Deputados de MS gastam quase R$ 7 milhões da cota parlamentar com divulgação

Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos deputados
Foto: Kayo Magalhaes/Câmara dos deputados

Levantamento mostra que publicidade da atividade parlamentar foi a principal despesa desde 2023

Os deputados federais de Mato Grosso do Sul Camila Jara (PT), Marcos Pollon (PL), Vander Loubet (PT), Beto Pereira (Republicanos), Geraldo Resende (União Brasil), Rodolfo Nogueira (PL), Dagoberto Nogueira (PP) e Dr. Luiz Ovando (PP) registraram, juntos, R$6,95 milhões em despesas com divulgação da atividade parlamentar desde o início do atual mandato, em 2023. O valor aparece como a maior categoria de gasto entre as despesas da CEAP (Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar) em levantamento feito pelo Jornal O Estado.

No período analisado, que vai de 2023 a agosto de 2026, todas as despesas dos oito parlamentares somaram R$15,24 milhões. Mais de R$6,9 milhões desse montante foram classificados como divulgação da atividade parlamentar, categoria que inclui despesas relacionadas à comunicação do mandato, conforme as regras da Câmara.

A CEAP é uma verba destinada a despesas relacionadas ao exercício do mandato. Entre os gastos que podem ser pagos com a cota estão aluguel e manutenção de escritório, passagens, combustível, aluguel de veículos, telefonia e divulgação da atividade parlamentar. O limite varia conforme o Estado. Para deputados eleitos por Mato Grosso do Sul, o teto mensal é atualmente de R$52.707,93. O valor não utilizado em um mês pode ser acumulado ao longo do mesmo ano, mas não pode ser levado para o exercício seguinte.

2024 foi o ano com maior gasto em divulgação
A análise mostra que os gastos com divulgação permaneceram próximos de R$2 milhões por ano nos três exercícios completos do mandato. Em 2023, os oito deputados registraram R$1,98 milhão nesta categoria. Já em 2024 o valor chegou ao maior patamar da série, com R$1,99 milhão. Em 2025, foram R$1,96 milhão até agosto de 2026.

O levantamento também mostra que a divulgação não foi uma despesa isolada. A segunda categoria que mais recebeu recursos foi locação ou fretamento de veículos, com R$2,77 milhões no conjunto do período. Na sequência aparecem custeio e manutenção de escritórios, com R$1,97 milhão, combustíveis e lubrificantes, com R$1,63 milhão, e passagens aéreas, que somaram R$1,30 milhão.

Quem mais gastou com divulgação

Entre os oito parlamentares, Geraldo Resende acumulou o maior valor na categoria durante o período analisado, com R$1,08 milhão. O deputado registrou R$314 mil em 2023, R$292,5 mil em 2024, R$274,4 mil em 2025 e R$203,1 mil entre janeiro e agosto deste ano.

Rodolfo Nogueira aparece com cerca de R$1,01 milhão em divulgação. O maior valor anual do parlamentar foi registrado em 2025, quando a despesa chegou a R$300,9 mil. Em 2023, foram R$248,6 mil; em 2024, R$266,2 mil; e, até agosto deste ano, R$199,3 mil.

Já Marcos Pollon acumulou aproximadamente R$928 mil na categoria. O maior registro dele ocorreu em 2024, com R$291,4 mil, seguido por R$284,7 mil em 2025, R$279 mil em 2023 e R$73 mil em 2026 até agosto.

Ainda na categoria divulgação Camila Jara soma R$833.127,72 durante o mandato. Vander acumula R$832.776,00; Beto Pereira R$891.250,54; Dagoberto R$741.652,2 e Luiz Ovando aparece com o menor valor: R$656.428,02.

A assessoria de Pollon afirmou em nota que o deputado “figura entre os parlamentares que mais se destacam pela gestão dos recursos públicos” e que está entre os parlamentares com menores custos estimados de mandato em Mato Grosso do Sul, além de apontá-lo como um dos mais econômicos no uso da CEAP.

Segundo eles, esse comportamento faria parte de um padrão mantido ao longo do mandato, com controle das despesas e uso criterioso dos recursos colocados à disposição do parlamentar.

Já a assessoria de Geraldo Resende informou que todas as despesas com a Cota Parlamentar seguem a legislação, são integralmente prestadas à Câmara. O deputado reafirma seu compromisso com a transparência e com o uso responsável dos recursos públicos em defesa dos interesses do Estado.

Apesar de a divulgação ser a principal categoria no conjunto dos oito, a composição dos gastos muda de um gabinete para outro. Em alguns casos, a locação de veículos ocupa parcela significativa da cota; em outros, manutenção de escritório e combustíveis aparecem entre as principais despesas.

O que mais pesa além da divulgação

Os dados mostram que a locação ou fretamento de veículos é o principal gasto depois da divulgação. Em 2025, por exemplo, Rodolfo Nogueira registrou R$144 mil nessa categoria, enquanto Dagoberto Nogueira chegou a R$149 mil. No mesmo ano, Dr. Luiz Ovando teve R$140,5 mil em locação de veículos.

Outro gasto relevante é o custeio e manutenção dos escritórios de apoio ao mandato. Somados os registros dos oito deputados, a categoria representa quase R$2 milhões no período. Combustíveis aparecem logo depois, com mais de R$ 1,6 milhão.

As passagens aéreas, que podem ser adquiridas por diferentes modalidades registradas na prestação, também ultrapassam R$ 1,3 milhão no conjunto analisado.

A existência de uma despesa na prestação da CEAP, porém, não significa por si só que haja irregularidade. O levantamento apenas organiza os gastos registrados nas categorias disponíveis na Câmara e não faz juízo sobre a regularidade individual de cada nota ou serviço.

O Jornal procurou as assessorias dos oito deputados para questionar os gastos registrados no levantamento. Até o fechamento desta reportagem, somente Marcos Pollon e Geraldo Resende enviaram resposta. As demais não responderam ao contato.

Por Nayane Aleixo

 

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