Eleição da União das Câmaras de Vereadores pode ir para a Justiça

União das Câmaras
Foto: Divulgação

Chapa de Jeovani Vieira foi a vencedora do pleito

A eleição para escolha do novo presidente e da diretoria da UCV (União das Câmaras de Vereadores) pode ser judicializada após muita confusão, brigas e acusações de fraude durante a votação ocorrida na quarta-feira (22), na sede em Campo Grande. Por enquanto, o resultado é favorável ao atual presidente, o vereador Jeovani Vieira (PSDB), que teve o total de 219 votos e vai ao quinto mandato consecutivo no comando da UCV. A contabilização pode mudar a qualquer momento, se votos forem impugnados, mas não significa mudança de resultado. Mesmo assim, a chapa concorrente ameaça pedir anulação da eleição na Justiça.

O que ocorre é que a chapa de oposição Renovação, União e Transparência, que concorreu com o candidato a presidente, o vereador Gilson Oliveira Ferreira, “Bicão” (MDB), e como vice-presidente o vereador Coringa (PSD), teve o total de 192 votos e entrou com pedido de impugnação de três votos de ex-vereadores. As solicitações foram encaminhados à Comissão Eleitoral da UCV com o argumento de que eles estariam supostamente inaptos para participar do pleito, por irregularidades no pagamento de mensalidades, e estes teriam sido feitos de uma hora para outra por uma terceira pessoa

O vereador Coringa explica que, antes do resultado final da eleição, a chapa já havia entrado com os pedidos de impugnação. Ele destaca que o regimento afirma que o ex-vereador filiado pode votar desde que esteja em dia com as mensalidades, e afirma que antes da eleição foi descoberto que uma pessoa supostamente ligada à chapa atual teria quitado as mensalidades de 41 ex-vereadores.

“Só quem pode votar são Câmaras filiadas, vereadores filiados e ex-vereadores que estejam com as mensalidades em dia. O atual presidente reformulou o estatuto recentemente para que o ex-vereador pudesse votar. Mas o ex-vereador teria de pagar a mensalidade. Muitos ex-vereadores deixam de pagar porque não têm mandato mais e não têm interesse. Entendemos que o pagamento deve acontecer pelo ex-vereador e não por uma pessoa que vai até lá e quita a mensalidade atrasada de todos para que possam votar. Existem suspeitas de fraude e estamos investigando. Nós podemos até pedir para haver uma quebra de sigilo bancário para saber da onde saiu esse dinheiro. Porque pode ter dinheiro público envolvido no meio”, destaca o parlamentar, que também acha estranho que uma mensalidade que custa em média R$ 60 seja paga para 41 pessoas, o que daria o total de R$ 2.460,00.

Coringa afirma que quem apresentou lista de ex-vereadores que estavam aptos a votar à Comissão Eleitoral foi a atual gestão. Ele salienta que o próximo passo é aguardar o posicionamento e o parecer da Comissão Eleitoral. Caso a decisão não tenha o aval da chapa, Coringa diz que vai entrar na Justiça Comum e pedir a anulação da eleição com indicação de presidente interino para o comando da UCV até que haja nova data de eleição.

Votos

Jeovani teve o total de 219 votos, sendo 195 de vereadores, 15 de ex-vereadores, 5 de sócios beneméritos e 4 de vereadores individuais.

A chapa de Bicão teve o total de 192 votos, sendo 190 de vereadores, um voto de ex-vereador e um voto de sócio benemérito

Para Coringa, com os votos à sua chapa, perdeu apenas por cinco votos, já que ele leva em consideração o total de vereadores aptos.

Comissão Eleitoral

Existem três pedidos de impugnação pela chapa de Bicão e um pedido com questão administrativa pela chapa de Jeovani, e todos estão sendo analisados pela comissão organizadora da eleição, presidida pelo vereador de Campo Grande Coronel Alírio Villasanti (PSL).

Alírio explicou ao jornal O Estado que os quatro recursos foram encaminhados antes do resultado final da eleição e que até a próxima segunda-feira (27) a comissão dará o parecer final. Ele garante que todos os membros estão trabalhando com o setor jurídico para avaliar as questões e tomar a melhor decisão.

“A gente deliberou prazo de 24h para que as chapas se defendessem das argumentações. O estatuto não prevê nenhum prazo para que a gente possa deliberar sobre isso. Estamos avaliando, pois são questões complexas que envolvem situações jurídicas e administrativas, e em alguns casos o estatuto é dúbio ou omisso. Acredito que até o início da próxima semana é possível avaliar dentro da legalidade. Vamos nos pautar sempre na legalidade e transparência”.

O que diz o eleito

Em contato com o vereador Jeovani para comentar sobre a questão, ele explica que, mesmo excluindo o voto dos ex-vereadores e deixando só o dos vereadores e dos sócios beneméritos, ele sai vencedor.

“Primeiro que quem vai decidir é a Comissão Eleitoral, e segundo isso não modifica em nada o resultado da eleição. Eles votaram em urnas separadas, houve três urnas diferentes no total. Temos seis sócios beneméritos, que são os fundadores da entidade e sempre estão aptos ao voto. Desses, cinco votaram em mim. Teve o total de 385 vereadores filiados votantes e eles tiveram 190 votos e eu 195, por si só eu já ganhei. Votaram também 17 ex-vereadores. Eu tive 15 votos e ele um, porque o outro votou em branco. Então, se a Comissão Eleitoral julgar em excluir o voto dos ex-vereadores o resultado não muda e eu continuo permanecendo vencedor do mesmo jeito”.

Jeovani explica que, em sua visão, não há motivos para se judicializar a eleição e pedir a anulação. Ele acredita que a chapa que perdeu deve aceitar o resultado.

(Texto de Andrea Cruz )

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