Bolsonaro diz dificuldades para trazer brasileiros da China

O presidente Jair Bolsonaro listou ao menos duas dificuldades para trazer os brasileiros que estão na região de Wuhan, na China, onde se iniciou a contaminação do coronavírus. De acordo com ele, é preciso solucionar questões financeiras para o envio de uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) ao país asiático, além da falta de uma “lei de quarentena” no Brasil para manter os brasileiros que forem repatriados por um tempo de monitoramento.

O presidente se reuniu durante a tarde da última sexta-feira (31) com os ministros Henrique Mandetta (Saúde), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Luiz Eduardo Ramos (Secretaria Geral), Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e Fernando Azevedo (Defesa) para discutir o assunto.

“Temos alguns nacionais, que estão na região de Wuhan, que querem vir para cá, e têm pedido o nosso apoio. Obviamente, o apoio custa dinheiro, meios, e o Brasil vai ter que se esforçar para conseguir. Começa pela própria Força Aérea. Ao longo dos últimos 30 anos, arrebentaram com o material das Forças Armadas, incluindo aeronaves”, disse Bolsonaro a jornalistas na entrada do Palácio do Alvorada. Segundo ele, um voo para a china custaria cerca de US$ 500 mil (aproximadamente R$ 2,1 milhões).

O outro ponto, de acordo com o presidente, é a ausência de normas sobre quarentena no Brasil. “Nós não temos uma lei de quarentena. Ao trazer os brasileiros para cá, e a nossa ideia, obviamente, é colocar em local para quarentena, mas aí qualquer decisão judicial tira de lá, e daí seria uma irresponsabilidade retirar pessoas que vêm da China pra cá”, acrescentou.

Segundo o ministro Ernesto Araújo, há também um entrave diplomático para trazer os brasileiros da região de Wuhan, que está em quarentena decretada pelo governo chinês. “A região da China que está mais sujeita [ao vírus], está fechada para qualquer pessoa sair. É preciso negociar com o governo chinês primeiro, para que deixe sair os brasileiros, mas não é uma coisa óbvia e imediata também”, afirmou.

Nos últimos dias, diversos países, como Austrália, Coreia do Sul, Estados Unidos, Filipinas, Espanha, Alemanha, França, Índia e Japão iniciaram tramites ou já retiraram seus cidadãos da China, por causa do surto do coronavírus.

(Texto: Izabela Cavalcanti com informações da Agência Brasil)

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