Major da PM explicou ocorrências em coletiva e afirmou que confrontos aconteceram após suspeitos reagirem às abordagens
Os três homens mortos em confrontos com equipes do Batalhão de Choque da Polícia Militar, em ações realizadas em Invinhema e Ladário, tinham histórico de envolvimento em diferentes crimes, segundo informações apresentadas pela corporação durante coletiva de imprensa.
As ocorrências foram detalhadas pelo major Clayton da Silva Santos, que explicou as circunstâncias das intervenções policiais e apresentou antecedentes criminais de Lucas Maciel Nunes, conhecido como “Luquinha Bunda”, André da Silva de Andrade Gama, o “Jamaica”, e Joilson Souza de Oliveira, chamado de “Chacal”.
Segundo o major, a atuação em Vinhema ocorreu após um homicídio que matou Giane e deixou uma mulher grávida de 24 semanas ferida. A equipe do Choque foi enviada para a região de Guilherme, em Nova Andradina, após informações sobre possíveis envolvidos no crime.

Foto: Nilson Figueiredo
De acordo com a versão apresentada pela Polícia Militar, durante o patrulhamento os policiais localizaram Lucas, que teria fugido para uma residência ao perceber a aproximação da equipe. O major afirmou que o suspeito estava escondido nos fundos do imóvel e teria atirado contra os policiais com um revólver calibre .38.
Ainda conforme o relato, outro suspeito, identificado como André, o “Jamaica”, foi localizado dentro da residência. A PM informou que ele também teria apontado uma arma durante a abordagem e acabou atingido pelos disparos.
Após a ação, os policiais encontraram drogas e materiais relacionados ao tráfico no imóvel, segundo a corporação.
O major afirmou que Jamaica era apontado por uma testemunha como suspeito de participação no homicídio de Giane e na tentativa de homicídio contra a mulher grávida. Segundo ele, após a divulgação das imagens dos envolvidos, Lucas também teria sido reconhecido como participante da ação.
Histórico dos suspeitos
Conforme a ficha apresentada pela Polícia Militar, Lucas Maciel Nunes, de 21 anos, possuía registros por crimes como furto, roubo com emprego de arma de fogo e restrição da liberdade da vítima, lesão corporal, ameaça, violência doméstica, porte de drogas e corrupção de menor.
Já André da Silva de Andrade Gama, o “Jamaica”, de 22 anos, tinha registros relacionados a tráfico de drogas, associação para o tráfico, roubo majorado com uso de arma de fogo e restrição da liberdade da vítima, ameaças, lesões corporais, violência doméstica, posse irregular de arma de fogo e corrupção de menor.
Durante a coletiva, o major também comentou sobre um vídeo que circulou nas redes sociais mostrando um dos suspeitos pedindo para não morrer após ser baleado.

Foto: Nilson Figueiredo
Segundo ele, as imagens precisam ser analisadas desde o início da abordagem. “Quando o criminoso começa a pedir pela vida, ele já foi alvejado, ele já está ao solo. O policial continua falando: ‘mostra suas mãos’. É o momento em que ele larga a arma e mostra que não havia mais perigo para a aproximação da equipe”, afirmou o major Clayton.
Ele disse ainda que, após o desarme, os policiais prestaram atendimento ao suspeito. “A equipe policial se aproxima, realiza a retirada do armamento e realiza os primeiros socorros.”
Ação em Ladário
A outra ocorrência citada pelo major foi registrada em Ladário, dentro da Operação Jovem Guerreiro, iniciada após a morte do policial militar Marcelo Pimenta.
Segundo a PM, a operação tinha como objetivo combater crimes ligados ao tráfico de drogas, roubos e furtos na região de fronteira.
Durante uma ação para localizar um suspeito que havia rompido a tornozeleira eletrônica, os policiais chegaram até uma residência onde estava Joilson Souza de Oliveira, conhecido como “Chacal”.
Conforme o relato apresentado na coletiva, Chacal seria pai do homem procurado inicialmente pela equipe. A PM informou que ele estava com um revólver calibre .38 e teria apontado a arma contra os policiais, que reagiram.
Na residência, foram apreendidos mais de 1 quilo de maconha, porções de cocaína, materiais utilizados para comercialização de drogas e a tornozeleira eletrônica rompida.
Segundo a ficha apresentada pela polícia, Chacal possuía registros por tráfico de drogas, furtos qualificados, receptação, porte ilegal de arma de fogo, disparos de arma de fogo, tentativas de homicídio, ameaças e lesões corporais.
“Objetivo não é tirar vidas”, diz major
Durante a coletiva, o major Clayton também comentou sobre o aumento no número de mortes em confrontos policiais. Segundo ele, foram 64 casos registrados neste ano.
O oficial afirmou que o crescimento estaria relacionado ao cenário de disputa entre grupos criminosos e maior confronto com as forças de segurança. “O policial militar em nenhum momento vai com o intuito de ceifar a vida de alguém. A nossa função primária é fazer com que o criminoso seja levado à Justiça”, declarou.
Segundo ele, a reação policial ocorre quando há uma agressão ou ameaça durante a abordagem. “A opção do confronto não é do policial. Ninguém gosta de ir para uma ocorrência e tirar uma vida. A nossa prioridade é tirar a arma de circulação, levar os criminosos à Justiça e trazer a paz social para a sociedade.”
A Polícia Militar informou ainda que, em 2026, foram registradas mais de 275 prisões em flagrante, 70 veículos recuperados, 138 armas apreendidas, 127 pessoas presas por mandados judiciais e mais de 11 toneladas de drogas apreendidas, conforme balanço apresentado na coletiva.