Com apoio de Bolsonaro a Pollon para o Senado, Azambuja diz que buscará unidade da direita

Reinaldo Azambuja ponderou que não é possível “obrigar ninguém a continuar” - Foto: Allan Gabriel/OEMS
Reinaldo Azambuja ponderou que não é possível “obrigar ninguém a continuar” - Foto: Allan Gabriel/OEMS

Dirigente reafirmou que os nomes ao Senado serão definidos por pesquisas

Mesmo com o apoio declarado do ex-presidente Jair Bolsonaro a um dos nomes do partido, o presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, afirmou que os dois candidatos da sigla ao Senado em Mato Grosso do Sul serão definidos por meio de pesquisas. Hoje, o partido tem três pré-candidatos colocados para duas vagas.

A movimentação ganhou novos contornos após a divulgação, pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, de um bilhete atribuído a Bolsonaro indicando que o deputado federal Marcos Pollon seria o nome do grupo para disputar o Senado no Estado. Na mensagem, o ex-presidente afirma que Mato Grosso do Sul tem direito a indicar um nome e que, pela dedicação enquanto parlamentar, Pollon seria o escolhido.

Apesar disso, Azambuja pondera que o cenário ainda está em construção. Em entrevista ao jornal O Estado, ele destacou que as definições devem ocorrer até julho e que há prioridades nacionais e estaduais no horizonte.

“Nós temos duas prioridades, a eleição do Flávio Bolsonaro, que tem condições de derrotar o nosso adversário, que é o PT, e a reeleição do governador Riedel. É importante para o conjunto”, afirmou, citando conversas frequentes com Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho.

Segundo Azambuja, ficou acordado com Bolsonaro que os dois nomes ao Senado serão definidos com base em pesquisas. “Isso foi combinado, inclusive, com o presidente Bolsonaro, que estava na mesa, e referendado pelo Rogério Marinho”, disse. Ele defendeu que o partido não pode abrir mão de candidaturas “com musculatura”, reconhecendo que Pollon “tem muita força também” e pode, eventualmente, figurar entre os melhores posicionados.

Sobre o risco de fragmentação com três nomes na disputa interna, Azambuja foi direto. “Para ganhar do adversário, que é o PT, tem que ter unidade. Se tiver divisão, fica mais difícil. Eu vou buscar a unidade”. Ainda assim, ponderou que não é possível “obrigar ninguém a continuar” caso alguém decida mudar de rumo. Atualmente, além de Azambuja e de Marcos Pollon, o PL também conta com a pré-candidatura do Capitão Contar ao Senado.

Contar afirma que não vê risco de racha no campo conservador. “Não vejo fragmentação. Vejo força. É natural que um partido forte tenha mais de um nome se colocando à disposição”, declarou. Para ele, o critério deve ser técnico. “Quem demonstrar maior condição eleitoral e maior identificação com a população será o escolhido”.

Questionado se imagina uma composição ao Senado com Azambuja ou com Marcos Pollon, Contar afirmou que há convergência de projeto. “Não estamos falando de um projeto pessoal ou de vaidade. Estamos falando da responsabilidade de garantir que o Mato Grosso do Sul não perca uma vaga no Senado alinhada aos valores que defendemos”, disse.

Sobre o bilhete divulgado por Michelle Bolsonaro indicando Pollon como preferido, Contar disse ter “absoluto respeito” pelo ex-presidente e pelas lideranças nacionais do partido. Segundo ele, as discussões internas são naturais e sua posição no PL é de “tranquilidade e confiança”. “As pesquisas mostram um reconhecimento espontâneo da população, e isso me dá segurança”, afirmou, acrescentando que seguirá trabalhando para “somar” e garantir a vaga ao campo conservador.

A definição dos dois nomes que disputarão as únicas vagas ao Senado pelo PL deve passar, segundo a direção estadual, pelo crivo das pesquisas e pela capacidade de manter a unidade do grupo.

Projeto
O presidente estadual do PL, Reinaldo Azambuja, também afirmou ao Jornal O Estado, que o partido trabalha para ampliar de forma significativa sua bancada na Assembleia Legislativa após a janela partidária, aberta até 4 de abril. Segundo ele, diversos deputados estaduais foram convidados a se filiar à sigla e, caso as adesões se confirmem, a legenda poderá se tornar a maior bancada da Casa.

“Convidamos vários. Ainda não posso garantir porque a janela está abrindo agora, mas, dando tudo certo, vamos fazer um ato de filiação no diretório”, afirmou.

Azambuja explicou que, ao aceitar o convite para ingressar no PL, firmou compromissos com o ex-presidente Jair Bolsonaro e com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto. Entre as condições, destacou o apoio do partido à reeleição do governador Eduardo Riedel, a construção de uma chapa competitiva ao Senado com base em pesquisas e o fortalecimento das bancadas federal e estadual.

Atualmente, o PL conta com dois deputados federais e três estaduais. A meta, segundo Azambuja, é chegar a seis ou sete parlamentares na Assembleia no próximo pleito. “Triplicar é difícil, vamos ser realistas. Mas dobrar a bancada estadual é uma expectativa concreta”, pontuou.

Sem domiciliar
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou nesta segunda-feira (2), pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro.A defesa alegou que as instalações da prisão não estão aptas para dar tratamento médico adequado a Bolsonaro, que passou recentemente por uma cirurgia de hérnia inguinal e tem diversas comorbidades em decorrência da facada desferida contra ele na campanha eleitoral de 2018.

Na decisão, o Moraes disse que as instalações da Papudinha, em Brasília, onde o ex-presidente está preso, oferecem atendimento médico adequado. Além disso, o ministro afirmou que a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica, ocorrida no ano passado, também é um óbice ao deferimento do pedido.

Por Brunna Paula

 

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