de gente que tenha responsabilidade e compromisso com Mato Grosso do Sul. Aprendi intensamente e consegui avaliar de maneira muito aprofundada os erros que cometi. Um deles é entender que não existe eleição ganha para ninguém. Pior do que o “já perdeu” é o “já ganhou”. Só acaba quando termina.
O Estado – Um dos principais problemas da saúde em Mato Grosso do Sul é o acesso a consultas, exames e atendimento especializado, principalmente para quem mora no interior. Qual é a sua proposta para reduzir as filas e fazer com que o paciente consiga atendimento especializado?
Delcídio – Quando fui candidato, em 2014, eu já falava em regionalização. É preciso regionalizar de verdade os atendimentos, investir em equipamentos e tecnologia e administrar de forma republicana as vagas do sistema. Não pode existir deputado A ou deputado B colocando uma pessoa na frente de outra que está esperando uma cirurgia ou uma consulta. Também é necessário fazer um estudo aprofundado. Vou dar o exemplo da Santa Casa. As contas não fecham. A tabela do SUS paga 2,6, enquanto os hospitais do Estado recebem 9, 10, 12. A Santa Casa tem 3,5 mil funcionários, médicos, enfermeiros e toda uma estrutura. Como vai prestar um serviço adequado se as contas não fecham?
Precisamos priorizar inovação, desenvolvimento e tecnologia e agregar tecnologia ao sistema de saúde. Isso vai aliviar postos e hospitais e atender de maneira mais séria à demanda. E é fundamental valorizar os profissionais da saúde.
O Estado – Qual será sua prioridade para melhorar a qualidade da educação estadual e, ao mesmo tempo, preparar os estudantes para o mercado de trabalho que está surgindo em Mato Grosso do Sul?
Delcídio – Mato Grosso do Sul precisa olhar principalmente para o ensino médio. O IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) do Estado nessa etapa está abaixo da média nacional. O ensino médio precisa estar associado à formação técnica, com técnicos de nível médio em áreas como eletrotécnica, eletrônica e construção civil. Eu trouxe os institutos técnicos para Mato Grosso do Sul. Esse pessoal deveria ser absorvido pelos grandes projetos que estão chegando ao Estado. Mas, se olhar essas obras e empreendimentos, verá muita gente de fora. Por quê? Porque Mato Grosso do Sul não se preparou para qualificar sua mão de obra.
A educação é a essência de uma sociedade cidadã e de futuro. Muitos jovens estão indo embora para outros estados e até para o exterior. Eles querem ficar aqui, mas precisam ter perspectiva. Temos uma universidade estadual. Por que ela não pode ser uma ferramenta para criar um programa de tecnologia? Quem não abraçar a tecnologia e não planejar não terá futuro.
O Estado – Mato Grosso do Sul tem uma extensa faixa de fronteira e convive com tráfico de drogas e armas e atuação do crime organizado. Qual será a prioridade do seu governo na segurança pública e o que pretende fazer, na prática, para reforçar o combate ao crime organizado e a proteção da população?
Delcídio – Temos carência de policiais, tanto na Polícia Civil quanto na Polícia Militar, além de necessidade de equipamentos. Mas vou para outro patamar. Hoje, segurança pública se faz com inteligência, e inteligência exige tecnologia. Precisamos de centrais de comando, monitoramento, câmeras e um sistema de comunicação eficiente. Precisamos também proteger as mulheres. Mato Grosso do Sul tem índices muito altos de feminicídio. A primeira Casa da Mulher Brasileira foi construída com uma emenda minha e inaugurada aqui com a ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Isso mostra a necessidade de acolher mulheres vítimas de violência e evitar novos casos.
O Estado – O Estado vive um ciclo de expansão do agronegócio e da indústria, mas também abriga Pantanal, Cerrado, Serra da Bodoquena e importantes recursos hídricos. Como o seu governo pretende conciliar a expansão econômica e a atração de novos empreendimentos com a preservação ambiental?
Delcídio – Sou pantaneiro e falo com autoridade sobre isso. Os produtores rurais do Pantanal entendem bem a questão ambiental. O problema é que falta uma estrutura permanente do governo. Todos os anos acompanhamos as queimadas. O executivo não poderia ter uma estrutura permanente para combater incêndios no bioma? Também precisamos deixar de ser uma economia primária. O gás natural permite produzir diesel, gasolina, fertilizantes e GLP (Gás Liquefeito de Petróleo). Precisamos agregar valor ao minério de ferro produzido em Corumbá e desenvolver startups e softwares. Temos gente boa na academia procurando oportunidade. Se não encontrarem aqui, vão embora.
O Estado – Rota Bioceânica é apontada como uma das grandes oportunidades econômicas dos próximos anos, mas existe o desafio, o que o seu governo fará para transformar o acesso em emprego, renda e novos negócios, principalmente nos municípios diretamente impactados pelo corredor?
Delcídio – Meu esforço será grande em função da rota bioceânica que está sendo implementada. Mas essa é uma alternativa importante e, na minha visão, não é a rota definitiva. Se soubermos aproveitar tudo o que essa integração pode proporcionar, Mato Grosso do Sul pode dar um salto de desenvolvimento. Não podemos desperdiçar a competência de tantas pessoas que poderiam colaborar para um Mato Grosso do Sul melhor. Um Estado que estenda a mão para os nossos irmãos indígenas, para os negros, para as mulheres, para os assentados e para a agricultura familiar. Basta oportunidade.Esse é o compromisso que tenho
O Estado – Mato Grosso do Sul vem atraindo grandes investimentos, especialmente em setores ligados ao agro, celulose, bioenergia, indústria e logística. Qual é a sua estratégia para transformá-los em empregos de qualidade e aumento real da renda da população?
Delcídio – Qualquer Estado precisa ter um projeto integrado. Aqui as pessoas confundem projeto com simplesmente trazer uma indústria. Para uma indústria se instalar, existe uma série de ações que o Estado precisa fazer para que a população também se beneficie. Estamos no coração da América do Sul, próximos de Paraguai, Bolívia, Chile e Peru. Precisamos aproveitar isso. O turismo também tem enorme potencial, assim como a conectividade aérea e o esporte. Precisamos ter uma visão do conjunto.
O Estado – Se eleito, quais serão as três prioridades do seu primeiro ano de governo e de onde virão os recursos para colocá-los em prática?
Delcídio – A prioridade inicial será fazer um rearranjo da estrutura administrativa do governo e equilibrar o orçamento do Estado. O Estado tem um déficit nominal de cerca de R$ 500 milhões. Vou implementar o projeto de Estado que apresentarei à sociedade. Ele passa por uma reorganização das funções essenciais do Estado: educação, saúde, segurança pública, meio ambiente e planejamento, que é a linha mestra de tudo. Também teremos inovação e tecnologia.
Se eu for eleito, já encaminharei esses projetos para a Assembleia Legislativa, porque muitos estarão prontos. Eu quero ver Mato Grosso do Sul brilhar. Quero uma cidade como Campo Grande com movimento, dinamismo, esperança e oportunidades. Não é difícil fazer isso. Agora, tem que ter competência. Acredito que posso contribuir muito pelas relações que tenho. Conheço o mundo, o empresariado e tenho muita experiência como executivo. Também conheço o Congresso e o governo federal, até porque fui senador por dois mandatos. Espero ter a honra de comandar o Estado em que nasci, depois de ter andado tanto pelo mundo. Quero um Estado fraterno, solidário e cidadão, que dê oportunidade às pessoas e saiba ouvir a população, sem viver em uma bolha.
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